segunda-feira, 25 de abril de 2016

~Fazendo Amor em público~

Piscadas de olhos recíprocas. Mãos dadas sem trégua; e as livres, construindo Sentimentos artesanalmente, fio a fio, por entre os cabelos que já conhecem bem. Braços sobre os ombros, e pernas a se esbarrarem propositadamente embaixo das mesas. Um canudo sendo dividido, o mesmo picolé sendo mordido, e suas gotas coloridas sendo enxugadas rapidamente antes que caíssem nas roupas. Era a bolsa sobre o colo enquanto ela ia ao banheiro. Era a espera de horas enquanto ela provava o novo vestido... Era aquele Amor de Consumo, que diz que "com você, é o sumo; e sem você, eu sumo"... Era aquele Amor de Minuto, que o relógio deixava confuso, pois, com ou sem fuso, o Tempo só ficava diminuto... Era aquele Amor concorrido, que corria pelos corredores, e entrava e saía do ar-condicionado, suando de qualquer maneira; naquele caos suave, que mais parecia uma dança de criança, uma brincadeira... Era aquele Amor de Cinema, que se paga pra ver, espera o tempo que for, e tem clareza mesmo na escuridão... Era aquele Amor de Livraria, que se tocava e se lia, que se bebia e comia... Era a multidão de dois, perdidos na singularidade de mil... O Código Penal não previu. Nenhum segurança descobriu... Mas, sem sair da rotina, fizeram Amor em Público, e todo mundo sentiu!!!

sexta-feira, 18 de março de 2016

~SÍNDROMES POÉTICAS~

Há síndromes que só acometem Poetas! Uma delas é a Síndrome dos Dedos Engasgados. É quando o Poeta até sabe sobre o que precisa escrever, mas os dedos não o ajudam a colocar cada palavra em seu devido lugar. Os dedos engasgados repetem seguidamente as mesmas palavras, cortam letras, borram as pontuações, e não registram qualquer acentuação gráfica; não permitindo assim que o Poeta se expresse como deve, resultando num enigma praticamente indecifrável. Essa é uma síndrome autoimune. O Poeta com dedos engasgados quando lê sua produção passa a julgar que nem ele mesmo sabia o que queria dizer, e entra num processo autodestrutivo, no pior sentido "bola de neve". A outra síndrome, também muito comum, é em base totalmente antagônica. Trata-se a Síndrome dos Dedos Soltos. Nela, o Poeta acometido escreve sem parar, abusa dos sinônimos, e liga um assunto no outro, confessando mil amores em um só poema, e matando mil dores num poema Só. E é só após este ataque de verborragia que enfim entende o que se passava com ele. Há Poetas que sofrem das duas síndromes ao mesmo tempo. Dedos engasgados para a Dor, mas soltos para o Amor, ou vice-versa. Porque não importa quem é titular no peito e quem é vice. O que importa é que, bem ou mal, por tudo ele versa.

quinta-feira, 3 de março de 2016

~O Plagiador de Pensamentos~ 


Era mais um dia de acasos programados. Fazia muito frio lá fora, e "já que os anjos não podem voar, não me arriscarei a sair", dizia ele. Em dias de temperatura abaixo de 10ºC, era imprudente estar longe do fogo da lareira e das grades das janelas; e aquele que saísse, não poderia chamar de fatalidade o que lhe viesse a acontecer. Mas enquanto a lareira o aquecia, e as grades o mantinham a salvo, ele não descansava a mente. Era o dia mais propício para se plagiar pensamentos. As pessoas geralmente não sabem que estão desprotegidas, e seguem com o cérebro a mil, emanando ideias, conceitos e, sobretudo, segredos; mas sem os arranjos dos arcanjos a abafar os ouvidos alheios, ao menos ele se tornava capaz de tudo ouvir. Assim, uma ideia genial passava a ser sua, um conselho qualquer lhe caía como luva, um xingamento forte o atingia em cheio, e era fácil descobrir quem de fato gostava dele, e quem apenas mentia a torto e a direito. Era um superpoder do qual ele se orgulhava, mas não alardeava por razões fortemente óbvias. 

Por algum tempo, foi difícil filtrar as tantas coisas que chegavam de uma só vez. E ainda era preciso educar seus pensamentos e não deixá-los se misturarem aos recebidos, posto que tinham, apenas, de maquiar e moldar os novos para então lhe pertencerem legitimamente. Mas dominadas estas habilidades, o desejo principal fora o de ajudar a polícia a capturar os bandidos que agiam nas redondezas, ao desvendar seus crimes. Só que aquela era uma comunidade de pecados leves. Ele mesmo sabia que sua invasão de intimidade era a maior transgressão a qual o vilarejo estava exposto. Uma bênção e uma maldição que jaziam no mesmo lugar. 

Antes de dormir, escrevia todos os pensamentos que lembrava em um caderninho antigo, de capa de couro, feito por seu pai; dando seu toque final, criando os próprios segredos com cada uma das palavras que roubara de cada um daqueles silêncios. Assim, ele garantia, "aquele que achar este tesouro, jamais achará que este tesouro é seu".

Até que em uma noite de verão, revendo seu diário de cabeceira, percebeu que a senhora da esquina da rua quatro, aquela sempre disposta a ficar exposta a todos os perigos, todos os dias, nunca havia emanado um pensamento sequer. Será que ela em nada pensava, ou será que só ela era protegida mesmo em tempestades gélidas? Na nevasca seguinte, ele amanheceu sem ouvir som algum. Se desesperou. Pensou no que poderia ter feito de errado para perder seu dom. E descobriu que a resposta era justamente o que ele NÃO fez: ele não ouviu a moça, e sequer havia se perguntado o porquê. 

