segunda-feira, 6 de julho de 2015

~"Almor" Sater~

Porque não existe sonho impossível! 
A gente é que não sabe como, quando ou onde vivê-lo...

Dizem que Vida é aquilo que acontece enquanto a gente faz Planos. Por isso, eu não faço planos. Eu vivo tudo que quero viver, cada coisa em seu lado certo, o lado possível!

Aos 12 anos, descobri Almir Sater como ator na novela Pantanal. Minha irmã, quase 6 anos mais velha, se apaixonou por ele, e generosamente me carregou nessa onda. Na época, meu lado Atriz já estava acordado há tempos, eu já sabia ver a coisa com outros olhos. O que eu ainda não sabia é que nascia ali, naquele exato momento, através daquele peão-violeiro fazendo vezes de ator, o meu lado Poeta. 

No ano seguinte, 1991, chegavam Ana Raio e Zé Trovão. Era, enfim, a hora de entender tudo! 

Foi entre quatro paredes, entre dois lados de uma fita quase gasta, e entre tantas páginas de uma agenda preenchida no melhor estilo "Meu Querido Diário", que descobri que um homem que partilhava comigo um nome e um dia, na verdade partilhava bem mais que isso... Almir Eduardo, nascido num 14, foi o eleito entre os Mentores para me trazer o que hoje tenho de mais precioso e poderoso: a POESIA. E nela, ao inebriante som de uma Viola, juntos viajamos numa Chalana, num Trem de Lata; conduzimos boiadeiros e boiadas; partimos em Missões Naturais, e tocamos cada Fronteira; vimos tanta Água Que Correu, e ainda Milhões de Estrelas... Fomos aonde tudo é sertão, tudo é paixão se um Violeiro toca, aonde a Viola, o Violeiro e o Amor se tocam... Sim, foi graças a ele que tudo começou, e é graças a ele que jamais terminará!

Pouco tempo depois, Almir anunciava um show em Pirenópolis/GO, tão pertinho de casa. Minha irmã, já maior de idade, foi; mas minha mãe não me deixou acompanhá-la. Me frustrei sim, me senti injustiçada, mas pra me compensar, ela trouxe na bagagem tantos detalhes, e uma foto que, com o tempo, foi ficando cor-de-rosa. Emblemático e simbólico? Sem dúvida! Porque ali entendi que esse meu mundo já era cor-de-rosa. Entendi que não precisava do físico pra nada, por isso não mais me importei minimamente em buscá-lo. Em ritmo plácido, e sempre deste lado, vivi mais de duas décadas imersa e preenchida não apenas por um rio Paraguai, mas por um oceano inteiro, infindável, de Poesias em Acordes. Não era preciso mais, nem me julgava merecedora de mais... Mas merecedora, pelo menos, acho que me tornei depois desse tempo todo. 

Carregada por 3 anjos, fui parar em um lugar onde o Portal da Distância eram simples mesas e cadeiras. Não houve olhos nos olhos, nem braços em abraços, mas Voz e Viola agora eram Ao Vivo. O Trem do Pantanal agora navegava em minhas lágrimas... 25 anos ouvindo sem ver, sentindo sem ter, e de repente tenho mais do que já quis buscar. Posso dizer que realizei um Sonho? Não exatamente! Digo apenas que tive o privilégio de vivê-lo por algumas horas também nessa dimensão aqui. Digo ainda que, ora numa Chalana, ora em algum Trem, Almir sempre me trouxe todas as Palavras do Mundo, e me ensinou a criar tantas mais; mas quando é para falar dele, ou para ele, não sei dizer uma sequer. Ainda bem que ele sempre sabe o que dizer, por mim e por ele, como perfeitamente resumiu assim...


Te amo em sonhos
(Almir Sater, Rodrigo Sater e Paulo Simões)

Toda minha vida, esperei você
Inventando estórias... Sempre imaginei
Quanto tempo na memória, eu te desenhei
Te amo em sonhos! 
E é como um lindo amanhecer...

