quarta-feira, 14 de setembro de 2022

~cor floris, cor coloris, cor purissimi doloris~
(BR 040/KM 4 - de aguaceiros e de ruínas)


Todo coração tem suAORTA,
Que pelo visto, tudo suporta.
Em coração, fundo se CAVA
E o Mundo se planta,
Pois ele tudo suplanta!
(mas, quando se mente, se planta a pior semente...)


Vivendo a paus(a) e pedras, entre dúvidas e demoras, meu coração coleciona segredos que só ele sabe, riquezas que só ele tem, e saudades que só ele sente agora... 

Hoje, meu coração tá anêmico, paralítico, amputado, roto, torto, perfurado, e totalmente fora do lugar. E se for reparar bem, não tem reparo!!! Metade dele morreu, e a outra metade que vive, segue sem saber que rumo tomar, e onde irá parar. 

Meu coração está pelas tabelas, abrigando uma Alma que se refugia em favelas. Tá tudo muito ventríLouco, pois tenho um átrio ordinário, que ignora o meu livre arbítrio. 


Cores e Flores são Dores 
Que o Coração transmutou!
(Por isso, a grafia mudou)

Mas... Cores também desbotam, flores também murcham, e têm espinhos que machucam; e dores, quanto mais fortes, mais resistentes. A Dor é uma dormência, é uma demência, é uma doença terminal intermitente (e prepotente)! 

Coração florido, coração colorido, mas duramente dolorido... 
A Dor não cede clemência!


A gente passa um inverno dentro do inferno, num sofrimento interno, externo, e por vezes eterno; até que o ardor disso tudo nos mostra que... 

Antes Sol do que um Mal nublado. 

A gente aprende a reviver sem sequer ter nascido. A gente descobre como renascer antes mesmo de ter morrido. Quando a metade de mim em ti começou a morrer, todo o nosso Inteiro se rachou. E quando o inteiro de ti terminou de morrer, todo meu Inteiro se estilhaçou - e se apartou de mim. Inteiros que se vão (partidos no vão), nos deixando pelas metades...


A Morte é sempre um tiro-certo, que mata até as pessoas erradas. Mata a Sereia-da-Mata, a Noiva-do-Vegetal; que se enterra prometendo infinitudes, mas só entrega brevidades, na terra ou no umbral. Nos ataudes, corpos (se de)batem em retirada, metendo medo nos próprios medos, até todos terem a coragem de fugir em disparada!

Seríamos temporariamente eternos ou eternamente temporários?


As Dores enfeiam a Sorte, enquanto as Flores enfeitam até a Morte

Cheguei ao ápice do declínio!!! Onde exerço clandestinamente o direito às fraquezas em meio ao dever de ser sempre forte (e sempre norte!). É, eu ando tão à flor da pele, que vejo, sinto, e cheiro cada corte, tendo a certeza de que só eu mesma tenho o meu Coração. Ninguém mais! 


Nós na cabeça (somos),
Nós no coração (são),
Nó na garganta...
Tem dia que nada adianta!!!
(nem mesmo oração)

Tive um pesadelo terrível, onde meu Silêncio dormia numa cama ruidosa, sob lençóis histéricos; acordava aos berros afônicos, e desmemoriado... Só(!) que não perdi nenhuma dessas memórias... Saí em disparada e cheguei a um lugar onde não encontrei absolutamente nada. Um dia, quem sabe, eu “ai!!!” de me conformar com as Dores do Mundo. Hoje, só quero um conformimsmo: onde me confronto, me conforto, e me conformo em viver sob meu próprio julgo.


Luto, pra mim, sempre foi verbo, e verbo é Palavra; mas hoje, me encontro quase sem elas. E acho o cúmulo encher os túmulos com acúmulos nulos... Vazios que preechem lugares, e pesam absurdamente... Uma ova!!! O espaço espesso onde escondo meus sentimentos e mistérios não se parece em nada com uma cova!


É... As Runas não me falaram dessas ruínas. O Tarô não me avisou desse pavor. Os Búzios não mostravam tantos rostos macambúzios, e as Bolas de Cristal não me refletiam assim, tão mal.