Ele vestiu-se da esperança de que naquele dia em questão os anjos estivessem voando por ali, e por isso ele não ouvia nada. E foi confiando nisso que ele partiu pelas ruas em direção à moça exposta, pois fosse qual fosse a razão do silêncio, nela estava a resposta. Chegando perto, só um cobertor preto sob outro cobertor branco se destacava. Nenhum som, nenhum movimento.

_ Não a descubra, senão ela morre, tal como eu! 

Aquele não era um pensamento. Era um sussurro trêmulo que vinha de debaixo do banco. Era um grito de socorro de quem estava descoberto de corpo e espírito, mas que sobrevivia graças a um coração quente. Diante de sua lareira, aquele pobre homem mal se movia, e dava-lhe a certeza de ser mesmo incapaz de pensar.

Sem suas fontes, o plagiador se consumia, exausto, em seu próprio juízo. Por que parou de ouvir? E seria capaz de voltar a ouvir algum dia? 

_ Obrigado por salvar minha vida! O Senhor é um Anjo!

...E foi assim que ele entendeu que só ouviu de verdade no dia em que parou de ouvir.

quarta-feira, 2 de março de 2016

O CULTO E A OCULTA
(ou ~A Culta e O Oculto~)

Quando você entrou pela janela, eu estava desprevenida! Minha Alma estava nua, paralisada e em preto e branco, sem sequer saber o que é uma aquarela. Quando você pintou o chão, as paredes e o teto, eu estava deprimida! Minha carne estava crua, gelada e escorada num barranco de sequelas. Quando você se refletiu no espelho, eu estava escondida. Minha face estava em outra rua, vendada, e levando tranco; sem ouvir qualquer conselho e sem nenhuma cautela. Mas você não desistiu de (me a) tentar, de me cantar à capela...

Quando você enfim me tocou o rosto, acordou o meu oposto e fez minha máscara se estilhaçar. Quando você sussurrou-me aos ouvidos, acionou os meus gemidos, educou minha libido, e me fez regalar. Eu só tinha uma única lágrima, que achava tão comovente... Até que você veio feito um mar, e mudou a minha enchente - e me ensinou a nadar a favor da corrente... ... ...

Você veio Amar bem no meio da minha nascente!!!

Ah, seu indecente! Contra minhas provações, trouxe provocações, e até provocou acidentes - ora oculto, ora um viscoso vulto que me atropela. Você vive num campo distante, num reino a parte; sei que não pode estar sempre aqui, então, encontrei uma maneira de sempre te ver... Sem fotografias, fios de cabelo, cheiros no canto da cortina, ou brisas no alvorecer. Não preciso deter sua saída, nem reter a mínima porção, não é preciso qualquer artifício, pois a maior lição que me fez aprender foi dominar o ofício de PARAR DE TE ESQUECER 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

~O Homem Que Nunca Acordou~

Eram seis da manhã, e ele me destinou um tímido "até mais tarde"! Eram nove da noite, e ele estava friamente monossilábico! Eram seis da manhã do outro dia, e ele mal murmurou um "oi"! Eram seis da tarde, e ele sequer se despediu do chefe! Era um homem de poucas palavras, quase onomatopeico. Míope desastrado que esbarrava em tudo. Recordista de batidas de trânsito. Profundo conhecedor da hipnose, bem como da robótica. Um homem que jamais bebeu uma única xícara de café! 

Eram sete e meia da manhã, e ele entrou no chuveiro ainda de pijamas! Eram nove e quarenta da noite, e ele nem ligou a TV! Eram sete e meia da manhã do dia seguinte, e ele uma vez mais passou reto pela banca de jornal! Eram dez e cinquenta e dois da noite do jogo da seleção, e ele apenas admirava a capa do livro novo, sem ousar abrí-lo! Era um homem de passos contidos. Não tinha pressas. Não se irritava. Não provocava nem retrucava queixas. Um homem que beliscava as refeições feito um passarinho! 

Eram oito e catorze da manhã, e a polícia bateu à sua porta! Eram onze e trinta e dois da noite, e ele ainda não havia respondido a campainha! Eram cinco e cinquenta e três da semana posterior quando fui até sua casa saber o que estava havendo. Já era quase madrugada, e eu o encontrei dormindo no sofá! Era um homem inerte, lânguido, modorrento, apático, que não me permitia faxinar decentemente a sala. Um indivíduo narcoléptico sob efeito de soporíferos; que respirava, e nada mais!

Eram, precisamente, nove e oito da manhã do ano seguinte quando enfim encontrei seu diário! As primeiras páginas preenchidas com garranchos que mais lembravam um eletroencefalograma... E eram! Nas páginas seguintes, uma coleção de intimações policiais, multas por desordem civil, receitas naturais e de fármacos, bilhetes de amor - de Sônias e Parassônias -, e um provável testamento deixando tudo para elas.

