quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

~ VISTA-SE DE SI~
(cotar, contar, cortar... Costurar!!!)
~
Se o cinza te visita
Em todos os endereços,
E a tristeza se senta
No lugar do peito,
Não recue.

Há ruas que curam
Pelo simples ato
De caminhar...

Vista-se de si,
Do que ainda brilha!
Mesmo cansado,
Abotoe a coragem,
Alinhe o olhar,
Deixe que o mundo
Te veja passar!

Há passos que são prece,
Gestos que inventam alegria,
Corpos que dançam
Antes mesmo de acreditar.

Elegância, às vezes,
É só não se esconder.

Quando você anda
Como quem confia,
A cidade abre espaço.
As luzes reconhecem
Seu nome; e o peso do dia
Aprende a ficar atrás.

Em frente... Enfrente!

Luxo é presença,
É escolha,
E a melhor
Rota de Fuga.

Caminhe.
Erga o queixo.
Coloque o Existir
De volta ao eixo
E faça do Viver um
Espetáculo Espalhafatoso,
E escandaloso mesmo
No modo silencioso.

Mesmo triste, ande bonito.
Mesmo ferido, ande inteiro.
Na frente do espelho,
Teremos sempre
5min de
VIDA ETERNA...
~

Quando a tristeza chega sem aviso e você não sabe muito bem para onde ir, a música sussurra uma saída simples e quase insolente: vá para onde a beleza se senta. Vista-se com cuidado, não apenas de roupas, mas de presença. Há um gesto silencioso de resistência em escolher elegância quando o mundo pesa.

Olhe para as ruas da cidade e perceba que há vida pulsando ali — gente que caminha com passos firmes, ternos bem cortados, vestidos que acompanham o corpo como se soubessem exatamente quem o habita. Não é sobre riqueza literal, mas sobre a decisão íntima de não se apagar. É sobre desfilar a própria dignidade mesmo quando o coração está cansado, sobretudo de ‘se explicar’.

Saia de saia. De dia ou à noite, circule entre todas as formas de Luzes e olhares, ocupe espaços onde o charme não pede permissão. Onde cada passo é quase uma dança e cada gesto afirma: eu estou aqui, eu existo, eu mereço ser visto. Há algo de teatral nisso, sim — mas também profundamente humano. Às vezes, é preciso encenar a alegria para que ela volte a nos reconhecer.

No fundo, quando você se move como quem confia, o mundo começa a responder. A tristeza não desaparece de imediato, mas perde o centro do palco. E ali, entre passos seguros e brilho nos olhos, você lembra que há força em se apresentar ao mundo com graça — mesmo em dias cinzas.

Vestir-se de si vai muito além do figurino. Vestir o melhor que se tem é sobre lembrar quem se é, colocar-se de pé e caminhar como quem sabe que, apesar de tudo, ainda há beleza possível.

Vá no fluxo do luxo, e cresça com corpo, nome e chão.

~

Devo muito do que aprendi sobre mim, sobre a minha imagem e meu estilo às minhas borbolindas, primas-irmãs, consultoras de estilo das mais competentes, Débora Lafetá e Marina, da Dicionário de Estilo Não percam essa oportunidade MÁGICA de se reencontrar. Elas têm o mapa pra sua melhor versão, que se perdeu por aí. Clica no link em azul e viaje em si com as melhores guias.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

~Matemantra~
(quando o Universo parou por um instante para a sua IDENTIDADE EU LER...)
*
*

e é o verbo do Tempo:
Exponencial do Mundo
Operador do Devir...
Um verbo elevado ao Delírio
Da negação circular que conjuga
O Infinito no presente contínuo

π é a vírgula curva
Que a língua do mundo usa
Para nunca terminar a frase...
É a persistência no Contorno
Do caminho que sempre retorna a si

i é o advérbio do Impossível:
Que não é o real, mas,
Mesmo assim, faz sentido...
É o que não existe, mas,
Autoriza a Permanência

1, o sujeito mínimo:
Unidade que insiste em Ser!
(Casa de quem habita essa equação)

0 é o ponto perfeito:
A origem e o destino final
(Que acolhe quem atravessa a Imensidão)

Quando o Impreciso encontra o Exato
O Mistério não morre, apenas se completa! 
(É a grande meta, um ato de aceitação)

***


Dia desses, numa reportagem, tomei conhecimento da Identidade de Euler. Algo praticamente inacessível intelectualmente pra mim, claro; mas, poeticamente, nada me passa batido – ainda mais quando eu li ser essa a equação “mais linda, elegante e admirada” da matemática.