Toda minha vida, pude perceber
Que a verdade insiste em aparecer
Se as palavras forem ditas, e se a gente crer
Te amo em sonhos! 
E é como um livro bom de ler...

Sei dos seus desejos, e do seu prazer
Onde estão seus medos, posso entender
Só o tempo sabe agora, e como vai ser
Eu canto em sonhos pra teu sorriso merecer...

Já não há motivos, nada a temer
Olhe em sua volta e você vai ver
Que é aqui, chegou a hora, pode aparecer
Eu amo, eu canto, eu sonho, eu vivo pra você!

quarta-feira, 24 de junho de 2015



Nome? 
João, se este é minha inspiração; Maitê, se esta me lê; ou José, se este me quer. 

Profissão? 
Quando fiz Medicina, era radiologista de Almas. Quando fiz Direito, fui Desembargador de Prantos. Quando fiz Engenharia, virei construtor de um Amor-como-nunca-Civil. Foi então que entendi que não sou nada além de um Biógrafo dos Sentimentos.

Data de Nascimento? 
Depende! Para a Sabedoria, só sei que não nasci ontem. Para o Amor, nasço a cada novo minuto. Para a Ilusão, só nasço no Outono, quando caio e me rastejo feito as folhas ao vento. E pra Tristeza, creio eu, jamais irei nascer.

Estado Civil?
Civilizado! Tenho estado Sutil... Se bem que, confesso, tantas vezes tenho estado Explícito: ora ilícito, ora febril; mas, geralmente, sou solícito e gentil!      

Tipo Sanguíneo? 
Praticamente todos. Sou principalmente A-moroso, mas em nada vagaroso; sou também O-timo, onde mora meu Íntimo; e até AB-sorto num oceano de Ideias.


Faz exames médicos periodicamente?

Faço exames de consciência constantemente, precisa mais?

Então, não tem medo da Morte, ou mínima resistência? 
Medo, nenhum! Mas, sim, uma baita resistência, já que Poeta não morre, vira Reticências... ... ... ... 

Comida predileta? 
Sopa de Letrinhas, e um Sonho de sobremesa.

Um hobby? 
Caça-Palavras. Embora goste bem mais quando elas se vingam e vêm me caçar.

Pratica algum esporte? 
Pratico Equilibrismo, basicamente. Tenho um pé no escondido e outro no escancarado. Mas também pratico Pesca.

Submarina? 
Sub Marina, Sobre Marina, e por onde mais Marina me permitir pescar-lhe algo.

Um predicado? 
Tudo poder predicamentar. 

Um pecado? 
Nada querer predicamentar.

Melhor amigo? 
A Amizade.

Maior inimigo? 
Certamente, a Inimizade.

O melhor de todos os Lugares? 
Sempre o que te faz não querer estar em outro mais.

O maior de todos os Medos? 
Superá-los todos, e assim perder a Prudência, a mais poderosa das proteções.

A pior de todas as Doenças? 
Esquecer de cor.

A pior de todas as Dores? 
Aquela tão frágil que morre na hora por um comprimido, mas não sem antes, por pura maldade, te fazer sentir-se comprimido, só esperando a hora de morrer.

Tipo uma enxaqueca?
Que nada! Enxaqueca é dor amiga, é gostosa. É o conjunto de contrações de Poemas que estão para nascer.

A Maior de todas as Dúvidas? 
Nunca saber se na verdade choro com um sorriso no rosto, ou se rio com lágrimas nos olhos.

A maior de todas as Belezas? 
Minhas musas inspiradoras, as irmãs gêmeas Sinceridade e Honestidade.  

A melhor de todas as Viagens? 
Sempre a que se faz através do Livro que se lê enquanto se aguarda a aterrizagem por sobre o próximo. 

O maior de todos os Sonhos? 
Quando jovem, acreditava que seria encontrar o que sonhou comigo antes. Mas hoje, sei que o maior de todos os Sonhos é sempre o que te obriga a ser maior que ele pra alcança-lo. 