Sonambúlico, sexônico, sonilóquio... Aquele era um homem que um dia dormiu, e nunca mais acordou!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Porque isso é 

"GOZTAR" 


Não sei gostar sem gozar. E se gozo é porque gostei. Sei gostar no passado e no futuro, sei gozar no claro e no escuro, portanto, fidelidade e conforto são coisas que jamais lhe cobrei. Nossos mistérios nunca esconderam a sua poligamia mental, e sempre nos bastou um simples e arruinado cantinho de parede. Mas, por tantos anos, esconderam roupas rasgadas que não deveriam estar ali - pelo menos não ao mesmo tempo que as nossas. Porque eu gosto que sua efervescência carnal, ao menos ali, nos seja sui generis... Gosto do exclusivo, gozo no particular! 

Não sei gostar sem gozar. E se gozo é porque gostei. Sei gostar pagando e recebendo o troco, sei gozar dando as costas ou tronco-a-tronco, portanto, fantasias ou padrões são coisas que jamais lhe cobrei. Nossos dogmas nunca esconderam a ruidosa tradução entre a língua de partida e a língua de chegada, e sempre nos fora comum suar pelos olhos e chorar pelos poros. Mas, por tantos anos, esconderam um intercâmbio vazio, e uma rota de fuga que não deveria existir ali - pelo menos não do seu lado. Porque eu gosto desse nosso arquétipo particular compartilhado, dessa nossa oscilação estável que, ao menos ali, não pode cessar. Gosto do discrepante, gozo no peculiar! 

Não sei gostar sem gozar. E se gozo é porque gostei. Sei gostar de combater e cometer um crime, sei gozar parada ou correndo contra o tempo, portanto, compostura e pressa são coisas que jamais lhe cobrei. Nossos abismos nunca apartaram os atritos. Sempre fomos indigentes intelectuais mendigando algum sentido e migalhas de um segundo a mais. Mas, por tantos anos, esconderam a marca da Besta, uma queloide cardíaca que não deveria estar ali - pelo menos não no meu lado. Porque eu gosto desse nosso paradigma alucinante, dessa nossa alternância em nos comunicar. Gosto do café e do almoço, mas só gozo no jantar!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A MAL-HUMORADA DA ACADEMIA 
(gestação, nascimento e batismo) 

Há alguns meses, numa consulta periódica ao ginecologista, veio a prescrição: você vai ter de entrar pra academia!!! Como eu sei que a Academia Brasileira de Letras não acolhe ninguém por ordem médica, não tive dúvidas de que ele estava falando, sim, da tradicional academia de marombados. A razão da recomendação era a imediata necessidade de fortalecer a lombar e a musculatura pélvica. Apesar disso, fiz "ouvido de mercador". Mas não muito depois, no consultório da gastroenterologista, de quem fui buscar ajuda por conta de um refluxo, recebi a mesma ordem, só o motivo era diferente: esteatose grau 1. Eu tinha de queimar gorduras, pois elas já estavam se acumulando no fígado. "Ouvido de mercador 2, a missão", é lógico! Mas nem 3 semanas depois, tive de voltar ao ginecologista por conta de entrega de exames, e o insistente me vira e fala: aposto que está gostando da academia!!! ... Isso é impossível!!!, respondi, sem deixá-lo sequer desconfiar de que não tinha ido lá nem pra perguntar o preço. Mas não dava pra fazer "ouvido de mercador 3, a missão continua". Começava ali uma gestação das mais enjoativas. E como toda gestação, um dia ia ter que resultar num parto. 

Queria aproveitar ao máximo esse "parto" pra, sim, partir pra longe daquilo tudo e continuar a malhar o intelecto e o Espírito como eu sempre fiz. Mas porque sabia que não podia fugir, fiz o que me coube: adiei ao máximo. Como isso tudo se deu em Maio/Junho, não titubeei, e joguei logo pra 2016. Só que quando me proponho a algo, mesmo odiando eu sigo rigorosamente. E assim, em 2/1/2016, nasceu A Mal-Humorada da Academia

Ela nasceu dia 2 porque dia 1 era feriado. Mas enquanto eu planejei um parto particular, chique e confortável, a coisa não foi bem assim. A malhação do dia 2 foi pior que a malhação do Judas. Eu nunca me senti tão exposta. A Academia particular fechou antes do horário anunciado no site, e eu aproveitei que já estava paramentada, e parei pra malhar no PEC (ponto de encontro comunitário) que fica a exatos 200 passos do meu apartamento. Não contei de propósito, contei porque senti profundamente cada um deles depois dessa estreia na Partolândia do Mundo de Saade

Só tinha eu no momento em que "montei" no tal "simulador de esqui" (heim??? Quem diabos esquia em um país tropical e numa cidade desértica como Brasília???). Por um instante, achei ótimo, pois assim eu não ia ser a chacota do pedaço. Eu só não contava com os carros. Cada um que passava, fitava os olhos em mim, de certo porque apostavam que eu fosse cair, devido ao óbvio e escancarado desequilíbrio sobre o aparelho. Meu labirinto já não é dos mais colaborativos, e aliado à falta de prática, então; mas apesar do mico e das dificuldades, eu estava indo muito bem... Até um peão num Fiat podre de velho passar e gritar gostosaaa! Saí de lá tão rápido, e com apenas 15 minutos de "trabalho de parto". O "período expulsivo" foi a jato, e me deu a certeza de que não farei atividade física em público nunca mais na minha vida. Era o terceiro item a se juntar à lista de coisas que eu impus como condições básicas e inegociáveis. As duas que encabeçam a lista são: JAMAIS acordar cedo para malhar; e JAMAIS usar meião até o joelho ou estampas selvagens. 