Matemática sempre misturou números com letras. E as palavras ‘gramática’ e ‘matemática’ terminam da mesma forma. São almas gêmeas, indubitavelmente. E quando Exata e Humana procriam, nasce a Energética-Poética-Universal.

Tempos atrás, conheci a sequência de Fibonacci, uma espiral que descreve matematicamente a Natureza em sua biologia e arte; e achei nela uma fórmula para fazer poemas usando em cada verso a quantidade de letras correspondentes ao número sequencial. Criei tanta coisa só com essa “regra”, e jazia na dúvida se os chamava de Fiboemas ou Poemaccis (e só pensando “quem me dera se toda a minha dúvida matemática fosse essa”).

Agora, quando vi a fórmula e^(iπ) + 1 = 0, eu já sabia que não entenderia nada dela, mas quis encontrar a tal beleza tão admirada, então, fui procurar estudá-la... Dizem que a beleza dela reside no fato de ser a conexão entre as cinco constantes mais importantes da matemática (e, π, i, 0 e 1). É como se elas se encontrassem numa reunião de amigas íntimas que conversam sobre suas variáveis – algo que, fora dali, é um Segredo Universal. 

E como não há segredo que a Poesia não desvende... Eis a literal tradução!

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

~SOBRE.VALÊNCIA~
(sou o que há de mais Sagrado em mim)

Sobrevaler-se é sobre reconhecer o próprio valor, o próprio poder, o próprio amor. É ser valente o suficiente pra se expor...É abrir os olhos sem temer, mesmo com o corpo a tremer; pois a Vida é uma sequência de decisões embasadas em olhos embaçados, que por vezes só enxergam incertezas e (des)ilusões.

A gente casa com o Caos, adota Fantasmas como filhos, cria Monstros como animais de estimação, pratica “autorturas” como exercícios semanais, e escreve trilogias sobre a própria Loucura. É difícil estar sereno, ainda mais sob o sereno do erro, sob o suor do medo, e sob as lágrimas da exaustão.

EXISTIR é desafiador. É um processo sem fim onde o que mais se encara são os fins numa pureza tragada pelos Deuses do Enfim. Mas os fins justificam os novos meios de se continuar a Viver... Porque VIVER é libertador!!!


A crueldade é uma coisa crua ardendo em brasa, que às vezes o obrigam a engolir. E poder adormecido é poder apodrecido – pelo que poderia ter sido e não foi. Mas quando o curador é ferido, descobre que o remédio para a dor está na própria dor. Tudo é preciso sentir!

Já amei alguns porque fui boba, e se ainda os amo é porque sou boa... Já suportei o insuportável, e já dei – de coração! – antes que me arrancassem. Sim, me enrijeci, mas ainda assim me enriqueci de amor para distribuir aos que não o sabem. Meu corpo já foi pregado em cruzes, meu coração já foi expulso de muito lugar, mas, numa compensação divinizada, minh´Alma jamais fora despejada de seu verdadeiro Lar.

Hoje, sou mais capaz de aguentar a impermanência e me adaptar à transitoriedade, pois descobri que há doçura na dureza, leveza na amargura, e um colo na escuridão. A magia que mais nos ensina é a da Contradição.


Minhas causas já compraram as consequências alheias, e pagaram muito caro por tal. Vivia com os braços agarrados no Possível, mas com os dois pés plantados no Ideal. E no silêncio entre os acontecimentos (e na histeria que me domina entre um silêncio e outro), não sou mais arrastada por um guincho, e sim, içada por um guindaste. Parto do total desgaste em busca da sutura milagrosa... 