Hoje, sou flor que, sem solo ou com solo, só busca um consolo.

Perto disso tudo, a Imensidão é pouco, não passa de miragens mesquinhas e inacabadas. Tenho a determinação do Louco, e a coragem da Rainha de Espadas, mas o que mais preciso agora não tem nem nome. E se tiver, nem desconfio de qual seja. 

A questão é: por que quando eu mais preciso de mim, eu nunca estou aqui??? Oscilo entra a culpa plena, a esperança ingênua, e a inocência contumaz a me guiar. Mas quanto mais eu sinto pena, menos asas tenho pra voar...


Queria ser um rio corrente, mas não mais rio, só arrasto corrente. Foi um rio que alagou a minha vida; e corre morro acima, enquanto eu morro até na rima.

Ontem, tive as chances que não tenho mais hoje. As cobranças de ontem me renderam as mais duras críticas de hoje. Os enganos de ontem são sentenças no hoje. E a beleza de ontem morreu na feiura de hoje... Mas, o perfeito que não nasceu ontem é o grande feito de hoje. A culpa de ontem é a cura de hoje. E a surra que meu corpo levou ontem fez minha Alma aprender a abraçar hoje.
 


Muita água, e muito silêncio...
Muitos mundos mudos, e ruídos! 
Pedras soltas, Palavras presas... 
Represas torturando os risos foragidos!

Mas sou VITÓRIA-Régia, e em meu aguaceiro vou me sustentar, me deslocar, e chegar onde muitos nem sabem se um dia estarão.


Sigo sendo a eterna 
PRIMAVERA
Aquela que ainda espera, 
E que em breve, todos 
VERÃO!

"A Primavera chegará mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite em calendário, nem possua jardim pra recebê-la" (Cecília Meirelles)

Nunca posso deixar de agradecer, profundamente, à dupla-dinânica Ely e Ana Jú; e nesse ensaio, também agradeço especialmente às duas ajudantes-extras, Tia Paçoca e Mammynúscula.
(Locações - Condomínio Laje de Pedra e Ruínas do Cassino)
*
~PAI~
*
Esse é meu primeiro aniversário sem você, e esse é o primeiro post que você não lerá, e não fará seus tradicionais elogios, e eventuais críticas. Tua morte física matou muita coisa em mim, menos tudo aquilo que há tempos eu quero (e preciso) que morra... Matou sobretudo o prazer que sempre tive em comemorar essa data, que já começava com "Parabéns" à meia-noite, fosse presencialmente ou pelo telefone. E os últimos 4 foram presenciais... 

Hoje, faz exatamente 1 mês que nos vimos, falamos e nos abraçamos pela última vez. Você partiu 3 dias depois, mas aquele dia dos pais foi oficialmente a grande ruptura; e de alguma forma ali, eu me anestesiei... Agora, busco insanamente pela mesma anestesia, que nem a Poesia está conseguindo me dar. 

Eu e Clarice suamos pra conseguir juntar essas Palavras, porque nenhuma delas realmente se capacita pra expressar com exatidão tudo isso. Só mesmo o Silêncio, só mesmo o Vazio. E pra ambos, só a própria palavra em si. 

Silêncio se basta, 
Vazio se resume, 
E a Dor... 
Ah, nem ela 
Pode falar de si
Sem querer morrer também! 

Duro ter que continuar, sentindo o que não faz sentido... Seguir sentindo que falta um braço, uma perna, um olho, um lábio, uma orelha, uma mama... Ninguém deveria sentir uma Falta, porque ela, por si só, não existe. A Falta significa que algo não está ali. Mas a falta é um vazio sentido como Dor. O Vazio dói, o Vazio pesa. E eu achando que estava sofrendo tanto no aniversário passado, quando era assombrada por fantasmas, velhos e novos, e fazendo mágica pra que você seguisse sem saber de nada, pra não se preocupar... Eu realmente não sabia o que era sofrer. Eu realmente não sabia o quanto a Primavera poderia se disfarçar de Inverno. O que os inimigos fizeram comigo há 20 anos, e no ano passado, foram um mero ensaio... Nada nem ninguém provocou em mim tamanha Dor. Eu definitivamente não sabia o que era isso. E preferia ficar sem saber. Pegava de volta na hora todo aquele passado, em detalhes, se me garantissem que eu não passaria por esse "presente de grego". Porque a saudade que senti há um ano virou um efêmero segundo, em total segundo plano... 