Mas se o nascimento foi traumático, o batismo me surpreendeu. Totalmente ao acaso, no segundo dia, encontrei no caminho a minha querida amiga Moça da Bicicleta, em quem tanto me espelho pra essa nova fase. E já na academia, igualmente por acaso, encontro meu Médium de Transporte, e faço metade da série ao lado dele. Eis os padrinhos da Mal-Humorada da Academia, pois só eles mesmos pra cuidarem dela tão bem, e de forma tão compreensiva. Do padrinho, ganhei uma confortável carona pra casa; e na pausa pra repor as energias gastas, volto a ver a linda madrinha. Interessante saber que o acaso não existe. Aliás, se não fosse pela carona, que me fez tomar banho em casa, eu teria começado em maus lençóis. Na minha mochila tinha xampu, condicionador, escova e... Mais nada! Não estava levando toalha e nem uma muda de roupa limpa! A pessoa um dia antes já queimou calorias, e alguns neurônios!

Algo me diz que não, não vai ser fácil... Se eu "vingar", volto mês que vem pra contar!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

CHICO - Suprassumo Brasileiro




Nós Poetas somos atemporais. Aliás, não só não temos idade, como não temos sexo, não temos gênero, nem muito menos algemas, só asas. Prova disso é que Chico Buarque representa a minha infância, adolescência e juventude, sua inspiração assina a co-autoria de cada poema de Amor que escrevi, e isso sem eu estar perto de ser sua contemporânea. 34 anos afastam nosso nascimentos, mas seus 50 anos de carreira cabem em qualquer fatia de Tempo da Vida de qualquer um.

Segundo minha mãe, eu nasci com "os olhos do Chico". Foi o que ela afirmou tão logo me viu, fazendo brotar em meu pai um certo "pedido de explicação". Nasci com seus olhos, e fui recebendo todo o resto pelos ouvidos até que, enfim, adotei sua mesma mania de brincar com as Palavras e os Papéis (num outro nível de competência e dimensão, obviamente). Mas não daria mesmo pra ser diferente: era Os Saltimbancos na hora da papinha, era um passeio pra ver A Banda passar, era um brincar diário de Quem te viu, quem te vê na frente do espelho, e ainda ver minha irmã mais velha crescendo ao som de Essa Moça Tá Diferente. Era sair com toda a família a distribuir cobertores e sopas àquela Gente humilde, era uma Valsinha divertida com o papai pra matar a saudade quando ele chegava do trabalho, e um Acalanto garantido na hora de dormir... Assim se deu a Construção da Poeta que sou hoje! Melhor dizendo, ainda se dá. É um Cordão Cotidiano que nunca haverá de se romper. Uma Tatuagem que me dá coragem pra seguir viagem de dia e de noite, neste ano e no que vem. 




Em abril, presenteei a mim e a minha mãe com a ida a SP para ver o espetáculo Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos - peça criada em homenagem aos seus 70, completados no ano passado. Queria agradecê-la à altura por ter me inundado com esse Universo, proporcionando a nós duas uma noite especial. E quando eu achei que conhecia muito da obra desse gênio, vi que conhecia quase nada! Quando achei que seria uma noite de nostalgia, me vi numa noite de aprendizado. Senti que ainda precisava viver umas duas encarnações no mínimo pra conseguir conhecer toda sua obra, da primeira à última palavra. 


Mas com o filme Chico - Artista Brasileiro, não consegui fazer o mesmo, e assistir ao lado dela. Pelo menos, graças a Deus, vi ao lado de duas pessoas que entendiam perfeitamente a dimensão daquele filme pra mim, e estávamos todas na mesma "vibe". Mentalizava minha mãe o tempo todo, sentia até o cheiro da nossa casa da QI 27, me fazendo crer que não estava em uma sala de cinema, mas sim, na sala de casa, recebendo Chico e seus amigos como visita. E essa sensação de que somos um grupo só, e atemporais, ficou evidentemente Clara quando ela mesma cantou ao lado de seu avô, acompanhada do irmão e da prima. 3 gerações - a do Chico, a minha e de seus netos - cabiam num mesmo Espaço, numa mesma fatia de Tempo. Assim como coube ainda a voz de Marília Pera (nos confirmando sua imortalidade), que nos carregou a conhecer o Buarque Alemão; e couberam também tantos estupendos intérpretes que permearam o enredo, com destaque pra Laila Garin, cantando A Canção Desnaturada de uma forma bárbara, sim, mas em nada desumana - muito pelo contrário!


Chico diz que não é Poeta. Se ele não é, então ninguém mais pode ser (muito menos eu!). Mas entre ele dizer que não é Poeta e de fato não ser um há uma distância abissal. Porque ele é sim, e o melhor entre os melhores. Ele é plural porque é Poeta, é letrista, é músico, autor teatral, romancista, pai, avô, filho e irmão até de um alemão. É plural porque é Chico, é Tom, Vinícius, Edu, Toquinho... É plural porque está em si, e ainda em Caetano, em Betânia, em Ney Matogrosso, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto, Mart´nália, e até em Carminho, do outro lado do oceano. 

Miguel Faria Jr., assim como em Vinícius, fez o melhor serviço ao público que podia fazer: mostrar e exaltar um verdadeiro artista. Alguém que não se contaminou pela fama, pelo dinheiro, e que apesar de já ter feito tanto, é consciente de que a Vida não pára, e que os desafios são uma importante força motriz. Um verdadeiro artista que tem consciência do poder transformador de sua Arte, e a usa sem moderação, sem medo de preconceitos, censuras, nem de exílio.

