quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

~A POETA DA CASA VELHA DO CAMPO~ 
(A hora do Poema) 


Andar a esmo quando tudo 
já não é mais (d)o mesmo... 
 
 
Minha Alma menstruou há algumas Eras. Antes, tudo era imaturo. E na inegociável delicadeza da efemeridade, a Vida Toda decidiu durar só 1 segundo, quando, na ponta do espéculo, aquele Eterno-de-5-minutos acabou pela quarta vez só neste século, na esquina do "de-vez-em quando" (onde tudo é infinito, mas só por enquanto!). 


No tempo do Não-Tempo, eu ia cozendo e coçando, doendo e doando, plantando intimidades no quintal para colher os melhores sentimentos. Era uma rotina carregar os Sonhos nos braços, de fora pra dentro; e nas Poesias perdidas, me divertindo ao me reencontrar. 

No tempo do Não-Tempo, me agarrei a Ele. Joguei tudo pela janela, mas levei os cacos das vidraças, só pra garantir... E agora levo a minha voz, que vós amais por um dia a mais, mas não soubestes compreender. 
 
    

... E nunca mais houve um Hoje 
como aquele Ontem que viveremos! 

         
    
  

Mas agora é a hora do Poema!!! É a hora de desobedeSER... De sentir-se inteira ainda que aos pedaços. De tentar sempre, ainda que de um jeito prosaico. De saber que se o Coração se quebrar em cacos, a Alma renasce em mosaico, a pagar por tudo o que deveria apagar. 

Sou uma Poeta de peito nu, que significa ser, contraditoriamente, revestido de Palavras! Sou aquela que nada fez, pois os caminhos já estavam todos inventados. Aquela que nada desfez, pois os caminhos são todos "encantados". E em tantos deles, minha Sanidade vive de atestado, rodopiando ao bel prazer juvenil. Já em outros, é uma residente mordaz que cospe fogo na falta de mel a lhe dizer desde que você partiu... 

Você demorou tão depressa!!! Enquanto isso, números foram redefinidos quando eu contava os meus infinitos. E sob um encontro estelar, este lar nunca mais soube ser igual, pois a cidade toda virou uma só gota comparada à minha sede louca de Amor-pra-Dar (e receber em dobro no final). 
                                     
 

Meu corpo era um espaço vazio!!! Até que você deu o seu toque, e ele voltou a ser meu... E o traumatismo sinestésico, oriundo do choque entre os nossos vazios, me fez sentir o cheiro do café e até provar do bolo que jamais assaria só de ler o seu simples bilhete póstumo de “tenha um bom dia!”. Foi quando comecei a sonhar com você do despertar até o dormir... 

Você é a viagem saudosista que eu fiz, e da qual nunca retornei. Você me fez caminhar até o Inverno enquanto o Destino arregaçava as mangas pondo as marras de fora a rugir, para enfim eu ouvir os ecos da minha Alma a me perguntar que alegria eu alegaria ao entender que fazer poesia é saber onde se deita, mas jamais onde se vai levantar!?... 

Porque Poeta é uma leve âncora dotada de um pesado par de asas! Vai perto e vai longe, vai fundo em pedras rasas, e vai onde não quiser mais (re)parar... Poeta é capaz de em nuvens se enraizAR. 

                             
...E o Horizonte que deixei pra trás está radiante em meu espelho!!! 

Aqui é um mundo sem nada, numa Eu sem ninguém. 
É onde tudo que tenho é este Poema! 
É onde nunca espero nada além do próximo Poema! 
Pois quando tudo o mais morrer, ficará o Poema... 


(Agradecimento especial à minha Sis Lafets pelas fotos e também por versos todos seus!)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

~A Solidão de um Escritor~ 
(...eternamente Antes, e pra sempre Depois...) 

(foto de bastidor: Arielle Marie) 

Há tempos, eu disse que quando não escrevia, estava morta. E sabia que um dia eu morreria, mas que nem assim pararia de escrever. Eu só não imaginava que seria como é hoje... 


No princípio, eram apenas caracteres invisíveis a olho nu! Átomos diluídos em água de chuva, de rio, de mar, e de olhos... Sim, caíam pelo corpo, afogavam o corpo, e vazavam pelos olhos, mas nem assim se faziam ver... Por tanto tempo, escrevi com Letras invisíveis mesmo. Mas, um dia, em rara solidão, senti seus movimentos sem sentido, ouvi seus vultos sem ruídos, e consegui capturá-las. Misturei tudo como queria. Passei a dar-lhes sombras, borrões, reflexos. Esse era meu domínio sobre o Mundo!!! E nesse isolamento - onde me rendia e mergulhava sem buscar entender - brincava de explorar as combinações possíveis, desafiar as impossíveis, e contá-las, uma a uma. E foi assim, contando as Letras no calado escuro da introversão, que comecei a contar Histórias. 
(fotos: Candice Tomé) 

Comecei mentindo! Não aguentava mais ter, fazer, viver apenas o que fazia sentido. Eu queria inventar as Verdades. E quanto mais Verdades inventava, mais elas revelavam tudo sobre mim... Já disse que fui o que jamais fui, que fiz o que jamais fiz, mas também já previ o Futuro, e isso porque mudei o Presente. 