Valentia, mais valia, sorte! As pessoas, os lugares, o propósito, e a morte! Fica, aqui, o grande conselho: não venha se enfiar no meu destino, pois ele viraria seu desatino. Você não iria suportar. São poucos ouvidos pras tantas verdades que se tem de ouvir e, sobretudo, aprender a lidar.

Hoje, eu rezo meus sonhos e superprotejo o meu sonhar. Turbino a velocidade em minhas travessias, e sempre reaprendo a voar. Porque o Caminho não é mais importante que o próprio caminhar. E tantas vezes, para purificar é necessário puramente sair!


Minh´alma é um Cosmo colossal, onde as estrelas que enxergo em mim conversam com as que deposito em você. Meu sagrado é uma chuva de meteoros que quero te convidar pra vir ver (e viver) comigo. É uma viagem em todos os sentidos. Um passeio interdimensional onde a solitude da poeira que um dia fomos encontra a magnitude da centelha que sempre seremos.

Meu sagrado são raízes cheias de razões, e soluços que trazem soluções. Meu sagrado me faz igual aos "diferentões". Minha religião é meu Coração (que mesmo corroído, nunca foi corrompido, e minha Poesia é minha oração. Meu sagrado nunca foi segredo: é tudo aquilo que dou (e recebo) de muito bom grado, mesmo que não seja do seu agrado. Meu sagrado é fato consumado!

~Meu sagrado sou EU!~

Porque sou filha de Alex e de Virginia, e também de Jesus e de Marias.
Porque sou filha de Iansã, de Iemanjá, de Xangô, de Ogum, e todos os orixás. 
Sou ainda filha de Dagda, de Danu, de Epona e de Maeve. 
Sou de Gaia, de Afrodite, de Atena, de Hécate. 
Sou prá la de filha de Vênus, de Marte, de Urano e de Saturno. 
Sou filha do Xamã, do Pajé, das Águias e dos Lobos 
(A bruxa-mãe que voa com as fadas, e a nereira que nada com os botos...) 

A minha Espiritualidade me salvou, e segue a me salvar todos os dias de todas as existências. Porque não conheço a Morte, só as Renascenças. 

Ahow, namastê, gratidão! Porque sempre, e em tudo, Deus é bom!!!


(Fotos: Eliane Castilhos)