Em breve, o primeiro aniversário de casamento que não haverá, o primeiro natal sem o Papai Noel legítimo, a primeira virada de ano A3, o primeiro aniversário da minha mãe sem você, os 50 anos da minha irmã, o primeiro dia dos namorados, o primeiro aniversário seu, o primeiro dia dos pais (que será sempre duplamente marcante), e o primeiro ano completo sem a TV no último volume, as conversas sobre política, as piadas, os planos e orgias gastronômicas. 

Você não sofre mais, e isso me conforta, mas não ameniza em nada a ausência. Teu cheiro ainda está por todo este apartamento que estamos desmontando. Eu já dormi na sua cama, almocei no teu lugar da mesa, tomei banho no seu banheiro, e tentei descansar na sua poltrona. Até agora náo sei se isso me foi bom ou ruim. Hoje, um a um, os móveis estão sendo vendidos, suas roupas já foram doadas, e algumas das suas fotos estão sendo encontradas aos poucos... Que em meio a elas, eu me reencontre também. Ao menos algum pedaço, que seja. Porque completa, claro, jamais serei outra vez. 

A tua bruxinha vai sair todas as noites de vassoura a te procurar, e, por favor, tente me achar!!!

Um beijo da sua "buzurundunga" de 44 anos agora, que não soprou velas sobre um bolo porque essa é a última luz que lhe resta, e ela não pode deixar apagar... 

Meu melhor amigo, só espero que você esteja na paz que sempre mereceu. 

Obrigada por tudo! 

Até o reencontro... 

domingo, 17 de julho de 2022

~FragmentALMA~
(Um Mosaico de Tempos, Espaços, Horrores e Amores)



Estrada: uma sequência inacabada de atalhos emendados. Eis a razão das pontes, curvas, bifurcações e lombadas; dos semáforos, túneis, buracos que subitamente se abrem, e dos pedágios caros que nos cobram pelas manutenções e reconstruções. Pedaços de Tempos e Espaços abrigando Horrores e Amores, percorridos passo a passo entre dores e ardores.

"Creia no que sente, pois o olhar mente!"
"Só paixão tá fora de uso! Quero Amor com tudo incluso!!!"
"Mel ao meio-dia, elo do meu dia... Amor é melodia!"
"Trocam-se soluções etéreas por ilusões venéreas!"
Um feito à parte, feito por partes... Todos os Caminhos são fragmentados! E é quando se parte de um trecho para o outro que se percebe o quão árduo pode ser o parto. E ir embora não quer dizer cair fora, pois uma hora se volta ao ponto “da partida”... A saída é também uma nova entrada, por vezes escondida; pois tudo está interligado: a largada e a despedida! (no duplo sentido da caminhada)

"Muda é a Vida, que muda seus planos sem uma palavra dita."
"Talvez amanhã eu pouse. Mas hoje, não. Hoje é sempre um dia pra voar..."
"Mar não recusa Rio! E eu só rio porque não recuso o seu amar."
"O Passado já passou! Que Presente é saber disso!!!"

Às vezes, há problemas na rota e erros crassos na carta de navegação. E só o tentar nos esgota os recursos, sofremos acidentes no percurso, e de súbito, viramos partículas espalhadas por cada fragmento e vão! (onde se sabem eternos aqueles que nunca se vão)

Foi quando me vi fragmentada pela primeira vez que entendi que todos nós sempre fomos estradas próprias trafegando em estradas coletivas, perdendo, achando, comprando, vendendo, doando, trocando ou fundindo estilhaços a cada cruzamento... Pedaços de Tempos perdidos abrigando Espaços inacabados onde moram os Amores incompreendidos e os Horrores ensanguentados.