Mas o domínio de Mundo é uma luta constante, pois, de súbito, os caracteres voltam a ser invisíveis, inapreensíveis, e tantas vezes invioláveis. Precisamos gerar, mas não há o zigoto. Precisamos plantar e regar o broto, mas é o bruto que impera. Parimos até o que nem se espera: palavras ruins, mal criadas e quase inadmissíveis, mesmo para a mais diabólica quimera. 


É quando respirar fundo é um risco, que pode nos levar ao fundo do poço. É quando beber pra esquecer pode reativar, dependendo da paixão a qual se rende. Bebe-se "um chá para curar as dores que não se pode curar de outro jeito" (como disse Amanda Prado, descendente de Adélia Prado), ou bebe-se um vinho pra potencializar as dores das quais mais se tira proveito.


Já tive tantos espaços, até ocupar um só, e nele não saber existir, ou melhor, "como" existir! Eu tinha uma liberdade que não sabia usar, até porque Liberdade nem era o que eu buscava. Eu queria algo muito além disso, algo ainda sem nome... 

Tinha sonhos tranquilo, suaves, que explicavam tão bem sobre tudo e todos, menos sobre mim! Eu vivia um confinamento submisso, pois A Solidão de um Escritor representava também a minha, mas seu retorno só trazia explicações de si mesmo.

(fotos: Candice Tomé) 

Até que hoje, voltei a ter meu próprio exílio, e minhas próprias explicações, mas sem deixar de exercer essa nova função... E se nunca contei só uma história, há um tempo não consigo contar uma história SÓ. Eu e Meu Escritor agora criamos juntos. Não tenho mais medo de seus abandonos, e anseio por seus retornos para dizer-lhe algo, seja antes, durante ou depois.


(fotos: Candice Tomé) 

Meu Escritor já não se exila de mim, e sim em mim. Minhas teclas são seu real esconderijo. Não sou mais um canal de desabafo: sou amiga, conselheira, companheira para todas as horas. Eu e meu Escritor nos cruzamos entre minha partida e sua chegada. Depois, me tornei uma marca em sua pele; até ser resgatada e poder voltar a ser novamente Eu: com vozes e segredos, com gritos e desejos. E, mais do que nunca, definitivamente, me faço entender pelo contato. Meu Escritor me tocou, me sentiu, e hoje sentimos um ao outro.



Minha Solidão sempre me foi a melhor companhia, sempre foi a hora e o lugar de me enfrentar. E foi nela, quando o Nada era Tudo o que eu tinha, que conheci a Plenitude. E finalmente entendi que a Vida é nada menos que uma Poesia Concreta, gigantesca, que não cessará jamais... 
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~Ficha Técnica~ 

Modelos: 
Clarice Olivetti / Duda Novaes 

Fotos: 
Candice Tomé 

Maquiagem e Produção: 
Arielle Marie 

Locação: 
Paraíso de Weltz 

~Agradecimentos~ 

Maria Estela Lafetá e Wellington Sesana 
Cristina Canedo, Danniel Lafetá e Thiago 
Dora e Gui 
Aline Welp e Kauem 
Iza Bela e Maria Clara Leite 
Rosi e Yuri 
Valéria de Carvalho Moutinho 
Manuela Viegas 
Kátia Lima 
Nair Emi Iwakiri 
Marcília Camargos 
Laura Cereza 
Amanda Prado 
Ana Lúcia Guimarães Muniz

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

 ~PANDEMIA POÉTICA~


Este ano, pulamos carnaval
E já é quase natal...

No próximo, vamos pular O carnaval
Fantasiados de "novo normal"
Nessa problemática mundial!

Pandemia externa,
Pandemônio interno...

Quem dera vivêssemos
Apenas uma Pandemia Poética!

Tossir sonetos
Espirrar rimas
Ter versos febris
E mascarados somente
Por sorrisos curativos

Álcool em gel
Pra embriagar a pele
E fazer transpirar
Um amor limpo e puro

Perder o olfato só
Para os cheiros
Que não são os seus

Perder o paladar só
Para os beijos amargos
Que você não recebeu!

Que a falta de ar
Seja só ao te ver passar
(E fingir que nem olhei...)