terça-feira, 22 de agosto de 2023

~diálogo mudo e desnudo~


🦋Vem!
🕑Não!
🦋Por quê?
🕒Não posso!
🦋Por quê?
🕓Não consigo!
🦋Por quê?
🕓Não estou pronta!
🦋Por quê?
🕔Porque preciso mudar algumas coisas...
🦋Que coisas?
🕕Não sei!
🦋Se soubesse o quê, mudaria?
🕖Com certeza!!!
🦋E se soubesse, o que mudaria?
🕗Quê???
🦋Então, só mudará quando tiver certeza?
🕘Você tá me confundindo!
🦋Você quem já está na confusão! Tô só tentando ajudar, porque toda sabedoria vem da observação e dos questionamentos.
🕙O que acha que eu devo fazer?
🦋Observar e questionar
🕚Observar o quê?
🦋Você começou pela pergunta. Comece pela observação.
🕛Mas eu não sei o que observar, criatura!
🦋Observe a dúvida!!!
🕜Tá ficando ainda mais confuso...
🦋Quem mata a dúvida?
🕝A certeza!
🦋E se não se tem certeza...?
🕞Me resta a fuga!
🦋Ilusão, isso. A dúvida te acompanha onde for. O outro antídoto também começa com F...
🕟Qual? “FODA-se!”???
🦋Haha! Por vezes, ajuda, mas é outra ilusão. Se não tem certeza, e não pode ignorar, use a Fé!
🕠Perdi a minha...
🦋Recupere-a!!!
🕡Não tenho nem pista de onde a perdi, pra começar.
🦋Então, recomeça!
🕢Ah, não começa...
🦋Eu te empresto a minha, então. Vem buscar!!!
🕣Não posso!
🦋Por quê?
🕤Não consigo!
🦋Por quê?
🕥Não estou pronta!
🦋Por quê?
🕦Porque preciso mudar algumas coisas!
🦋Que coisas?
🕧Não sei!
🦋Se soubesse o quê, mudaria?
🕐Com certeza!!!
🦋Só posso te dizer que pra pessoa do EU e pra pessoa do VOCÊ, a conjugação no futuro do pretérito é a mesma: eu mudaria / você mudaria. O futuro de um pretérito é o Presente de não ser mais preterido. Se você não sabe mudar, eu mudo por nós. Vem. Só vem. Estou te esperando. Aqui, a gente altera os ponteiros dos relógios, faz cortinas de fumaça pra se esconder, e ri por no mínimo 3 bocas, quiçá mais, se contarmos as bocas do fogão, já que fogo é o que não vai nos faltar...
🕑 
🕑 
🕑 
🕑Vem!
🦋Oi???
🕒Só vem!
🦋Pra onde?
🕓Pra cá!
🦋Por quê?
🕔Porque enfim estou pronta!
🦋Pra quê?
🕕Pra te receber em mim, mesmo sem ter NADA a te oferecer!
🦋Tem café?
🕖Só o “cá”. A fé eu perdi, lembra?
🦋Ah, é! Então, essa eu vou levar. Teu cá + essa confusão + minha fé = ...

💗Nosso inesquecível cafuné! E nossa inesquecível conversa que começou como “sinal de fumaça”, e terminou desnuda e completamente molhada.

sexta-feira, 21 de abril de 2023

 

Era tão somente um imenso farol. Eu estava de um lado, e você do outro. Eu esticava a mão pra te alcançar, e você não esticava a sua. Eu implorava mentalmente pra você fazer o mesmo. Até que, no desespero e exausta, encostei minha cabeça na estrutura e percebi que, do outro lado, seu braço estava esticado. Notei então que seu outro braço não existia. Fui então esticar o meu outro e... Percebi que também não existia. Jamais iríamos nos encostar. Desolada, joguei minhas costas na parede, o quadril no chão, e chorei... A vista embaçou, e no horizonte à minha frente, algo se desenhava... Corri nessa direção pensando “é meu braço, preciso ir lá buscar!”. Quando cheguei, vi que era mais que um braço: era EU inteira. Mas eu só precisava de um braço. Tentei arrancá-lo! E essa foi a parte do EU que mais doeu. Era mais fácil “abraçar o todo"!!!

Me vi e me senti novamente íntegra, aliás, melhor que antes: renovada. Dei meia-volta pra poder enfim alcançar você e... Impossível! Não havia mais caminho “pra trás”. Me desesperei. Eu precisava te pegar pelo braço e te levar ao seu braço, ou melhor ainda: te dar esse braço extra. Mas eu só podia andar pra frente! E a cada trecho, eu me via de novo, mas dessa vez, era “no espelho” que faltava algum pedaço. O primeiro faltava uma perna, e dependia de uma muleta. Tentei arrancar minha perna oposta pra doar! E essa foi a parte do Eu que mais me doeu... Entendi que como já me havia 3 braços, deveria então andar com 3 pernas. E foi ótimo. Senti que podia correr mais rápido, e caminhar mais longe, além de agarrar mais coisas pelo caminho.

No trecho seguinte, faltava a cabeça. Fiquei com cinco pernas, cinco braços, e um só cérebro guiando e controlando tudo. Eu só sabia pensar que você precisava só de um braço, e eu já tinha cinco, era simples te doar um, e te ter completa de novo pra podermos nos abraçar (e com potência dobrada, afinal, haveria 2 braços a mais). Acelerei as cinco pernas enquanto o cérebro tentava achar um meio de voltar atrás e te resgatar. Foi quando o peso de cinco pernas e cinco braços não me permitiu mais andar em linha reta. Eu sempre era puxada pra um lado, e a cada passo, ia fazendo uma curva. Eu estava perdendo totalmente o controle, e, no desespero e exausta, chorei. A vista embaçou, e no horizonte à minha frente, algo se desenhava... Juntei as forças que tinha e apenas corri nessa direção pensando em absolutamente nada! Eu já estava no piloto automático, e só tentava, simplesmente, alcançar.