A maior de todas as Lições? 
Essa não resta dúvidas: é sempre aquela que a gente ainda não aprendeu.

domingo, 31 de maio de 2015

Entre um enxame de importantíssimas questões
(atenção: contem spoilers) 

O filme Entre Abelhas, roteirizado e protagonizado por Fábio Porchat, foi, pra mim, o filme nacional que faltava para equivaler a Quero ser John Malkovich no gênero-alternativo "abordar o banal de forma original"; pois o que faz um fato ser importante e atraente é simplesmente a maneira de contá-lo. 

No longa americano, o eterno desejo que o ser humano tem de viver a vida do outro, achando que esta é sempre mais fácil e mais prazerosa que a sua, é contado de uma forma tão diferente que, à época, a maioria das pessoas detestou, e só conseguiu adjetivar a obra como "sem noção", "ridícula", e afins. Com Entre Abelhas, li as mesmas críticas/expressões, mas não pelo filme como um todo, e sim, especificamente, pelo final. 

O público brasileiro ainda não está acostumado a finais abertos. Ele sempre pensa que "o autor não soube terminar, e aí fez essa M...". Brasileiro está acostumado a receber respostas, não a fazer perguntas. E este filme, do começo ao fim, é um enxame de questionamentos, para os quais, talvez, nunca tenhamos uma resposta exata. Mas a Filosofia há séculos nos diz que mais importante que a resposta é a pergunta, pois uma pergunta correta geralmente vem com a resposta embutida. É feito um eco perfeito, um bumerangue de radar preciso. Então, quem soube fazer as perguntas certas, e compreender as que o próprio filme fez, não precisou da plaquinha de the end.

Entre Abelhas fala da Depressão, do Isolamento ao qual se rende aquele que vê sua zona de conforto desfeita da noite para o dia, e os confrontos enfim acontecem... Conforto e Confronto: palavras tão parecidas, mas ao mesmo tempo tão antagônicas!... O filme mostra como é difícil mudar o foco, e quebrar paradigmas; e sobretudo o que acontece quando mudamos o foco e quebramos os paradigmas. E para tal, temas como a invisibilidade social, o machismo, e mesmo o descaso com o lado profissional (que geralmente ocupa mais da metade do nosso tempo de Vida) permeiam a trama corroborando sua temática. 

Cenas aparentemente sutis gritam como mensagens subliminares. No ponto de ônibus, o primeiro "invisível" que é visível ao público é um negro que pergunta a Bruno para onde vai o ônibus; e é uma senhora idosa que responde ao rapaz, já que o protagonista o ignora. Um negro e uma idosa: dois entes sociais altamente ignorados no dia-a-dia. Outro "invisível" que é visível para nós é o garçom, que Bruno diz, sem perceber que ele está ao lado pronto para serví-lo, que "por 300 reais, comeria até merda!". O motorista de táxi tenta ser cordial, pois sabe ele que seu passageiro é a parte mais importante de sua profissão, que deve ser seu foco; mas Bruno demonstra que ele não lhe é importante, fazendo-o, então, simplesmente "sumir". Só depois de se desfocar do celular (representação física perfeita da máxima individualidade no mundo moderno) e se voltar para o homem, é que ele percebe sua ausência. Outra sutileza interessante foi no consultório médico, quando o doutor diz à mãe de Bruno que ela só tem "gases", ignorando a queixa da paciente, deixando de examiná-la e assim diagnosticar o problema cardíaco que viria a vitimá-la. Descaso com a vida humana, que se reflete de inúmeras maneiras entre nós, espantosamente incluindo aqueles que juraram defendê-la. Descaso com os humanos que julgamos não significarem nada para nós é o arroz-com-feijão, o pão nosso de cada dia; e só quando nos sentimos assim, insignificantes para os demais, é que de fato faz-se a Luz...

Bruno se separa da mulher e volta pra casa da mãe. Seu melhor amigo, Davi, pensa que a solução do problema está em mergulhar profundamente no círculo vicioso tipicamente masculino: noitadas com mulheres, álcool e futebol. Além disso, Davi traz a Bruno os seus próprios problemas, deixando-o sem espaço para pedir socorro em solucionar seu drama, que parte do óbvio: entender minimamente o problema para encontrar a solução. Na boate, Bruno recebe de uma profissional do lugar uma atenção atípica, bem diferente da prevista, o que claramente chama a sua atenção; além de reparar numa cadeira vermelha que queria dar de presente à ex-esposa. 