Que a garganta só doa
Pelos 2020 “Eu Te Amo!!!”
Que pra te alcançar, gritei

Isolamento só daquele tempo
Onde a gente ignorava
A nossa essência a dois

E que a vacina nos imunize
Desse maldito 
“deixa pra depois...”


maria eduarda novaes

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

POEMAR-SE...


É não ter prefixo de Lugar
É inventar um sufixo de Tempo
E um advérbio de Número
Pra ter histórias a contar...

É ter a linguística solta,
E saber xingar com
Classe de palavras
Em alta e boa fonética
Em todos os dias da semântica

É um Eu Sou porque Tu És
É um Vós Sois onde Nós Vamos
É um Ele É se Elas Estão
É um Eles São quando Ela Fica

É uma conjunção de fatores
É ter de abstrair um 
Substantivo concreto
É se preposicionar
Nos bastidores de um
Verbo transitivo direito

É gerar um gerúndio
No particípio de
Qualquer canto
Que vai durar 
Um infinitivo...

É comer na mesóclise
É ter problema de próclise
É viver ênclise de identidade
É metáfora daqui, agora!
E não se metonímia mais
Na vida alheia!!!

É ir do indicativo apocalíptico
Ao subjuntivo apoteótico
De forma analítica
No modo sintético
Num jeito caótico

...E ainda assim,
Viver no imperativo do
“Sintaxe bem!!!”
Onde ninguém lhe
Exegese nada em troca!!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

...DES...A...CE...LE...RA...

Pra que correr, se o que nos tira do lugar não é a pressa, e sim o passo que se dá no chão?!

E basta um, que já não estamos mais onde estávamos, e também já não somos mais quem costumávamos ser...

Um passo adiante parece pouco, mas se um passo muda, tudo vai mudar: ângulos de visão, reflexos de sombras, correntes de ar... E por um segundo que seja, tudo vai silenciar!

Há quem esteja parado, em compasso de espera. E há quem esteja acelerado, em “compasso de estressa”, que marca o passo até chegar ao marca-passo... Calma, irmão! Porque um passo com pressa faz a vida compressa, beirando a estagnação.

Pra que a pressa, se o que nos faz acordar de manhã não é alarme, mas sim o fato de ainda estarmos vivos? Então, se desarme! Sempre haverá em nós muito mais o “vivido” do que o “a viver”, porque o que ainda vai chegar, sabe Deus se enfim virá; enquanto o que já foi, sempre haverá de nos pertencer.

Desacelera! Não faça alarde... Admire a paisagem não como quem está só de passagem, mas como quem vê um Picasso num museu. Pegue o Tempo no laço e o faça te esperar, mostrando que ele é todo seu!!!

Pra que a pressa? A quem ela interessa??? Com apenas um passo, ultrapasso o velho espaço, mas o tempo não regressa... E ao invés de sair no braço com o palhaço, o que eu faço? Sorrio mais, vivendo uma vida às avessas.

Eu vejo no horizonte uma linha impressa; e na vida pregressa, um outro traço. Então, pra que a pressa em dar o passo???

Hoje, eu caço no cansaço (e nele, fico possessa!!!) Mas minha Alma sempre confessa ser esse o seu erro crasso...

domingo, 20 de setembro de 2020

~Uma "QUERÊNCIA-do-Ser"~
(C.T.G - Coração Totalmente Gaúcho)


Poeta: Filha do Cosmos, Cidadã dos Mundos, Viajante das Transcendências... Poeta só faz Pátria um rincão se assim for de sua "Querência"! 


Navegante de Rio, que sonha saber onde vai chegar; foi quando enfim navegou no Rio Grande, que Poeta conheceu o próprio Mar... 

Torrão, Pago, Nação: se deste Rio não conhece a Nascente, Poeta aprendeu a ser seu Vivente fazendo Verdade uma Ilusão! De um canto sempre alegre, mas que hoje bem sabe onde pertence, canta então um Canto Alegretense, mesmo em inverno rigoroso, num canto aquecido por um povo amoroso, que quando peleia, vence!


Poeta de Sino, de Serra e Banhadal, de Missões, de Guaíba e Litoral. Poeta de Virtude e Tradição, que é a tradução até do que não se vê... 

Poeta de Galocha ou Bota no pé, que bota fé na bagualada, e atravessa as invernadas até onde lhe couber. Poeta que vai, sem eira nem beira, sem pedágio nem fronteira, seguindo o bom presságio da Mãe de Caravaggio em seu caminho de devoção. 

Poeta de Farrapos, de Parar Rodeio, de Alma na capa da gaita, que brota no fundo da grota um baita Rio de Emoção. 