E quando cheguei perto, era você! Com cinco pernas, cinco braços, e uma cabeça, que também te fizeram andar em círculo e, enfim, a gente se achar. Tentamos nos abraçar, e nossos braços deram NÓS!!! Foi assim que 10 braços, 10 pernas e duas cabeças formaram um gigante Farol.

E agora, dois faróis inteiros se encaram, um iluminando o outro; se amando pra dedéu, pois se amam com o coração de Deus – que nada mais é que um monte de EUs.

#AmorPróprio #Autocura #EuSouDeusEmAção #SóEuMeCompleto #DoandoSóOqueSobra




domingo, 26 de fevereiro de 2023

O dia em que comecei a morrer...

Silêncio
Vácuo
Frio
...
Nasci!

E na beira da ribanceira, respirei pela primeira vez; e cada respiração me aproximava da última. Assim que se nasce, se começa a morrer. Mas até morrer, a gente vive, e no meio da vida, a gente morre e renasce infinitas vezes; e tantas delas, sem perceber.

Entre hábitos e óbitos,
Sempre amei sem pudor,
Mas nunca sem poder!
(Eu sempre posso, e é sempre poderoso)

Entre sintomas e sequelas, quem me lê, me sabe mais que quem me ouve... Porque meus versos são em verdade um Universo (e 10 dedos sempre falarão bem mais que uma Língua!).

No intervalo entre um pesadelo e outro,
Eram manhãs quentes,
Tardes mornas,
Noites frias &
Madrugadas mortas...
(Porque até o Sol às vezes dorme até mais tarde e chora um dia inteiro!)

Entre rastros e pegadas, entre mastros da pesada; tive de trocar todas as rodas do carro em pleno movimento, e numa curva fechada! Dizem que os poetas sabem sofrer... E que eles morrem de tudo, mas sempre sabem renascer! (Será mesmo?)

O passado foi corrompido,
O presente já está corroído,
O futuro nem faz mais sentido...

Tudo ido!
Tudo doido!!
Tudo doído!!!
(E tudo é sempre Hoje, pois o "Nunca Mais!" começa agora!!!)

Já nem sei mais, já nem sinto menos. Sinto muito... Mesmo! Meu pranto tá sempre pronto pra derrAMAR.

Estou quase vencendo
Aquilo que vem sendo
A maior de todas as dores

Já almocei ventos, já morei nas tempestades, já fui casada com um Tufão... Então, o que já me doía na teoria, hoje me é drástica na prática (espera que dilacera, e morte que não faz forte!).

Já servi de casa pra muita gente...
E servi amando!
Mas saí chorando,
E arrastando corrente!!!

Há uma tristeza minha que faz escândalo em praça pública, e outra que escraviza meu sorriso, obrigando-o a se mostrar mesmo contra a vontade. E ambas me apavoram.

"Aquela lá" me atirou suas piores palavras, mas eu morri mesmo foi de fala perdida. Por isso, comecei uma revolução chamada devolução, e outra chamada exclusão!

~decretei FALÊNCIA VERBAL~ 

Entreguei todas as palavras que tinha. Foram doadas, vendidas, emprestadas (e jamais restituídas), rasuradas, perdidas, descartadas ou simplesmente esquecidas! Foram-se todas as palavras que eu tinha... Escaparam pela madrugada, foram roubadas por pessoas mal-intencionadas. Lembrança calada! Muda sem saber mudar. Hoje, não tenho mais opinião formada! No máximo, uma formatada. E ao que qualquer um disser, me rendo em concordata.