 "Recomendo dispensar o Pensar e só permitir o Sentir!"
"Poeta não escreve, desenha letras unidas!"
"Te poesio só pra mim, do recomeço ao infinito fim..."
"Quando tua Alma me abraça, pro meu corpo isso basta!"

Somos tora de madeira adornada com vidros, vestindo uma colcha de retalhos. E minha tora foi rachada ao meio, meus vidros se esfarelaram, e meus retalhos se esgarçaram um a um. Era preciso me reformar por inteiro. Espírito, Alma e Corpo: virei um tremendo remendo de emendas já remendadas, um amontoado de atalhos que guardavam tantos outros atalhos em si... Entendi que sou e sempre serei assim: um Espírito que só sabe voar, uma Alma que só quer amar, e um Corpo que precisa respirar, transpirar e arrepiar!!! (sim, o Ar é vital em qualquer lugar)

Mas na reforma, parei num trecho onde se desfez a ligação... A ponte ruiu, o túnel fechou, e mal me restou o chão! E quem tá no chão ou brota e floresce, ou transmuta e voa. Ultrapassei a fronteira, retomei a dianteira, e agora eu mando na “proa” toda!!! ... Será???... Talvez... Não me lembro agora... Minha memória foi o fragmento que em mim mais se fragmentou! E hoje não sei se um pensamento é mesmo meu, nem qual foi o momento que você me roubou! Só sei que quando o Mental morreu, o Coração, enfim, se restaurou. ("lembrar é preciso, e esquecer não é possível!")

"Receba, por favor, já passou da hora... Amor nunca se joga fora!"
"Quero estar à vontade, não na vontade!"
"Somos o daqui por diante, e não o meia volta volver!"
"O Desejo quer ´pra ontem´, mas o Medo diz ´deixa pra amanhã´!" 

Aprendi a contar minha trajetória tal como é: aos pedaços, sem ordem, sem lógica, e, por algumas vezes, sem o princípio ou o fim de alguma história... Troquei e fundi fragmentos, e agora tenho dores que não são minhas, e medos que me assombram da cabeça às Canelas. Vendi e doei fragmentos, e agora vejo minhas cores em pessoas mesquinhas, que não souberam devolvê-las quando mais precisei delas!

Rupturas, rachaduras, emendas frágeis se contrapondo a rochas isolando o lugar mais emblemático. Viver, por si só, é um ato traumático. E seguir vivo é ser herói, é ser completo mesmo faltando pedaços...

"Maior tormento da História: 
saber que já fomos Momento, mas hoje somos Memória..."
"De manhã, sigo protocolo. De noite, sigo pro teu colo!"

Eis aqui um doloroso registro que abro: foi sinistro, foi macabro! Puseram força onde eu só pedia um jeito, e não tive forças quando só ela podia dar jeito... Resistir, persistir, insistir e desistir: era um verbo pra cada trecho; mas saí tanto do eixo que fiz fogueira na geleira, e hoje choro gota a gota essa imensa e nada calma cachoeira!

Sim, foi um "tralma"... 
Caí, me quebrei toda, mas continuo inteira!!!
“Minha Alma não rejeita meu passado, 
Minha Pele não recusa o teu presente, 
Mas meu Coração não reconhece nosso futuro...”
“Nossas Almas se falam em LIBRAS por corpos ainda Virgens.”
“Faça de um pretérito imperfeito um presente mais-que-perfeito.”


~BASTIDORES & AGRADECIMENTOS~

Dedico esse ensaio à minha tia, Ana Lúcia Novaes, autora do livro Fragmentos de Poesia, que tanto me inspirou pra Vida, não apenas para esse trabalho. Seu livro (somado a tudo que vi, ouvi e vivi ao lado dela) me fez entender os meus fragmentos, e me ajudar a reuni-los, reforçando os laços que preciso, e soltando os que não fazem mais sentido... Meu farol, que até hoje me faz desconhecer a verdadeira Escuridão... Eu carrego comigo uma herança tão imensa e tão fértil que só posso agradecer a Deus pelo merecimento, e sei que isso tudo é mesmo tão gigante que nunca coube só em mim. Por isso, o partilhar sempre me foi tão natural. Simples assim!


