quinta-feira, 21 de maio de 2015

"Os Dez Mandamentos da Arte de Atuar"
estrelando: Deneasy del Vecchio & Paulo Gorgulho




Nada é minimamente obra do acaso, é simples detalhe, ou um adereço qualquer. Nós quem não observamos atentamente, ou não sabemos interpretar. Bem... "Nós" os reles-mortais, porque alguns sabem interpretar como ninguém mais, fazendo tudo parecer tão fácil, e digno de toda a admiração do mundo.

No ar em uma novela literalmente divina (característica do que é excelente, santa e bela), que traz o que há de excepcional na dramaturgia brasileira, Denise del Vecchio e Paulo Gorgulho são a prova cabal disso. Ela carrega em seu nome a sonoridade, naquela considerada a Língua universal, do que é suave, descomplicado e acessível tamanha simplicidade e fluidez com que executa suas cenas. E ele traz grafado no dele o prazer que nos causa sua obra, tão bem descrita; e é tanta honra que até sobra escrita!

Talvez meus leitores de plantão, profundos conhecedores das minhas tão escancaradas preferências, dirão que só eu mesma para observar algo assim porque os vejo com outros olhos... Mas sejam os olhos que forem, nenhum par vê o que não existe, nem muito menos é cego. Eu vejo o que de fato há neles, e lamento por aqueles cuja visão não tenha este alcance!



Em Os Dez Mandamentos, obra-prima da Rede Record no ar de segunda à sexta às 20h30, Joquebede e Anrão, pais do protagonista Moisés, se reencontraram depois de mais de 30 anos afastados, num tempo onde o que dava a um a certeza de que o outro ainda estaria vivo a esperar era tão somente a Fé. Sozinhos em cena, esse dois operários da Arte deram tantas lições que, admito, levarei um bom tempo para simplesmente identificá-las, o que dirá absorvê-las; mas a mais intensa de todas é mais clara que as águas do deslumbrante "Nilo Chileno"... Talento é um calçado importante, mas é o percorrer da estrada que dá sentido à sua existência. Talento sem experiência é no máximo um belo calçado exposto na vitrine, porque, sim, é possível percorrer a estrada mesmo descalço, embora seja mais penoso; o que prova serem o Tempo e o disciplinado Exercer do ofício, estes sim, os elementos fundamentais no sucesso em qualquer carreira.

Mas mesmo sendo uma lição tão simples, e tão admirável assim, ainda tive direito a uma aula de revisão. A cena em que Anrão e Joquebede, ao lado da filha Miriãn (a linda Larissa Maciel), recebem Moisés (o igualmente lindo Guilherme Winter) no meio da noite, revelando saber enfim toda a verdade, foi, proporcionalmente falando, uma tese de Pós-Doc. Dois jovens atores singularmente imersos no mesmo plano (e não me refiro ao enquadramento de câmera) daqueles que desbravaram tantos caminhos antes deles - o que os proporcionou a chance de estarem hoje onde estão. Mestres e Alunos jogando de igual pra igual. E quem ganha esse jogo? Nós, os telespectadores.



Em qualquer profissão, bons profissionais trazem glamour às suas atividades, conquistam aqueles que serão seus seguidores, que darão continuidade a um trabalho de suma importância. No caso desses grandes atores, não somente a sua profissão é exaltada, mas uma gama de outras que conjuntamente formam este universo da interpretação. Não à toa, elegi esse casal para tão bem representar esse contexto brilhante que é esta novela. Autores, diretores, continuístas, cinegrafistas, editores de som e imagem, cenógrafos, figurinistas, cabeleireiros e maquiadores, contrarregras, figurantes, todos condensados naqueles que diante da câmera personificam as Emoções... Emocionante por si só!



E não à toa elegi também esse casal como meu exemplo de excelência. Sou fã deles por motivos óbvios. Eis uma tarefa fácil e admirável, aliás, é quase uma obrigação! Aos dez anos, conheci Denise; e aos doze foi a vez de Paulo. E desde então nunca parei de seguí-los. Ela por tantos anos foi minha Olívia, a Fera-no-que-faz, pra quem escrevi tantas cartas que nunca saíram de casa, e uma que se perdeu no caminho. E ele pôs em cheque minha paixão platônica (que até hoje perdura) por Almir Sater. A Fera me mostrou a deliciosa contradição que é passar anos a escrever, escrever e escrever sobre "a falta de palavras para expressar o que se sente". E a dupla Zé Lucas de nada e Trindade provaram que uma menina de 12 anos pode não só amar, como se ver dividida entre duas paixões. Como é delicioso começar cedo a perceber e vivenciar as melhores coisas da Vida.



Para narrar o poder do Céu sobre a Terra, não dava mesmo para ser através de uma Constelação melhor, afinal, melhor que essa certamente não há. Eles me emocionarem já é lugar comum, embora jamais será algo banal. E sim, eles deixam Humphrey Bogart e Ingrid Bergman perdidinhos no deserto, coitados! ... Que mané "Amor interrompido em Paris" o quê! Coisinha mais xôxa, sem sal nem açucar! História linda de Amor(es), mesmo, é essa, que traz, entre tantas coisas, suavidade e orgulho em dose dupla.

Baruch HaShem Adonay - Bendito seja Deus!

D:/)

Nenhum comentário:

Postar um comentário