Já estou farta desse tipo de Amor de meio-período.
Quero é fazer Amor no chão, feito bicho;
Relembrando as histórias que nunca acabaram,
Só deixaram de ser importantes;
E as que já acabaram, mas
Nunca deixaram de ser importantes…

Finais doem, mas recomeços curam. E eu estou recomeçando por onde nunca andei... Hoje, tenho olhos grisalhos, e me aqueço numa febre linda. O calor da maturidade me faz ver e sentir a Vida de forma especialmente diferente!

Hoje, sou mestre em Filosofias de Varanda, dissertando sobre o dia em que toda loucura será perdoada - e até validada. E tudo vai ficar bem!

Entre tragos e estragos,
Descobri que precipitar-se é
O pressuposto do precipício...

Porque tem dias que a lição é aprendida
E tem dias que é só doída mesmo!

A pausa e pedras, oscilo entre a dúvida e a demora! Meu Coração coleciona saudades que só ele sente, segredos que só ele sabe, e certezas que só ele tem. E ele sempre terá a velha e linda idade do Mundo.

O físico mente
A mente se emociona
A emoção reza
O espírito encarna...

E começa tudo novamente!!!

A sorte tem meu nome, mas o revés decorou meu telefone. É tarde demais pra chegar, mas cedo demais pra sair. Me pergunto "quem são os outros?", e mais: "tudo isso é imensidão ou muito pouco???". São miragens mesquinhas e inacabadas, mas, isso não é nada, porque tenho a determinação de um Louco e a coragem de uma Rainha de Espadas.

Mas quando mais preciso de mim, nunca estou aqui!
E até eu estar apta a me alcançar, já estarei longe...
(Vida entregue é vida que segue!)

Faltava apenas 1min pra eu nascer, e 30s antes, eu já havia ressuscitado 5x.

Hoje, não moro mais no morro,
Nem nasço mais onde morro!
Nuns dias, só corro
Noutros, grito por socorro
(E em todos os turnos, eu durmo!)

Entre Corpos e Curvas, na dança dos cegos com os nus; compartilho sonhos e afetos num dia intenso que já dura 44 anos... 

Meu terceiro olho também é azul. E pra ele, tudo é um céu aberto, limpo e infinito.

Eu só queria dizer que minhas Saudades são enormes. Minha Alma tem crateras imensas que eu preencho com meu próprio espírito, enquanto é o meu corpo que me ensina a viver todos os dias.

A Solitude não é má. Ao contrário, é a melhor escol(h)a! Porque ela sempre nos colocará diante da única pessoa capaz de nos salvar: nós mesmos! 

Só nós pra 
Desfazermos 
Os nós…

Não sou Benjamin Button e nem Petter-Pan. Tudo está no tempo e no ritmo certos. Vivo no tempo do Não-Tempo, No tempo dos Desvios Divinos: ora me acomodando, ora me incomodando; mas sempre me dividindo...

De cima desse “AMDOR”, só te peço um grande favor: devagar com o seu Amor, qu’eu tô cuidando da minha Dor!

...E no dia em que comecei a morrer, compreendi 
Que foi o dia de entender que no fim, enfim, 
EU RENASCI !!!

 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

~Assim SOUL~

Hora do inventário dos bens imateriais. É preciso falar do patrimônio emocional, mental e espiritual. Inventar bens onde só há males. Inventariar os “tem” que vieram dos “vales”, e se dar conta do que realmente vale nesta Vida!? Em qual idade a qualidade do Ser Humano chega ao ápice? E de que é feito (e efeito) é o defeito de cada um? Cheguei ao ápice do declínio desfilando na calçada uma Tristeza com pedigree. Caí na real, e gastei muito Real pra levantar. Perdi horas olhando uma pilha de tijolos pensando “são construção ou ruína? Começo ou fim?”. Recomeço, então...E recomeço pelo cabelo! Que quando dá nós, nos lembra que somos laços. Minha pele e meu pelo: casas dos meus apelos. Minha história com meu cabelo não caberia num post, e sim num livro, pois é história longa, embaraçada, ora presa, ora solta, às claras, obscura ou disfarçada: uma história de Vida.