 
E mais uma vez, sou pura gratidão a essa trinca de ases que o Universo pôs no meu caminho:

~Ely, Ana Jú, e Karenzitta~

***

~FRAGMENTOS EXTRAS~

“Amar é verbo intrometido, Nascer é verbo introdutório, Crescer é verbo introvertido, e Viver é verbo 'intromeduvertório'!”

*
“Se acha que as Bençãos ainda estão distantes, comece a ser feliz antes!”

*
“Você é a Fome da Babilônia. É o nome e sobrenome da minha insônia!”

*
“Seja transparente: diga só o que o Coração sente! (e se ele levar facada, fique calada!)”

*
“Tomei posse da tua efemeridade, e joguei na rua a minha eternidade”

*
"Trauma: é quando te trago a minha Alma e você é má com ela!"

*
“Era só pro meu Sonho te acordar, não pro meu Amor te assustar... 
Me desculpe!!!”

*
“Em toda oração que eu fizer, você será descrita.
E em todo coração que eu tiver, você estará escrita”

*
“Você bateu em meu coração, eu abri a porta...
Você bateu no meu coração, eu fechei a porta!!!”

*
"Fecha a Alma! Não desperdice afeto com quem só te afeta..."

*
“É que no fundo, no fundo, as pessoas são muito rasas!”

*
“Absorvo teus recados por osmose. Absolvo teus pecados por ‘normose’”

*
“Ou eu amo todos os Alguéns, ou não amo mais Ninguém!!!
(É 8 ou 80. Ou é coito ou se ausenta)”

*
“Eu conto o que me contém; e tu, o que te convém”

*
“Passado é pra focar em aprender, não pra ficar e se prender”
(ou vai se arrepender!)

*
“Eu transformo Não em Sim! 
Eu era são, e hoje, sou assim...
(Façam uma oração por mim!!!)”

*
“Tua carência implorou por minha carícia, mas minha essência nunca teve malícia”

*
“Romper pra expor, doer pra repor... ‘Ser’ é Restaurador!”

*
“Nos amam, mas não nos chamam! Nos odeiam, mas nos rodeiam?”

*
“As verdadeiras grandezas são miúdas... E cabem em potes pequenos, em amores amenos e em poetas obscenos!!!”

*
(s)EmFIM, sou a mesma de nunca!

***
PS – tenho uma mente inquieta e turbulenta, e uma máquina de escrever... Desculpem a verborragia, mas eis a minha analgesia pra poder sobreviver!

sexta-feira, 13 de maio de 2022

~SOBRE.PUJAR~

Nada! Nem de uma gota! Não me arrependo do tanto que ofertei: amores e sementes, valores e presentes; nem da presença que desde sempre me sei.

Nada! Nem por um segundo! Não me arrependo das sortes que vendi, nem dos azares que roubei. Dos colos que já fui, nem daqueles que usei. Dos sinais que ignorei, nem dos finais que eternizei. Das migalhas que mendiguei, do Castelo que pra ti edifiquei, mas não fiquei... Não lamento por nenhuma das (des)culpas que um dia alimentei.

Nada! Do mínimo que seja! Não me arrependo das saudades que inventei pra rechear as redomas que ergui. Das vezes em que não me perdoei só pra ceder o Perdão a ti. Não, não lamento de querer lembrar de quem nunca esqueci, nem de ser tão transparente a ponto de sumir...

Nada! Nem de perto, nem de longe. Não me arrependo das portas que bati na cara da Coragem, nem do tanto que transei com a Autossabotagem. Não lamento por ter uma Alma assim, tão selvagem.

Nada! Em absoluto! Não me arrependo dos incêndios alastrados, nem dos leões indomados. Dos passos pausados, nem dos verbos calados. Não lamento pelos olhos cerrados quando mais queria te olhar. Nem dos Silêncios berrados só pra te assustar (era um ódio exalado pra não me sufocar). Jamais me lamentei quando ousei me prometer nunca te prometer lucidez. Só que hoje, pra mim, tanto faz como tanto fez.