É a partir daí, quando se vê desolado e desamparado, que o protagonista passa a perceber a ausência das pessoas. Começa justo aí a maneira original e interessantíssima de se contar o outro lado da moeda. Bruno passa, na verdade, a se ver jogando no outro time. Ele passa a sentir na pele a invisibilidade gerada pelo egocentrismo. Ele passa a se focar no Mundo ao redor, e percebe que este Mundo não está focado nele. Por isso que visível a ele, só os que têm algum papel em seu conflito. Ou seja, ele mesmo só é visível para estas pessoas em questão.

No consultório do médico, Bruno faz uma alusão às colmeias, afirmando que cada abelha já nasce sabendo sua função, mas que mesmo assim elas estão saindo em missão sem conseguirem voltar. Diz se sentir como essa abelha que se perdeu, que foi parar ali para não morrer, mas seu instinto mostra que tem de voltar pra lá. É uma metáfora perfeita para falar da Depressão, que é quando a pessoa não vê saída para um problema, não percebe que há Vida além da sua Zona de Conforto, sentindo-se perdida e confusa longe das Abelhas-Rainhas que o orientam e protegem. Por isso, após perder a mãe, e perceber que a mulher de fato não reataria a relação, Bruno chega à fronteira entre sua colmeia e uma nova capaz de absorvê-lo.  

A grande cartada, que prova isso, é só restarem visíveis ao fim a moça da boate, e ele mesmo, com o telefone dela escrito na testa. E quando ele a procura, todo o resto some, incluindo nós, telespectadores, num black-out onde nada mais se vê, e só o que se ouve é um "alô". A moça representa um recomeço, o retorno à colmeia onde a única certeza que se tem é que nada mais será como antes. Nada mesmo. É a razão de o "fim" não trazer nada mais que a última parte comum a todos nós. Depois daquele "alô", apenas ele, ela e novas abelhas... Eis a ideia central/solução: mudar o foco e seguir em frente. 

Quando o cartaz questionou o que a gente faria se parasse de ver as pessoas, antes mesmo de ver o filme eu me fiz a pergunta oposta: o que a gente fariam se começassem a VER as pessoas??? A reparar no mundo que nos cerca, e sobretudo entender que somos parte dele, e não o seu centro??? O que a gente faria se finalmente entendesse nossa função na colmeia??? Creio que, minimamente, não nos perderíamos mais! Depressão nada mais é que falta de um foco além de nós mesmos; de perspectiva; é sobretudo resultado da falta de autoconhecimento e de conhecimento do que nos cerca. Quem se enxerga bem, e sobretudo enxerga além de si é capaz de ver a quantidade inesgotável de colmeias e caminhos para se chegar até elas.
 
Maravilhoso ver que há vida inteligente na nossa colmeia. Vida capaz de guiar as abelhas que nunca sequer entenderam a sua função, ou aquelas que se perderam no meio do caminho. Sem abelhas não há polinização. Sem polinização não há Vida. Ninguém vive só, e ninguém vive à toa. Ainda bem que eu vivo para ver coisas assim...

quinta-feira, 21 de maio de 2015

"Os Dez Mandamentos da Arte de Atuar"
estrelando: Deneasy del Vecchio & Paulo Gorgulho




Nada é minimamente obra do acaso, é simples detalhe, ou um adereço qualquer. Nós quem não observamos atentamente, ou não sabemos interpretar. Bem... "Nós" os reles-mortais, porque alguns sabem interpretar como ninguém mais, fazendo tudo parecer tão fácil, e digno de toda a admiração do mundo.