Rejeitei-o e maltratei-o por tanto tempo sem desconfiar que rejeitava e maltratava a mim mesma. Se meu cabelo chamasse atenção, era eu quem estava sendo vista (e eu me escondia). Não o priorizava, pois não me priorizava. Achava-o horrível porque me achava horrível. Só dava a ele o básico (limpeza!), pois achava que eu só merecia isso. Quando o arrancava, era querendo arrancar o "mal" de mim, e o meu lado ruim. O prendia porque temia me soltar, e também porque tinha medo de alguém “puxar a minha rédea”, e, assim, me machucar, me parar à força, me derrubar. Mas, para além do Medo há o amadurecimento preciso (de precisão e de necessidade), e a felicidade “prometida” e merecida.


Quando o lavava, achava caídos na peneira do ralo “pensamentos e sonhos” que julgava ter perdido, mas que foram salvos e guardados. Ninho dos apegos, daqueles bens imateriais que tinham medo de se perder, de morrer, ou serem esquecidos. Meu viver, meu respirar, meu fazer, meu doar, meu saber, meu sonhar, meu rugir, meu chorar, meu prazer, meu gozar, meu beijo, meu rezo, minha Poesia, TUDO passa por ele, e permanece nele, até eu decidir quais manter e quais deixar ir... Porque penso o Mundo diferente daqueles que o pensaram antes de mim, por tanto tempo vi isso como afronta e ofensa, e até falta de humildade. Mas entendi enfim que não preciso pensar sempre igual por lealdade, e nem sempre diferente só por rebeldia. Eu tenho apenas que PENSAR...  

Cortar meu cabelo bem curto era me diminuir, me menosprezar, me esquecer, e até me eliminar. Por tanto, tentei esconder meus defeitos; e achava que meu cabelo era o maior deles. Tentei mudá-lo, escondê-lo, e ele só me provava que eu jamais conseguiria nem uma coisa nem outra. E agora, quero mostrá-lo tal como é: cheio (de conteúdo!), tem clareza e também escuridão, tem um lado liso e um cacheado, é grosso, mas tem leveza; enfim, não dá pra rotular minimamente. É contraditório, mas é em essência BOM! 


Tantas vezes o chamei de “ruim”, e ouvia dos profissionais que “eu não sabia o que era um cabelo ruim”. Realmente, não conhecia quase nada de mim. E a parte que melhor me define (mesmo na aparente indefinição) e me resume tão completamente é o meu “pelo”. Querer “maquiá-lo” às vezes, ok, mas sem nunca esquecer como ele é em essência; e ver beleza nisso é me aceitar como sou. E aceitar sobretudo o meu poder. O cabelo é para tantas culturas e religiões um símbolo do sagrado, da conexão com o divino, e do acesso a esse poder. Sansão tinha sua força no cabelo, Rapunzel escapou da prisão através de seu cabelo, os Avatares se conectam ao Todo através do cabelo. 

No inventário dos bens imateriais, o grande guardião deles me fez descobri que o maior bem que tenho é Ser Quem Sou, e Como sou! 


domingo, 30 de outubro de 2022

~ 4 versos, uma EUstrofe ~
(A Poesia do Ser)


Água, Fogo, Terra e Ar
(Orvalho, erupção, carvalho e tufão)
Emoção, Espírito, Corpo e Mente
(A que vê, ouve, fareja e sente)


Larva, mata, céu e mar
Um riso, um choro, mil rezos e todo Amar
De fé e pagã, pajé e xamã
Filha, neta, prima e irmã 


Nascer, crescer, viver e voar
Errar, Chorar, Servir e Doar
Do compromisso, do reboliço, do cortiço, do Feitiço
Do portão, do porão, da poção, da proporção


Demorada e instantânea, moderna e contemporânea
Reta e curva, sagrada e profana
Soterrada e litorânea, eterna e momentânea
Alegria, lembrança, tristeza e esperança


Lida (e linda), leve e solta
Lúcida, delirante, calma e revolta
Saturno, Vênus, Marte e Plutão
Outono, Inverno, Primavera e Verão


Sorte do Sul, Veste do Oeste
Sol, lua, raio e trovão
Sol em Virgem, ascendente em Escorpião,
Lua em Aquário, Vênus em Leão.