Poeta que se aprochega e não fresqueia, mas às vezes loqueia. Poeta de Garfo e Bombacha, em Terra de Chima & Chimia, de Churras & Cacetinho, de Bergamota & Negrinho, de Piá de Pilcha com Cueca Virada e bolsos cheios de Butiá, de égua-madrinha a galopar ao sol pra lagartear, de Cusco comendo feijão mexido em rancho de chão batido e empoeirado, achando tudo Tri massa (que fica melhor com guizado).
 

Sou Poeta-Prenda faceira. Poeta-Guria de Campanha. Que sirva de modelo essa façanha a todas as minhas Eras... Pois a cada Vida que vier, se aqui eu não nascer, para cá hei de volver em mais uma Consumada Quimera!

sábado, 12 de setembro de 2020

~CORAGEM REGRESSIVA~



Mães contam o Tempo ao contrário, esperando pra nos embrulhar num pano; e nos contam que é preciso Coragem pra nascer - e pra fazer nascer o infante (mesmo que poucos de nós se lembre disso, ainda que por um pequeno instante). 

Segundos correm no Anti-horário atrás de alcançar aquele Virar-de-Ano; e nos contam que é preciso Coragem pra seguir adiante (e sabem que poucos cumprem isso, seja perto ou distante). 

É uma sensação relapsa de que tudo regride, um fuso confuso que em si colide e colapsa a mente, afinal, é bem estranho contar pra trás olhando pra frente... 

Mas se o Tempo quer regressar, então, que seja pra evoluir, e re-acessar a velha Coragem do Nascer e do Seguir. Arrume a bagagem, escancare a portinhola; e não esqueça daquela camisola que a gente veste pra Sonhar - aquela com textura de Ousadia, feita com aquele mesmo pano que aquele dia a mãe te embrulhou; e que já era um pedaço do pano que ela vestia naquela Virada-de-Ano em que te chamou, e te tirou do breu. "Simpatia forte. Era pra dar sorte!", ela dizia! E deu...

Se o Tempo quer regressar, então aproveita a viagem, e principalmente a Paisagem; esqueça o furacão! Porque Coragem é a solução encontrada por quem tem medo de voar nas alturas e também de se ancorar no chão. Coragem é essa ave que ao vento tudo atura, essa ventura de verdade, que, em voo solo, quem fica no solo chama de Solidão, mas quem está na grade sabe que se chama Liberdade. 

Se o Tempo quer regressar, então recorde a puberdade e toda a sua rebeldia permissiva. Porque toda Coragem sabe que a cor dos que agem com ela é gritante ante a cova que tanto ardia de tanta covardia antes enterrada ali. Coragem sabe que por tantos é vista como agressiva, pois só é julgada por si... Se me julgas pela que lhe falta, me vês como uma peralta louca; mas se me julgas pela que lhe sobra, me vês como uma obra feito poucas. 

Se o Tempo quer regressar, então peça Perdão. Porque Coragem é "coratium" em Latim, que é "pôr o coração em ação", numa missão sem fim. Resgate, então, aquela Coragem remissiva, aquela missão que se renova - uma re-missão que vai e volta, sempre de forma expressiva. Porque Coragem é uma contagem às vezes subversiva, de curta ou longa metragem, escrita em letras garrafais ou cursiva; que quando é Passado, é um "olhar pra trás", uma barragem passiva; mas quando é Futuro, é um “olhar que traz”, uma miragem ativa até no escuro!

Massiva, extensiva, ofensiva, alusiva, inconclusiva ou na defensiva... Coragem até pode ser regressiva, mas jamais será excessiva!!!

domingo, 30 de agosto de 2020

Textamento” de um Amor que nem nasceu

Meu Coração, por hora triste, está inquieto... Quer te ver, quer te ouvir, quer nos definir!!!

 

Meu Coração odeia História, mais ainda Geografia, que o fazem bem entender quem é, o quanto tem e onde está, deixando-o certo de que devia mesmo ir pra qualquer outro lugar, ser um outro alguém, viver outros “poréns”... Porém, ahhhh, porém ele é um Coração diferente, que abriga um Amor indigente, um caso delinquente; que nem nasceu, nem viveu, mas morreu mendigando Presentes (sem Passados ou Futuros); que surgiu tão forte, que findou tão imaturo...

 

Meu Coração já entendeu que brilhantismo só tem valor em pedras, e não em Almas e Mentes – um recurso tolo, doente; por isso, partiu duas vezes mais (rachou guerreiro, fugiu em paz). Meu Coração fechou um ciclo que não se abriu jamais!!!