No ar em uma novela literalmente divina (característica do que é excelente, santa e bela), que traz o que há de excepcional na dramaturgia brasileira, Denise del Vecchio e Paulo Gorgulho são a prova cabal disso. Ela carrega em seu nome a sonoridade, naquela considerada a Língua universal, do que é suave, descomplicado e acessível tamanha simplicidade e fluidez com que executa suas cenas. E ele traz grafado no dele o prazer que nos causa sua obra, tão bem descrita; e é tanta honra que até sobra escrita!

Talvez meus leitores de plantão, profundos conhecedores das minhas tão escancaradas preferências, dirão que só eu mesma para observar algo assim porque os vejo com outros olhos... Mas sejam os olhos que forem, nenhum par vê o que não existe, nem muito menos é cego. Eu vejo o que de fato há neles, e lamento por aqueles cuja visão não tenha este alcance!



Em Os Dez Mandamentos, obra-prima da Rede Record no ar de segunda à sexta às 20h30, Joquebede e Anrão, pais do protagonista Moisés, se reencontraram depois de mais de 30 anos afastados, num tempo onde o que dava a um a certeza de que o outro ainda estaria vivo a esperar era tão somente a Fé. Sozinhos em cena, esse dois operários da Arte deram tantas lições que, admito, levarei um bom tempo para simplesmente identificá-las, o que dirá absorvê-las; mas a mais intensa de todas é mais clara que as águas do deslumbrante "Nilo Chileno"... Talento é um calçado importante, mas é o percorrer da estrada que dá sentido à sua existência. Talento sem experiência é no máximo um belo calçado exposto na vitrine, porque, sim, é possível percorrer a estrada mesmo descalço, embora seja mais penoso; o que prova serem o Tempo e o disciplinado Exercer do ofício, estes sim, os elementos fundamentais no sucesso em qualquer carreira.

Mas mesmo sendo uma lição tão simples, e tão admirável assim, ainda tive direito a uma aula de revisão. A cena em que Anrão e Joquebede, ao lado da filha Miriãn (a linda Larissa Maciel), recebem Moisés (o igualmente lindo Guilherme Winter) no meio da noite, revelando saber enfim toda a verdade, foi, proporcionalmente falando, uma tese de Pós-Doc. Dois jovens atores singularmente imersos no mesmo plano (e não me refiro ao enquadramento de câmera) daqueles que desbravaram tantos caminhos antes deles - o que os proporcionou a chance de estarem hoje onde estão. Mestres e Alunos jogando de igual pra igual. E quem ganha esse jogo? Nós, os telespectadores.



Em qualquer profissão, bons profissionais trazem glamour às suas atividades, conquistam aqueles que serão seus seguidores, que darão continuidade a um trabalho de suma importância. No caso desses grandes atores, não somente a sua profissão é exaltada, mas uma gama de outras que conjuntamente formam este universo da interpretação. Não à toa, elegi esse casal para tão bem representar esse contexto brilhante que é esta novela. Autores, diretores, continuístas, cinegrafistas, editores de som e imagem, cenógrafos, figurinistas, cabeleireiros e maquiadores, contrarregras, figurantes, todos condensados naqueles que diante da câmera personificam as Emoções... Emocionante por si só!



E não à toa elegi também esse casal como meu exemplo de excelência. Sou fã deles por motivos óbvios. Eis uma tarefa fácil e admirável, aliás, é quase uma obrigação! Aos dez anos, conheci Denise; e aos doze foi a vez de Paulo. E desde então nunca parei de seguí-los. Ela por tantos anos foi minha Olívia, a Fera-no-que-faz, pra quem escrevi tantas cartas que nunca saíram de casa, e uma que se perdeu no caminho. E ele pôs em cheque minha paixão platônica (que até hoje perdura) por Almir Sater. A Fera me mostrou a deliciosa contradição que é passar anos a escrever, escrever e escrever sobre "a falta de palavras para expressar o que se sente". E a dupla Zé Lucas de nada e Trindade provaram que uma menina de 12 anos pode não só amar, como se ver dividida entre duas paixões. Como é delicioso começar cedo a perceber e vivenciar as melhores coisas da Vida.