E quem tem vontade de sair do exílio poético, e ainda aqueles que nem imaginam estar em exílio sentimental, a porta de saída é a porta de entrada do cinema mais próximo de você. 


Aproveite essa fonte de Luz 
Que mora nos olhos azuis
Que rima com tudo que se estima
Obra-prima que a todos se destina
E em qualquer Língua se traduz!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Colecionador de Amnésias




E tudo o que lhe restava era aquele cantinho de parede quase em ruínas, marco zero de uma rota de fuga que ele não se lembrava mais onde ia dar. Ele tocava cada centímetro buscando ler nos rejuntes descascados alguma pista que o ajudasse a não se perder ainda mais. Vivia ali uma solidão vigiada, onde observava os transeuntes baterem ponto nas cercanias a expectá-lo, a apostar se havia enfim chegado o dia em que ele daria um passo a frente... Mas tudo o que lhe bastava era colecionar ali indícios a serem decifrados no momento seguinte! Uma pétala de rosa morta fora posta ali por quê? E há quanto tempo jazia a resistir ao vento, às chuvas, aos dedos intrometidos dos transeuntes? Aquele pedaço de papel verde com marcas de batom havia chegado depois de qual noite? E de qual boca ele provinha? Ele se esqueceu de tudo, e funcionava naquele automático que diariamente o carregava cego, surdo e mudo até ali, e tão somente até ali. Esqueceu nomes, telefones, cores e formas, só não se esqueceu do medo de avançar, pois o medo insistia em acompanhá-lo independente do porquê... 

Até que um dia, no comecinho do fim de um ano qualquer, as horas decidiram acordá-lo mais cedo, e o vento enfim moveu aquela pétala morta, e de quebra também o seu medo tosco. O vento carregou aquela folhagem e empurrou aquela coragem antes em coma profundo. E atrás daquelas árvores, túmulos. E dentro daqueles túmulos, memórias. Lembranças soterradas, resumidas a nomes e datas, cobertas com flores mortas, algumas sucatas, e nada mais. Os transeuntes aquele dia circulavam por lá. Cada um desencavando suas memórias e buscando enterrar outras que não lhes serviam mais. E os papéis então se invertiam. Era ele, e tão somente ele, o expectador daquele intercâmbio vazio, um surto coletivo diante de fatos que gostariam de ver desmentidos... 

Até que ele se lembrou justamente disso: do quanto algumas lembranças pedem para ser esquecidas, pois não sabem ser futuras; urgem pelo próprio fim assim como as dores clamam por suas curas... E dali ele seguiu, em marcha a ré, contra o vento, de volta ao ponto de partida. Posto que tudo o que lhe bastava era seu reconfortante acervo de Inexistências, a tornar eternamente faltante aquela que vinha a ser sua maior Ausência!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Eu te Rejeito, 
Em nome do Bento Pai, do Doce Filho, e do Espírito Santo

  
   
 

Eu te Rejeito 
E te exorcizo 
Em nome da Santa Cruz

Tendo a meu lado 
A população mineira em ação, 
Eu te Rejeito
Maldita mineração! 

E mesmo sob a Regência triste 
De uma araponga, 
A barra vai ser dura, pesada 
Vai ser uma Barra Longa 
Mas eu barro teu barro em Oração! 

Eu te Rejeito
Eu te combato, 
Precita omissão! 

Se o fundo do teu poço tem Fundão 
A jorrar lama que varre a Mata 
E também mata Mar & Ana 
Lama que espalha 
Todo tipo de podridão, 
A barra vai ser dura, pesada, 
Vai ser uma Barra Longa, 
Mas eu barro teu barro em Oração! 

Eu te Rejeito
Tu e este teu Marco que não Vale nada! 
Que se priva de prevenir 
E mais ainda de remediar tua pobre Mãe, 
Por ti soterrada, mas não vencida... 
Rejeito quem com Ferro fere 
E com Mercúrio, piora a ferida! 

De que Vale mesmo privatizar? 
Vale tudo até não restar nada! 
Vale transformar um leito fecundo 
Num estreito moribundo 
De cada espécie devastada! 

De que Vale mesmo privatizar? 
Vale transformar o Mundo no Imundo; 
E o que é de todo mundo, 
Numa verdadeira 
PRIVADA!


maria eduarda novaes

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

~UMA SAUDADE BOA DE SE SENTIR~


Alguém de quem gosto taaaaanto - pra DêDel mesmo! - hoje mexeu com as minhas Saudades, aquelas tão boas de se sentir... Senti saudade do tempo em que lhe escrevia cartas e enfiava nas gavetas, primeiro porque achava que jamais chegariam ao destino; ou, se chegassem, soariam como um desatino... Senti saudades dos dias em que lhe preparava um presente curtindo a vibração do primeiro encontro, e alimentando a empolgação do reencontro onde eu, enfim, iria presenteá-la... Senti o cheiro do papel cortado (sim, papel cortado tem cheiro! Pelo menos pra mim!), e também da cola. Pude ouvir o barulho do durex, e da tesoura que não parava de cair... Conhecer a história de algo ou alguém que tanto se gosta e admira é um privilégio de poucos. É um privilégio porque têm de se convergir tantas variáveis, o que faz disso algo raro e especial. Sair do sonho sonhado para o sonho realizado exige muito mais que imaginação e esforço próprios: exige uma dose de energia que nunca virá de você. Virá da Sorte - quando vier de algo; ou de um outro Peito - quando vier de alguém... Tudo que sei é que a Energia que se originou dessas tantas que se convergiram aqui ainda não se dissipou, aliás, sei que não hão de se dissipar nunca, porque jamais vou parar de alimentá-la. Isso porque ela não é só minha, é dela também! É, talvez, o presente mais significativo que posso lhe dar em troca depois de tudo o que já recebi! E de tudo, claro, sempre há de nascer algum Poema... 