 

Meu Coração ousou arriscar sem se iludir, sonhar e acordar sem sequer ter ido dormir; mas já enxergou toda a sua enorme besteira, e agora há um pensamento que não o deixa, Um medo que o gela, uma timidez que muda sua cor... Meu coração só tem vontade de sumir à vontade, vontade que quer ser pega no ardor!!!

 

Meu coração abriga um sentimento que tanto, tanto me contradiz: só cresço voltando no Tempo... Não sei o que foi que eu fiz!!!

 

(Não sei o que eu fiz, só sei que escrevi!!!)


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

~RÉQUIEM PARA UMA CARÊNCIA~
#QUEBREOMURO

...E meu interno e externo enfim se fundiram, e não mais se confundiram como duas metades distintas! Eles não mais tentaram separar o que nunca se uniu, nem reparar (n)o que nunca partiu!

 

A Hora Certa sentou no meu colo! E assim, quebrei todos os muros (especialmente os das lamentações), dei a Volta ao Mundo por um atalho, abri cadeados aos murros, e parei de ser o "quebra-galho", artesã de tantas reivindicações. 

 

...E meu interno e externo enfim se mesclaram, e não mais extrapolaram como duas metades rivais! Eles não mais brigaram feito dois medievais!

 

A Hora Certa deitou no meu colo, com suas Liberdades nuas e cruas! E assim, desejei "que tu ruas na encruzilhada daquelas ruas onde me abandonaste naquela tempestade"; mas folgo em dizer que foi bem naquela hora (quando esqueci de chorar) que entendi que toda lágrima lavou meus pontos de vista, e que todo suor passou meu corpo em revista limpando os toques que nunca quis receber (mas teimava em reter). 

 

...E meu interno e externo enfim se esvaziaram de seus pesos, e agora saem ilesos de onde tudo ruiu!

 

A Hora Certa me viu voar junto aos astros indefesos, cosendo o Infinito de forma digna, quebrando paradigmas reais e metafóricos. Sim, enfim eu não mais me julgo, só me conjugo no particípio passado-a-limpo, e no mais-que-perfeito do Imperativo Categórico.

 

A Hora Certa me obrigou, e eu confessei! Sim, um dia eu escrevi o Manual do Abismo. Escrevi, editei, publiquei, e patenteei. Mas no dia em que o Tudo em um se fundiu, rasguei toda essa M... e mandei longe, lá pra P... que ParTiu!


quinta-feira, 30 de julho de 2020

~PRESENTE de grEGO~
(O Tempo e Eu)


Reza a lenda que certo dia, uma menina olhou pela janela e viu outra menina do outro lado da rua a lhe chamar. “EU me nEGO!”, ela disse... Essa menina não gostava da vizinha. Preferia estar sozinha, e quem sabe até se matar, mas com ela jamais iria brincar!!!

ILUSÃO era alguém bem seletiva, e por vezes prepotente. Tanto que um dia resolveu que iria brincar justo com o TEMPO, a criança mais difícil do bairro. Ele era muito disputado. Servia a tantos, e ininterruptamente. Era impossível que ele parasse, muito menos para estar só com ela; mas ILUSÃO era a mestra das prerrogativas bem planejadas! Fabricava o cenário que quisesse para suas vontades repentinas... Ela comprou confete e serpentina, e mandou o convite, com a tratativa detalhada: “TEMPO deveria se apressar em suas tarefas para estar exclusivamente com ela ao fim daquele dia, e que deveria trazer-lhe de PRESENTE dessa empreitada uma sublime EXPECTATIVA CRIADA!”

O menino mais difícil e disputado do bairro não entendeu o que significava “se apressar”, nem muito menos o que seria uma “expectativa criada”. Foi a maior confusão!!! TEMPO só entendeu o “Presente”, e, infelizmente, não sabia sequer onde pedir uma explicação... Não viu saída senão dar a partida rumo à remetente, pra saber exatamente o que ela tanto queria!

Chegando lá, percebeu que embora Presente, TEMPO, para a ILUSÃO, nasceu um próspero Futuro e morreu um infeliz Passado. Ficou ali diuturno, parado; mas, sem ser visto, partiu desamparado... E partiu sem sequer saber que mesmo antes de ele aparecer, aquela sua parte que, ainda que ele passe, continua: a VERDADE Nua e Crua; chegou trazendo o puro tratado, a real narrativa a ser contada...

Já estava muito escuro, sua presente Expectativa era derrocada. Se extenua de tanto esperar, a precavida recalcada... Não lhe restou outra opção: ILUSÃO atravessou a rua três e foi morar de vez na casa da DECEPÇÃO.

