"Há no Silencio tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta" (Fernando Pessoa)
"Um dia, logo cedo, eu cedo e dialogo com você. Mas hoje, não! Tarde demais pra isso..."
(Maria Eduarda Novaes)
Há quem viva fugindo da raia.
E há aqueles para quem a raia é uma fuga...
Amanda mergulha em
Amanda ouve o que houve,
O que a fecunda, e
O que a fará ruir...
A vida começou submersa
E foi obrigada a emergir
E a emergência é justamente
Não ter onde se afogar...
Porque se afogar é afagar a Alma!!!
A nudez da mudez:
Aquele silêncio em pelo
Num apelo que berra
Um calado alagado
Que conserta tudo o
Que no seco se erra
Amanda está amando
Amanda está mudando
Amanda está mandando
No próprio silêncio
Amanda comanda
Amanda comanda
Até a direção dos
Nossos silêncios...
Amanda na borda
Sangra e vasa
Mas a água dilui
Amanda na raia
É uma angra
(Do Inglês "cove"):
Cova rasa ou profunda
Onde sempre se inunda e flui
Amanda mergulha em
Amores e dores
Mergulha pra renascer e
Mergulha pra renascer e
Entender que tudo se ouve
Antes mesmo de se ver
Amanda ouve o que houve,
O que a fecunda, e
O que a fará ruir...
A vida começou submersa
E foi obrigada a emergir
E a emergência é justamente
Não ter onde se afogar...
Porque se afogar é afagar a Alma!!!
Quem nunca afogou as mágoas
Não sabe que as más águas só escoam
Quando as boas águas assumem seu lugar
Não sabe que as más águas só escoam
Quando as boas águas assumem seu lugar
E quando a Alma quer algo
A gente fica com água na boca
E toma uma atitude
Mas quando a Alma quer algo
E não pode, vira aquele alvoroço
E a gente fica com água até o pescoço
No mais claro sinal de incompletude...
Somos 70% água
Nosso cérebro é
A gente fica com água na boca
E toma uma atitude
Mas quando a Alma quer algo
E não pode, vira aquele alvoroço
E a gente fica com água até o pescoço
No mais claro sinal de incompletude...
Somos 70% água
Nosso cérebro é
Constantemente molhado
Como meio de proteções
Como meio de proteções
Contra futuras lesões
E traumas (até do passado)
Ventrículos úmidos ocupam a mente oca
E nos fazem ventríloquos loucos
A falar tudo quase sem abrir a boca
A vida às vezes se agarra na borda
Mas é feita pra se nadar de braçada
A falar tudo quase sem abrir a boca
Somos um sistema linfático, apático e empático
Sob luas e sóis, re-pousando
Sobre lençóis freáticos...
Mas é feita pra se nadar de braçada
Enquanto ela transborda...
Vida é pra suar,
Gozar, chorar e
Ser 'a braçada'
Eliminando a resistência
(E "Emiliando" a resiliência!!!)
Eliminando a resistência
(E "Emiliando" a resiliência!!!)
A Vida NADA
No extremo oposto
Da Ausência!!!
(Ps - quem perder essa obra, vai dar com os burros n´água! Eu tô avisando!!!)
No extremo oposto
Da Ausência!!!
(Ps - quem perder essa obra, vai dar com os burros n´água! Eu tô avisando!!!)
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2019... Eu vivia, enfim, a realização de um sonho: estar no Festival de Cinema de Gramado. Um ano antes, o tema da minha festa de 40 anos, que marcava minha vinda definitiva para Canela, trazia esse grande evento como tema central.
Estar no tapete vermelho, ainda que não como atriz (feito sonhei por tantos anos), era mágico demais. E logo na chegada, já pude ter o prazer de encontrar a atriz Marcélia Cartaxo. Prenúncio de um período incrível? Sim, mas... Estranhamente, os dois filmes que mais queria ver foram justamente os únicos que não vi: RAIA 4 e PACARRETE (este, estrelado pela Marcélia).
Tive de esperar quase 2 anos para, literalmente, "mergulhar feito um cisne" nessas duas obras. Mas a espera valeu a pena.
Em Raia 4, o silencio é protagonista. Em Pacarrete, o silêncio invade (e define) a protagonista quando ela entende que seu mundo é só seu, e desprezado por todos! Silêncios que preenchem ausências, e fazem mais barulho que mil palavras, mil braçadas, ou mil bandas de forró tocando no meio da praça, bem na frente de casa.
Embaixo d´água, ou enquanto vemos ou dançamos um balé, os ouvidos torcem o que ouvem, os olhos distorcem o que veem, e as esperas, sempre angustiantes, perdem a razão de ser!
Viva a Arte!!! E viva os Silêncios que só ela sabe fazer emergir...