terça-feira, 1 de setembro de 2015

Quebra-Cabeça / Cola-Coração



...Se o Amor é um Quebra-Cabeça? Acho que até pode ser! Mas não sou do tipo que acredita que "só é Amor" apenas quando todas as peças se juntam. Não, não é assim! Basta uma peça e já é Amor, e sabe por quê? Porque essa peça jamais pertencerá a nenhum outro lugar. Ela não se encaixará em outro canto senão ali. Então, sim, uma só já basta! 

Basta um olhar, que já é Amor! Basta um sorriso, que já é Amor! Basta um abraço... Basta um beijo... Basta um cheiro... Um sussurro... Um gemido... Um suspiro... Basta tão somente um Imaginar! Basta uma única palavra do enredo! Basta, simplesmente, um simples e inocente Segredo...

sábado, 22 de agosto de 2015


Vera VOLTZ
Um COQUEtel de energias
Minha diversão da hora é beber de um coquetel energético pra lá de inebriante. Melhor dizendo, "inebrilhante"!!!

Coincidência ou não, comecei a escrever este post no computador do trabalho, quando de repente... Puff... Ele pifou!!! Bem como o de um colega! "Oscilação na corrente", confirmou o técnico, algo que eu já desconfiava. Só me restou rir e tentar dimensionar, ainda que minimamente, o poder e o alcance dessa mulher, dessa atriz, desse ser humano fantástico que é Vera Holtz.


Há pouco tempo, ela entrou no universo do Facebook, e seu perfil tem sido então minha visita diária obrigatória. Minha e de mais de 110 mil seguidores, interessados em nos tornar 220...Voltz, como ela!!! Somos uma legião de pessoas em busca de recarregar as baterias numa original e criativa corrente cujo cerne, eu diria, é o Coque. Sim, o Coque. Vera escreve e protagoniza uma série chamada "Para que serve o famigerado Coque?", onde já pendurou, além de sua coroa básica, os balões e a vela de seu aniversário, o carregador do celular, e sacolas; e além disso - pasmem! - já colocou na boca um carregador de celular ligado na tomada, e pousou sobre a cabeça até um ferro de passar. "Desligado, mas jamais desliguem suas ideias criativas", foi seu recado!
Eu vivo de coque, é como um Amor que não me sai da cabeça; e me julgo um ser até bastante criativo, mas Vera e sua veia cômica literalmente "plugada" me mostraram que um coque é uma arma poderosa, que pode ir muito além de - no meu caso - domar fios rebeldes oriundos de uma fonte sem qualquer paciência para lidar com eles. Só de descobrir uma nova maneira de carregar as compras do mercado, já me valeu por uma lição de vida!
                                
Só que muito antes de o Facebook sonhar em existir, Vera já tinha entrado no meu Universo. Bem, melhor dizendo, meu Universo esbarrou no dela. Como eu sou uma pessoa de muita sorte, nasci no mesmo país que ela, e dentro de um espaço cronológico que me permitiu vê-la atuar, ao invés de só saber de sua existência através de livros de História da Arte. Me apaixonei pela mesma profissão, embarquei nela, e como não podia ser diferente, não demorou nada para a dona do coque mais famoso da web se tornar uma das minhas mais fortes influências. Nosso primeiro encontro foi em Brasília, em Mil Novecentos e Adão e Eva (brincadeira, foi em 1997 mesmo, nenhuma de nós é tão velha assim!), quando ela estava em cartaz com a peça Pérola, do saudoso Mauro Rasi.


                                  
Meu diretor de teatro na época, Marcelo Souza, era o produtor local. Fiz a ele a exigência de me permitir entrar no camarim para conhecê-la. Assisti duas vezes, e na primeira fomos eu e minha mãe, apenas. Havia uma parte da peça em que ela fazia uma dança, mas segundos antes, em cena mesmo, bateu o joelho numa parte do cenário e o povo todo ali viu que ela fez a dança e o resto da peça "no sacrifício". Na hora do camarim, deixou a expressão de dor de lado e era só sorrisos aos fãs. Minha mãe a parabenizou principalmente pelo esforço, ela agradeceu e então virou-se pra falar comigo. "Mas que olhos lindos esses seus! (quase os fecho de tanta timidez), a senhora caprichou, heim!?", voltando-se para minha mãe. "Eu te trouxe um presente especial!", falei, entregando o embrulho (este que ela segura na primeira foto). Quando abriu... Que escândalo! "Geeeente, olha o que eu ganhei! Meu Deus, olhem isso! Um brinco de Pérola!". Fez toda a equipe parar o que fazia pra curtir com ela o presente que chamou de "mais original e carinhoso, impossível". Fui coberta de beijos e abraços apertados, fizemos nossa foto, e eu saí de lá flutuando. Antes de ir embora, Marcelo disse a ela e aos parceiros de elenco que no dia seguinte todo o grupo do "Auto da Compadecida" estaria lá pra vê-los. "Oba, então a Duda volta amanhã? Que ótimo!", foi essa deliciosa demonstração de carinho que me carregou até em casa feito o Tapete do Aladdim. E dura foi a espera ansiosa das 24h seguintes... Quando voltei, fui a primeira do grupo a ganhar o kit beijo-abraço, e a galera do "Auto" se transformou pra ela em "os amigos lindos da Duda". E ela fez questão de tirar uma foto conosco em sua própria máquina, e também na da produção. "Senão só vocês terão a foto, não pode!", ela dizia. Uma pena eu não ter mais essa foto do coletivo, só as duas individuais, uma de cada dia, uma para cada dia que estive pessoalmente ao lado dessa pessoa incrível, dessa atriz talentosíssima, dessa artista tão criativa e igualmente generosa.