~Resumo Poético da Ópera~

ILUSÃO

Chamou o Tempo pra brincar?!
Eis a hora de saber o que bem fez...
Tempo não sabe se apressar,
Então manda em seu lugar
A Verdade nua e crua, 
Que não vai lhe 
Deixar outra opção:
Você vai atravessar a rua 3
E se mudar de vez 
Pra casa da Decepção!!!

sábado, 20 de junho de 2020

"Não faça carinho na Dor!"

Mordomia... Nossa modorra, meu gato e esta pandemia. Não dá mais pra brincar lá fora, na gangorra, então, vamos curtir o "#lacrou" na masmorra desta Gomorra que a gente mesmo criou. 

Altivez... Tua alta curada e meu estado de coma. Eis a bola da vez! Não dá mais pra sair no breu, então, vamos curtir o apogeu da redoma desta Sodoma que a gente mesmo ergueu.

Serventia... Eu, tua serva, te trouxe uma cerva nesta bandeja doentia. Não dá mais pra fugir de Roma, então, vamos listar no vão cada um dos sintomas deste sarcoma que é o nosso tesão. 

Morbidez... Roma é mesmo o contrário de Amor. É a Fé que se Doma, o Café que se Toma, e um Cafuné para cada Hematoma - e eu me sentindo tão autônoma, jurando fabricar hibridomas antiembriaguez... Não dá mais pra ter solidez, então, a Solidão é o desejo estampado na tez. 

Toquei fogo na tenda do nosso velho Bioma; reescrevi, mesmo à contenda, meu novo axioma, e num idioma que, talvez, só você não entenda!!!  

Uma flor, um tapa... E a cada folha, um mapa, pra saber que, seja como for, só esteja onde querida for! E pra nunca esquecer, lá está escrito o dizer:

"Por favor, jamais faça carinho na DOR!"

***

A gente fica DORMENTE
Pra aprender a não
Acreditar na DOR
Porque ela MENTE

maria eduarda novaes 


quinta-feira, 21 de novembro de 2019

"Mais disto, por favor!"
(O Poder da Gratidão)



COLÉGIO ESTADUAL MIGUEL LAMPERT - CANOAS/RS 07/11/2019

Quando decidi me mudar para o Rio Grande do Sul, nem eu imaginava o tamanho das Emoções que este estado tão vasto e rico me proporcionaria... E desde que me mudei, em setembro de 2018, que o Universo vem me presenteando em abundância, ao me provar e comprovar o poder da GRATIDÃO

"Agradecer" vem de fazer "a graça descer", então, quanto mais agradecemos, mais bênçãos o Universo despeja sobre nós. Já "reclamar" vem de "clamar outra vez", então, também é pedir ao Universo "mais disto, por favor!", só que, desta vez, estamos pedindo mais problemas... Assim, focando no que temos de bom, agradecendo, mais e mais coisas boas nos vêm. Focando no que há de ruim, e reclamando, mais e mais problemas chegam até nós. Uma matemática simples. O Universo não escolhe por nós, só nos dá o que pedimos, sem distinção. Há uma canção linda de Itamar Assumpção e Alice Ruiz (viúva do grande poeta Paulo Leminski), gravada por Zélia Duncan, que diz que "a Vida não está certa nem errada, aguarda apenas nossa decisão!". É isso aí, então, sejamos nós os responsáveis pela encomenda.

Eu decidi, sempre, encomendar POEMAS. É um produto que nunca dá defeito, e serve pra tudo. É remédio quando precisamos de um, é um guarda-chuva quando está uma tempestade ao redor, enfim, é um produto multifuncional. E de tanto encomendar Poemas para a Vida, ela generosamente foi me ensinando a fazê-los... Bem, "fazê-los" não é bem o termo mais certo, e sim, "vê-los". A Poesia está por aí, a gente não a faz, apenas reconhece. Alguns dizem não conseguir ver, então, as pessoas que conseguem, (d)escrevem para que todos possam ver também. Esses tradutores são chamados POETAS, e hoje, mais que nunca, me orgulho um tanto dessa função, pois o retorno não poderia ser mais maravilhoso.

Neste Rio Grande Gigante ("mais uma estrela brilhante na bandeira do Brasil", como diz a sábia canção de Teixeirinha, Querência Amada) há um projeto chamado Autor Presente, que consiste em levar os autores às escolas para contarem aos alunos um pouco mais sobre o que a obra já lhes deu. Mas enquanto a gente acha que vai até lá só pra "contribuir um pouquinho", a gente vê que quem ganha infinitamente mais somos nós mesmos.