Amor que precisa de peito
Paz que domina o espaço
Amizade que aceita defeito
Felicidade que elimina o escasso
 

Dívidas e dúvida, [Pois sim, pois não!]
Tímida, recalcada, exibida e acelerada
Entidade errante, castidade berrante
Um Titanic na tsunami, uma tribo Yanomami


Fatos e versões, atos e "omissões”
Escolher e ceder, esquecer e perder
O protótipo, o rascunho, o estereótipo e o testemunho
Te enfrentar, me tremer, te desculpar, me surpreender


A sombra de um amor desavisado
A sobra de um amor desperdiçado
O descontrole de um medo desvairado
O desenrole de um cedo atrasado


Karma e missão, benção e perdão
Células, moléculas, átomos, concepção
Universos paralelos, portais interdimensionais,
Buracos de minhoca, constelações ancestrais


A emenda, a contenda, a prenda e a senda
O trampo, o templo, o amplo e o exemplo
A fenda, a lenda, a renda e a tenda
(uma simples questão de Tempo!)


Asa e raiz, casa e juiz
Enigma, certeza, insígnia, correnteza
Exorcismo, cataclismo, erotismo e idealismo
Um respiro, um convívio, um suspiro, um alívio


Um jeito, um trejeito, um sujeito, um rejeito
Adjetiva, adversativa, substantiva e superlativa
Passado bruto, futuro sem fruto
Presente diminuto, eternidade em um minuto


Prova e expiação, trova e inspiração
Suco de morango, chá de pêssego, vinho do Porto e chimarrão
[Seja bem-vindo!], [Muito prazer!],
[Sinta-se à vontade!], [Como posso ajudar você?]


Um ano-luz,[ uma ova!], uma cruz, uma cova
Uma espera, uma Era, uma fera, uma quimera
Supremo e solene, o remo e o leme
Tudo crê, tudo cria, nada teme, E.Q.M


Narrativas, tratativas, explicativa e restritiva
Imanente, coerente, insistente e inocente
Agradável, biodegradável, de base imutável e quase insuperável
Curta-e-grossa, persistente, [não há quem possa!], resiliente


Cósmica e terrena, polêmica e serena
Andromedana, pleiadiana, siriana, arcturiana
Sem limite, sem fronteira, sem eira-nem beira
Menina, guria, mulher e senhoria (e tudo guerreira!!!)


Coração escancarado morando numa prisão mental
Espírito livre voando num corpo mortal
Prende e solta, morde e assopra
Um corte nas entranhas, e tudo o que ele cobra


Miomas e verrugas, axiomas e fugas
Breve e vindoura, de Limousine e de vassoura
Louca e santa, pouca e franca
Centrada e insana, tatuada e suburbana


Atol dos passaredos, farol dos segredos
Rua do arvoredo, Samba de enredo
Português, Inglês, Espanhol e “quase” Francês.
Nunca teve medo de tentar mais uma vez...


Morfética e sintética,
Profética e dialética
Cibernética e genética
Estética e eclética


Das galáxias e das redondezas
Das miríades e das miudezas
Figura sem censura, gentileza sem frescura
A face prematura da mais pura cura
 

Cantos de Estou, planos de Voo,
Anos de Sou, santos de Soul
14, 09, 1978, 44...
Terapia e Parto, Poesia e Teatro

Afeto a afetar a quem possa interessar
1,66cm, 65kg, quadril largo e rosto “feio”(?)
Maria, Eduarda, Novaes, Guerra
(e mais o Lafetá como nome do meio!)

Locações: Parque Estadual do Caracol e Grande Hotel Canela
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E mais uma vez, a dupla dinâmica ´topa-tudo´ se superou! Sou pura gratidão!!!