O Facebook me faz sentir ao lado dela de novo, porque ela é um alguém tão marcante e tão presente que suplanta detalhes bobos como distância física, tela de computador, anonimatos, etc. Além disso, é uma grande amiga e amada de grandes amigos e amados meus, o que contribui e muito pra essa sensação de proximidade.


Coquetel de remédios antidepressivos? Litros de uísque com energéticos? Que o quê! Ninguém precisa de nada mais que uma dose diária de Vera Holtz, e seu Coque Versace - digo, Versátil!
PS - e se ela estiver acompanhada de Luis Melo, a coisa fica ainda melhor...

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

~A Síndrome da Sala de Embarque~


Eu queria comprar o mesmo desinfetante que usam nos aeroportos para usar na minha casa. Para descansar e dormir com aquele clima, aquela sensação de estar iniciando uma grande viagem - aquela pela qual tanto se esperou... Quero montar um papel de parede com banners de companhias aéreas, empresas de aluguel de carro, e agências de viagens; transformar minha cozinha num mini-bistrô; e minha biblioteca, num mini quiosque de livraria; trocar meu sofá por uma longarina; e ter como escultura decorativa um painel eletrônico com horários de voos. Seria incrível ver as Partidas sem me sentir partida ao meio, e também ver as Chegadas imaginando as histórias fantásticas que cada passageiro trouxe na bagagem. Eu só queria tornar física e visível a minha tão deliciosa Síndrome da Sala de Embarque. Sim, deliciosa. Quando a palavra "síndrome" surge no contexto, sempre remete a algo ruim, eu sei! Mas essa veio pra confirmar a regra, já que toda regra tem sua exceção. Ela é uma cura, um antídoto para todas as outras. É alucinatória, é abdutora, é uma verdadeira redenção. Porque na minha Sala de Embarque não existem atrasos. Ninguém nunca chegará tarde demais. E eu jamais perderei um voo sequer... ... ...

 
 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

~"Almor" Sater~

Porque não existe sonho impossível! 
A gente é que não sabe como, quando ou onde vivê-lo...

Dizem que Vida é aquilo que acontece enquanto a gente faz Planos. Por isso, eu não faço planos. Eu vivo tudo que quero viver, cada coisa em seu lado certo, o lado possível!

Aos 12 anos, descobri Almir Sater como ator na novela Pantanal. Minha irmã, quase 6 anos mais velha, se apaixonou por ele, e generosamente me carregou nessa onda. Na época, meu lado Atriz já estava acordado há tempos, eu já sabia ver a coisa com outros olhos. O que eu ainda não sabia é que nascia ali, naquele exato momento, através daquele peão-violeiro fazendo vezes de ator, o meu lado Poeta. 

No ano seguinte, 1991, chegavam Ana Raio e Zé Trovão. Era, enfim, a hora de entender tudo! 

Foi entre quatro paredes, entre dois lados de uma fita quase gasta, e entre tantas páginas de uma agenda preenchida no melhor estilo "Meu Querido Diário", que descobri que um homem que partilhava comigo um nome e um dia, na verdade partilhava bem mais que isso... Almir Eduardo, nascido num 14, foi o eleito entre os Mentores para me trazer o que hoje tenho de mais precioso e poderoso: a POESIA. E nela, ao inebriante som de uma Viola, juntos viajamos numa Chalana, num Trem de Lata; conduzimos boiadeiros e boiadas; partimos em Missões Naturais, e tocamos cada Fronteira; vimos tanta Água Que Correu, e ainda Milhões de Estrelas... Fomos aonde tudo é sertão, tudo é paixão se um Violeiro toca, aonde a Viola, o Violeiro e o Amor se tocam... Sim, foi graças a ele que tudo começou, e é graças a ele que jamais terminará!

Pouco tempo depois, Almir anunciava um show em Pirenópolis/GO, tão pertinho de casa. Minha irmã, já maior de idade, foi; mas minha mãe não me deixou acompanhá-la. Me frustrei sim, me senti injustiçada, mas pra me compensar, ela trouxe na bagagem tantos detalhes, e uma foto que, com o tempo, foi ficando cor-de-rosa. Emblemático e simbólico? Sem dúvida! Porque ali entendi que esse meu mundo já era cor-de-rosa. Entendi que não precisava do físico pra nada, por isso não mais me importei minimamente em buscá-lo. Em ritmo plácido, e sempre deste lado, vivi mais de duas décadas imersa e preenchida não apenas por um rio Paraguai, mas por um oceano inteiro, infindável, de Poesias em Acordes. Não era preciso mais, nem me julgava merecedora de mais... Mas merecedora, pelo menos, acho que me tornei depois desse tempo todo. 