Nada! Versus coisa nenhuma! Não me arrependo das vezes em que me traí, retraí e abstraí só pra poder te atrair. De ser uma profissional do Amadorismo, criadora de versões sem nenhum lirismo. De ter dado uma segunda chance às segundas intenções, nem da minhas coleções de Falsas Esperanças e Verdadeiras Ilusões.

Nada! Nothing de Rien. Não me arrependo de ter-lhe sido tão intensa, de ter aceito a tua ofensa e a tua descrença; de te fazer me saber tão imensa, nem de me fazer te caber na sentença. Não, não lamento por sorrir pra conseguir me camuflar depois de tanto me doer por ainda ter o que chorar.

Nada! Nem sequer cogito a hipótese! Não me arrependo dos padrões que repeti, nem dos patrões que idolatrei. Não lamento pelos cantos que entoei pelos cantos onde me escondi, nem do tanto que gritei até ninguém mais me ouvir.

Nada! É incontestável! Não me arrependo das fugas que planejei, muito menos do modo como as executei. De quando dormir na defensiva, nem de quando ao acordar, me entreguei. Não lamento por dar a partida de lugares onde me deixaram partida. Do que desisti por medo de não resistir às redescobertas, nem pelas vezes em quem morri atrás de cortinas entreabertas.

Não, não me arrependo de ter sido música conforme a tua andança, nem de ter feito desse descompasso trilha sonora da minha maior mudança.

Nada! Por um dia sequer! Não me arrependo dos sonhos que abortei, pois ressuscitá-los foi a maior de todas as minhas façanhas. Repus as linfas que me sangraram sem expor as ninfas que me humilharam ao exporem as minhas entranhas. De comprar à (primeira) vista a paixão de quem me rebaixa, pois sigo sendo Imensidão mesmo presa numa caixa.

Não, não me arrependo das verdades, e nem das ciladas. Não vim pra ter de voltar do nada. Não disse sim pra ter de viver pra nada. Não cheguei ao fim pra ter de ficar sem nada. Mas, enfim, acabou. C´est fini. É varrido, banido, benzido! Minha vida recomeça agora, após meu melhor gemido e usando meu melhor vestido!

Sempre serei a bruxa, mesmo onde só me querem fada.

Obrigada! / De nada!!!

sábado, 30 de abril de 2022

~SOBRE.SAIR~
(Pedaços de uma Metamorfose irreversível)

Sobressair é sobre sair por cima. É sobre sair de cena sob palmas que calam as vaias (ínfimas e póstumas). É sobre sair como herói de si mesmo, não como vítima a esmo, se escondendo debaixo das próprias saias ou dentro das finas brumas...


Sobressair é sobre soltar por Universo com tanta coragem que chega a dar medo! É sobre sair na vantagem, recebendo tudo mais cedo! Sobressair não é sobre ´forçar a barra` ou se exibir, mas sobre sair do enredo (nem que seja na marra!) quando ele não mais servir. Sobressair é sobre deixar ir...


Sobressair é sobre sair em disparada, num movimento contínuo. Porque a Vida nunca é sobre ficar parada, é sempre sobre seguir adiante, pois estagnar é torna-se nulo, e, pouco a pouco, se esvair. É mudar sempre que preciso (e ficar muda sempre que possível). Porque Viver é sobre Tudo, sobretudo EVOLUIR...


Sobressair é sobre sair pelo Ar, voltando a respirar. É sobre ir mesmo não sabendo onde a saída vai dar. Sobressair é, sobretudo, sobre superar tudo. E superar é respirar um Ar superior, e para tal é preciso voar bem alto, ao sopro dos ventos da Mudança. E eu sei voar de todas as maneiras (principalmente por dentro). 

Tantas vezes, já me faltou chão, mas céu, nunca! Eu só me ancoro na Amplidão!!! Eu saí do casulo direto pro pedestal, pois quem tem asa não rasteja, não nada, não caminha, não corre. Quem tem asa, voa. Voa alto e voa o mais longe que dá. Quedas? Estrelas cadentes seguem sendo estrelas, e na ´pior das hipóteses`, viram estrelas-do-mar...
 