Alunos de 1º ao 5º ano do Colégio Estadual Miguel Lampert, de Canoas, me fizeram cair os butiá do bolso ao me pegarem pelo laço com uma produção artístico-teatral, quase cinematográfica; além de uma dose cavalar de AMOR Puro e Simples. Recebi mais de 100 cartinhas, e até mesmo Poemas e Livros escritos por eles. E também recebi presentes, chocolates, lanches, beijos, abraços, afagos no rosto, sorrisos, palavras profundas. Distribui mais autógrafos do que celebridade de Hollywood em dia de Premier. E sei que eles nunca sentiram metade do que eu senti ali...
Logo na chegada, eu não ouvia um som, apenas era conduzida por esta ciclovia lindamente criada, inspirada em uma das obras, "A Moça da Bicicleta". Ali, as memórias mais profundas daquela estrada alaranjada de riscas amarelas começavam a vir à tona, e as lágrimas já pediam licença pra participar da festa. 
A segunda visão foi a dos desenhos e poemas d"O Reino dos Cata-Versos", idealizados pelos 4o e 5o anos. Foi como ver meu Mundo tomar Vida Própria e sair por aí, a passear; virando cartão-postal de si mesmo, chamando pra entrar nele todos que quisessem ir... Inclusive eu. E eu quis, é claro! E ali encontrei um novo Reino: de flores, duendes e fadas; cuja Poesia (lê-se: o idioma local) era a mais doce e leve que já pude conhecer. Ali, as lágrimas já não eram mais gotas, eram um rio caudaloso que me percorreu até os pés, fazendo-me um mar a ver navegar aquelas lindas CANOAS... Ali eu não apenas vi, ouvi ou senti Poemas: eu fui amada por eles!!! Eu cheguei ao máximo de onde um ser humano pode chegar. Eu certamente atingi o Nirvana...
E ainda houve entrevistas bacanas, houve apresentação ao vivo da Moça da Bicicleta "de verdade", na aparição especial da Raquel; houve sessão de fotos (até mesmo com minha mãe e irmã), lanche com a Família-Real do novo Reino, distribuição de autógrafos aos belos súditos; e os escritos mais inacreditáveis da Vida. 
Era, mesmo, de não crer no que meus olhos viam, isso porque eles jamais estiveram frente a belezas tão profundas como ali. Por isso, ele embaçava, se aguava, e algumas vezes parecia nem enxergar de tanta LUZ presente. Foi forte, foi intenso, foi algo que nada nem ninguém me preparou pra viver. A imaginação não antecipou, o olhar não alcançou, mas o Coração captou!!! E o lugar pra onde ele me levou ainda não possui Palavras... Quem sabe, um dia, este Reino resolva catar versos falados também, além dos coloridos e perfumados Silêncios; e, assim, eu, esta humilde tradutora de Poemas, consiga fazer vocês todos verem exatamente o que eu jamais irei me esquecer - porque quem sabe "de cor" sabe Pra Sempre. E quem vê "de cor" não apenas vê colorido, mas também vê infinitamente...

Deixo aqui registrado então algumas imagens, e deixo confessado aqui tantas emoções e sentimentos, mas quero em especial deixar registrada a minha GRATIDÃO, pois eu sei que posso pedir - e assim peço! - "MAIS DISTO, POR FAVOR!". 



   
Deixo também 2 links de textos antigos, que hoje entendo serem prenúncios da minha chegada a este Reino fantástico: 

POETA: Biógrafo dos Sentimentos
http://dudatriz.blogspot.com/2015/03/poeta-biografo-dos-sentimentos-eu-nao.html ; e

Entrevista com o POETA
http://dudatriz.blogspot.com/2015/06/nome-joao-se-este-e-minha-inspiracao.html 

segunda-feira, 29 de julho de 2019

~A Golondrina~
(Tânia Bondezan & Luciano Andrey)

Dizem que uma andorinha só não faz verão... Será!? 

Numa sexta-feira de inverno paulistano, uma andorinha mudou minha estação em segundos! Primeiro, embarquei na estação Saudade e saltei na Reencontro; e então, um frio ventoso se transformou num “VERÃO que o Amor vence o Ódio!", num espetáculo contundente.

A Golondrina levou minha mãe e eu ao teatro do MASP pra rever os amigos Tânia Bondezan e Odilon Wagner (a tradutora e atriz, e o produtor da peça). Se não bastasse isso, ainda fomos premiadas com texto, direção e atuações viscerais memoráveis.

O cerne da peça é a Dor, e como cada um lida com ela. Duas personagens de uma mesma tragédia em princípio disputam suas razões pra estarem um sofrendo mais que o outro, até que ao longo de um texto magistralmente costurado, entendem que uma Dor, independentemente de seu tamanho, se cura enxergando e dando as mãos à outra. E a linha condutora é uma canção que fala da Esperança ao narrar uma andorinha que volta ao lar...