Carregada por 3 anjos, fui parar em um lugar onde o Portal da Distância eram simples mesas e cadeiras. Não houve olhos nos olhos, nem braços em abraços, mas Voz e Viola agora eram Ao Vivo. O Trem do Pantanal agora navegava em minhas lágrimas... 25 anos ouvindo sem ver, sentindo sem ter, e de repente tenho mais do que já quis buscar. Posso dizer que realizei um Sonho? Não exatamente! Digo apenas que tive o privilégio de vivê-lo por algumas horas também nessa dimensão aqui. Digo ainda que, ora numa Chalana, ora em algum Trem, Almir sempre me trouxe todas as Palavras do Mundo, e me ensinou a criar tantas mais; mas quando é para falar dele, ou para ele, não sei dizer uma sequer. Ainda bem que ele sempre sabe o que dizer, por mim e por ele, como perfeitamente resumiu assim...


Te amo em sonhos
(Almir Sater, Rodrigo Sater e Paulo Simões)

Toda minha vida, esperei você
Inventando estórias... Sempre imaginei
Quanto tempo na memória, eu te desenhei
Te amo em sonhos! 
E é como um lindo amanhecer...

Toda minha vida, pude perceber
Que a verdade insiste em aparecer
Se as palavras forem ditas, e se a gente crer
Te amo em sonhos! 
E é como um livro bom de ler...

Sei dos seus desejos, e do seu prazer
Onde estão seus medos, posso entender
Só o tempo sabe agora, e como vai ser
Eu canto em sonhos pra teu sorriso merecer...

Já não há motivos, nada a temer
Olhe em sua volta e você vai ver
Que é aqui, chegou a hora, pode aparecer
Eu amo, eu canto, eu sonho, eu vivo pra você!

quarta-feira, 24 de junho de 2015



Nome? 
João, se este é minha inspiração; Maitê, se esta me lê; ou José, se este me quer. 

Profissão? 
Quando fiz Medicina, era radiologista de Almas. Quando fiz Direito, fui Desembargador de Prantos. Quando fiz Engenharia, virei construtor de um Amor-como-nunca-Civil. Foi então que entendi que não sou nada além de um Biógrafo dos Sentimentos.

Data de Nascimento? 
Depende! Para a Sabedoria, só sei que não nasci ontem. Para o Amor, nasço a cada novo minuto. Para a Ilusão, só nasço no Outono, quando caio e me rastejo feito as folhas ao vento. E pra Tristeza, creio eu, jamais irei nascer.

Estado Civil?
Civilizado! Tenho estado Sutil... Se bem que, confesso, tantas vezes tenho estado Explícito: ora ilícito, ora febril; mas, geralmente, sou solícito e gentil!      

Tipo Sanguíneo? 
Praticamente todos. Sou principalmente A-moroso, mas em nada vagaroso; sou também O-timo, onde mora meu Íntimo; e até AB-sorto num oceano de Ideias.


Faz exames médicos periodicamente?

Faço exames de consciência constantemente, precisa mais?

Então, não tem medo da Morte, ou mínima resistência? 
Medo, nenhum! Mas, sim, uma baita resistência, já que Poeta não morre, vira Reticências... ... ... ... 

Comida predileta? 
Sopa de Letrinhas, e um Sonho de sobremesa.

Um hobby? 
Caça-Palavras. Embora goste bem mais quando elas se vingam e vêm me caçar.

Pratica algum esporte? 
Pratico Equilibrismo, basicamente. Tenho um pé no escondido e outro no escancarado. Mas também pratico Pesca.

Submarina? 
Sub Marina, Sobre Marina, e por onde mais Marina me permitir pescar-lhe algo.

Um predicado? 
Tudo poder predicamentar. 

Um pecado? 
Nada querer predicamentar.

Melhor amigo? 
A Amizade.

Maior inimigo? 
Certamente, a Inimizade.

O melhor de todos os Lugares? 
Sempre o que te faz não querer estar em outro mais.

O maior de todos os Medos? 
Superá-los todos, e assim perder a Prudência, a mais poderosa das proteções.

A pior de todas as Doenças? 
Esquecer de cor.

A pior de todas as Dores? 
Aquela tão frágil que morre na hora por um comprimido, mas não sem antes, por pura maldade, te fazer sentir-se comprimido, só esperando a hora de morrer.

Tipo uma enxaqueca?
Que nada! Enxaqueca é dor amiga, é gostosa. É o conjunto de contrações de Poemas que estão para nascer.

A Maior de todas as Dúvidas? 
Nunca saber se na verdade choro com um sorriso no rosto, ou se rio com lágrimas nos olhos.

A maior de todas as Belezas? 
Minhas musas inspiradoras, as irmãs gêmeas Sinceridade e Honestidade.  

A melhor de todas as Viagens? 
Sempre a que se faz através do Livro que se lê enquanto se aguarda a aterrizagem por sobre o próximo. 

O maior de todos os Sonhos? 
Quando jovem, acreditava que seria encontrar o que sonhou comigo antes. Mas hoje, sei que o maior de todos os Sonhos é sempre o que te obriga a ser maior que ele pra alcança-lo. 

A maior de todas as Lições? 
Essa não resta dúvidas: é sempre aquela que a gente ainda não aprendeu.