Porque SOBRESSAIR é (e sempre será)sobre 
SAIR DO CASULO E BRILHAR!!!


"Um dia, confiei demais, e um tapão eu levei. Virei uma ferida aberta, precisei de um tampão, então, me confinei... E a Vida me fez mais esperta!!! Entrei no casulo pra me esconder dos rivais, e foi então que, enfim, me reecontrei."

"Primeiro, a gente se camufla, depois a gente hiberna. Primeiro, a gente se transmuta, depois a gente se liberta. A gente troca de casa, a gente troca de pele, a gente cria asa e depois se expele."


“...Tô me guardando e me aguardando... E quanto meu processo estiver terminado, eu estarei suando por todos os poros, surtando de todos os modos e gozando de um jeito tão sonoro, que será simplesmente impossível o Mundo Todo não ter me escutado!!!”


“Morrer é mais fácil que renascer, meu bem! Eu já morri ontem, e hoje também; mas sempre respiro fundo novamente, lavo o rosto, e sigo em frente... (S)emfim, EU RECOMEÇO!!! Covarde quem me matam, mas, sobretudo, incompetente. Porque eu sempre renasço, e numa versão muito, mas muuuito mais potente.”


“Casulo nunca foi uma zona de conforto, e sim de confronto. Há muita briga neste abrigo. É seguro mas é escuro. É sossegado, mas é apertado. O casulo tantas vezes é duro e complicado. É o lar de um futuro um tanto impuro. Mas no casulo, nunca me anulo. Sempre me reformulo.”

“O casulo era escuro e frio, mas ali não havia dor. Ali, eu brinquei com as palavras, somando cores a elas; e tanto falei, chorei, travei, me reconectei e brotei. Criei um mundo “noovo” (a própria “Art n´Ovo” da Natureza). Agora, rezo por um outro evangelho, então, por gentileza, me perdoem por não sentir mais nada de velho!”


“Às vezes, a gente entra no casulo pra curar as dores, procurar os amores, entender os pudores, esquecer os rumores e trabalhar os dissabores. Às vezes, a gente entra no casulo pra consolidar as mudanças, produzir as heranças, ou apenas pra esperar o Tempo passar e nos apresentar a sua linda dança.”


“Sempre soube que a nobreza mora na Natureza, e foi Ela quem me ensinou a ser mais Amor e menos Instinto. E o que era uma Dor, hoje é extinto... Eu me tornei mais gentil com quem estou me tornando, e agradecendo a cada tornado que me deu voz de comando.”


“Um dia, tentei entender os processos, mas vi que bastava confiar nos propósitos. Ainda é cedo pra saber quem sou agora, mas claro que sei muito bem quem já não sou mais.”


“Do preâmbulo ao crepúsculo, nunca impedi o encapsulamento, nem tentei conter a erupção. Entro no casulo pra ser mais crédulo, refazer um cálculo, ampliar o vocábulo, ganhar um novo estímulo, criar um novo vínculo... Atualizo o currículo e a área de atuação!”


“Quando é pra morrer, eu vivo desistindo. E quando é pra viver, eu morro resistindo!”


“Deixei letras escondidas, larguei palavras soltas, produzi frases picotadas e estrofes embaralhadas só para ter o prazer de achar tudo isso um dia, como quem acha dinheiro perdido numa gaveta; e montar como um quebra-cabeça, desvendando o que meu Coração escondia naquele Portal da Rebeldia, típico de uma ninfeta-detetive... Adoro brincar de achar as perguntas para aquelas respostas que sempre tive!”


"E de tanto tomar NACARa,
Desde OSTRAS Vidas,
Virei PÉROLA!!!"


“Era uma neurose, uma parasitose, uma necrose, uma gnose... Meu casulo era um pote de ilusões, mas minhas asas são a ponte pra longe do dilema, e a chave que abre todos os portões e todas as algemas.”

“Um dia, abri a cabeça à marretada, o peito a fórceps, e me acoplei no Coração que me habita! Até que abri as asas, mas estas, com a leveza de uma bailarina... E nunca mais morri, nem mesmo com tiro de carabina!”  