Ramon chega ao lar de Amélia, uma professora de canto que perdeu seu filho durante um atentado terrorista. Ele precisa de seus dotes pra ajudá-lo a cantar "A Golondrina" na cerimonia de homenagem à mãe falecida há pouco tempo. Amélia cantava esta mesma canção para o filho, e faz-se aí um elo que vai ensiná-los o poder do Amor, da aceitação das diferenças, e sobretudo do Perdão pra se alcançar verdadeiramente a cura. 

Baseado em atentados homofóbicos recentes, a morte do personagem Dani expõe preconceitos, pontos de vista radicais, escolhas, culpas, julgamentos, e muitas razões pra sentir desesperança na Humanidade. Mas o voo da andorinha que só quer voltar ao lar enquanto traça no céu desenhos de plumas sabendo que há, sim, sempre uma canção no horizonte, leva Amélia e Ramon a unirem forças pra derrotar aqueles que tentaram matar suas almas ao matarem Dani e tantos outros mais. 

Empatia: eis o antídoto universal pra todo mal!

O desejo e a esperança de voltar pra casa após um duro voo é a base que sustenta e une todos nós, seres humanos, independentemente de crença, raça, ou opção sexual. Todos nós sobrevoamos tragédias - pessoais e coletivas - em meio a céus tempestuosos; buscando sempre um Porto Seguro onde pousar! Mas a grande mensagem é que nem sempre a dor mata, nem sempre a tempestade molha, nem sempre as nuvens cinzas são sinais do Fim, pois, a depender de com quem se voa, essa canção no horizonte sempre ecoa a nos encorajar e guiar.

A Golondrina não me proporcionou apenas um voo, ela me fez estar num Céu tão incrivelmente importante, que (quase) desejei jamais pousar...

Tânia, Odilon e Luciano, gratidão infinita por tamanha lição. 
Eu parti de novo, mas em breve esta andorinha aqui volta pra beijar vocês!!!


anDORinha

Era uma peça sobre a Dor...
A dor do parir
A dor do excluir
A dor do partir!

Era um museu de Artes...
Da arte de atuar,
Da arte de amar,
Da arte de se reencontrar!

Era o voo de uma andorinha
A mostrar à simples passarinha
Que sempre vale a pena
Esperar!!!





sexta-feira, 18 de maio de 2018

~ÉBANO AZUL~

O dia sempre raiava, e a raiva da Escuridão se esvaía... Abria a janela azul e ao longe, tudo via: céu azul, montes verdes, pássaros, bichos e um imenso rio a correr... A Escuridão voltava, ainda que um pouco mais tarde, mas minha janela dormia aberta. Eu nunca temi a Escuridão! 

O dia sempre raiava, e a raiva da Escuridão se esvaía... Abria a janela branca, com leve camada de poeira, e ao longe, tudo via: o céu com algumas nuvens, montes quase sem folhas, pássaros pousados em galhos meio secos, e o médio rio com natureza morta a nadar em si... A Escuridão voltava, agora um pouco mais cedo, mas minha janela dormia semiaberta. Eu não temia a Escuridão!

O dia sempre raiava, e a raiva da Escuridão já não se esvaía totalmente... Abria meia janela cinza, com lascas de marteladas, e ao longe, quase nada via: o céu era nebuloso, os montes não estavam mais lá, muitos pássaros dormiam, bichos gemiam, e o pequeno rio estava quase parando... A Escuridão voltava em poucas horas, e minha janela se cerrava por dentro. Eu já era refém da Escuridão!

O dia sempre raiava, e a raiva da Escuridão já dava gargalhadas... Abria o ferrolho da janela negra, mas não a empurrava, pois ao longe, mais nada via: o céu sumiu, os montes sumiram, os pássaros sumiram, e o rio congelou... A Escuridão reinava, e minha janela, já cerrada por dentro, agora era cerrada por fora, e aos poucos serrada por inteiro. Eu já era cúmplice da Escuridão!

O dia sempre raiava, e a raiva da Escuridão voltou a atormentar... Coloquei uma cortina azul na janela, agora remendada; pintei-a de branco novamente, aquarelei um sol e uns montes verdes, e comecei a desparafusar as trancas. Perto, bem de perto, já via pássaros, bichos e o rio voltando a correr... A Escuridão saiu da cama e entrou em coma. Eu me divorciei da Escuridão!

O dia sempre raiava, e a raiva da Escuridão a fez sucumbir... Clareei o azul da cortina, arranquei as travas, abri as duas abas, e ela voltou a ser Azul totalmente; e ao longe, tudo, e muito mais, via: arco-íris, incontáveis flores, frutos, cachoeiras, coelhos, ovelhas, gatos e cães... A Escuridão fugiu pela minha janela nova, e caiu na cova... Eu sepultei a Escuridão!!! 

Maria Eduarda Novaes