“No momento em que cansou, e no local onde parou... É daí que se recomeça!!! A loucura, a frescura, a procura, a secura, a fase da brancura e até a face escura: tudo nos traz A CURA!”

“Sofreu, chorou, se magoou, se fechou... E então, aprendeu, limpou, perdoou e recomeçou!!!”

“Quer chegar longe? Então, sonhe alto. Sonhar é voar antes mesmo do nascer das asas. É o treino necessário.”


"O Universo me tem completa outra vez. Eu dei meia-volta e brotei como flor que perfuma as próprias dores e embeleza de cores a própria revolta." 

"E o casulo um dia congelou... Mas agora, a Borboleta esquece o cimento do esquecimento que um dia o petrificou. Porque Viver é transformarDor!"


“Vivo entre as virtudes do Presente e as vertigens do Futuro, pois o Passado é só referência, não residência. É aprendizado pra se libertar, não pra seguir aprisionado.”


“Houve um tempo em que eu enxerguei quem não existia, e passei a achar que eu também não existia enquanto criatura. Houve um tempo em que eu temia o Tempo, mas agora que o tenho de sobra, vejo o tamanho da minha própria obra. Hoje, conheço o Tempo da Alma, do Despertar, do Retorno e da Ruptura. Hoje sei que sempre sou do exato tamanho que me vejo, e hoje só me espelho em quem me vê ainda maior (às vezes até que o próprio desejo).”


“MetamorFASE, MetamorFUSO... O Tempo sempre nos convidará a mudar tudo!!!”


“Renasci, Cresci e Floresci. Agora, sou borboleta, sou flor alada, sou minha própria Alma exalada.”
 

“Já mudei a rota tantas vezes, já mudei a nota de tantas vozes. Já tentei controlar o incontrolável, conter o incontível e contar o incontável. E a Vida seguia ´seguindo´ enquanto eu parava, desviava ou desistia; até que aprendi a seguir com ela, e nunca mais parei, desviei, nem desisti de mudar... Porque entendi que há beleza na parada, há leveza na espera, e há na quietude uma não-busca que mesmo assim nos faz Encontrar.”


É no Mundo-Mudo que eu mudo!

PAREI... REPAREI NO NADA... E REPAREI TUDO!!!



Amiga Ely. Mais uma vez, o Universo caprichou e a gente se superou, né? A cada dia a gente aprende que a Vida é sempre sobre entrar no casulo e curar/sair do casulo e brilhar!!! Você cura com pincéis e brilha em suas cores. Eu curo com palavras e brilho em seus valores. Aprendemos mais uma vez que somos sempre inteiras, mesmo quando estamos aos pedaços. Que sempre somos autoras das Auroras e dos Luares; da Terra, dos Mares, e até de Marte, porque somos do Céu-do-EternizARTE.
 

As várias de nós quando se encontram dá briga, mas também dá certo. Fragmentadas e fraturadas: reintegradas e curadas! Aprendemos que mudar nem sempre é suave, às vezes é apanhar a duras penas, mas vale muito a pena (nem que seja apenas tentar!). Aprendemos a fazer retiros temporais nas nossas fontes onde retiramos temporais retidos nas frontes. Aprendemos que sofrer sem suporte é como morrer dentro da própria morte. Aprendemos que “ser quem somos” e “fazer o que queremos” são simplesmente sinônimos.
 

Mas o que aprendemos, de verdade, é que antes de aprender a voar é preciso aprender a voltar. É bate-volta, é reviravolta, é revolta, até que a gente dá meia-volta e volta pra onde a gente nunca deveria ter saído: do nosso real e devido lugar! A gente não precisa ser tantas pra ser tanto, por isso, podemos – e devemos! – colecionar algumas renúncias. 

Que bom que finalmente aprendemos que Viver é uma metamorfose constante. Às vezes adiável, mas inevitável e irreversível...

Gratidão infinita! A ti e à Ana Júlia (essa que é, sem dúvida, a tua melhor metamorfose!)

Até a próxima! (pois, como bem dissemos, "é pouco ano pra tanto plano!!!” rsrsrs)