Para narrar o poder do Céu sobre a Terra, não dava mesmo para ser através de uma Constelação melhor, afinal, melhor que essa certamente não há. Eles me emocionarem já é lugar comum, embora jamais será algo banal. E sim, eles deixam Humphrey Bogart e Ingrid Bergman perdidinhos no deserto, coitados! ... Que mané "Amor interrompido em Paris" o quê! Coisinha mais xôxa, sem sal nem açucar! História linda de Amor(es), mesmo, é essa, que traz, entre tantas coisas, suavidade e orgulho em dose dupla.

Baruch HaShem Adonay - Bendito seja Deus!

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Abril Despedaçado - Parte 2


Abril... Abriu-se uma vez mais o Portal entre os Mundos. E uma vez mais os bons o transpassam, os iluminados reavêm o direito de voltar à fonte. 

Abril... O Eterno voltou a ser somente Etéreo, e abriu-se uma vez mais a mais larga e dolorosa ferida que a Matéria que aqui permanece é capaz de suportar.
    
Abril... Que uma vez mais nem esperou por Setembro. Que jamais permitirá ser este, novamente, o melhor Dezembro. Abriu-se mão uma vez mais de ser também Humano, de ser também Artista, para ser puramente a Obra em si, a Arte Final. 

Abril... Abriu-se uma vez mais as pernas, dessa vez não pra se amar, nem se fazer nascer, mas para acatar tua imposição de Perda, impassível perante todo e qualquer apelo, todo e qualquer argumento.

Abril... Nunca, nunca mais faça isso!!! Pois Memórias, sim, tanto nos importam, mas olhar nos olhos e ver o corpo inteiro, sentir os pelos e os cheiros também muito nos tocam e confortam.

Abril... Tô aprendendo a detestar você!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Antônio Abujamra e Eu sempre pairamos na mesma "Artemosfera". E por aqui, quase dividi com ele a data de aniversário. Nunca lhe dei nada, mas tanto recebi! Foram incontáveis e inestimáveis presentes a mim enviados, mesmo sem ele sequer saber quem sou. Mas pelo menos ele saberá quem eu serei graças às suas contribuições. Ele enfim saberá exatamente o quanto plantou por aqui; e o que ele plantou, nós quem colheremos. Injusto? Seria se o Artista ao menos soubesse o que é o Egoísmo, mas ele não sabe. O Artista sabe que a Arte não é só sua, pois se assim fosse, seria um mero Capricho Colorido.  

Abu nos ensinou que "Nenhum Homem é Deus", mas que cada um pode ser "Um Homem Muito Especial", um "Fodido Privilegiado" feito ele, que agora, às gargalhadas, abusando das "Provocações", certamente entrevista o Criador a saber dele "Que Rei Sou Eu?", afinal. 

O céu está em "Festa", pra sempre haverá "Lua Cheia", pois ele agora está "Andando nas Nuvens"... Paciência, saibamos esperar um pouco, pois em breve ele vai Começar de Novo... 

quinta-feira, 26 de março de 2015

~POETA: Biógrafo dos Sentimentos~

Eu não escolhi escrever Poesia, foi ela quem me escolheu pra descrevê-la. Engana-se quem pensa que Poeta é aquele que faz Poesia, porque a Poesia já está feita. Poeta é apenas uma ponte para Ela sair do abstrato e chegar ao concreto, ou seja, ele nada mais é que um Biógrafo dos Sentimentos.

Um bom Poeta não é exatamente aquele que sabe usar bem as Palavras, mas aquele que sabe dar reais ouvidos, voz e corpo às Emoções. É aquele que carrega toda a Paciência e o Prazer do Mundo ao sentar-se a conversar com o Amor, a ouvi-lo narrar por horas, e detalhadamente, cada uma de suas conquistas (e aprender com todas elas mesmo sem tê-las vivido); é o que reporta, do meio do fogo cruzado, a eterna guerra entre a sua Razão e a "Outra"; e o seu principal confidente, a guardar cada segredo que ele jura que ninguém sequer desconfiou até ele declarar.

Poeta é aquele que nunca desperdiça uma Tristeza, sequer meia lágrima das tantas pitangas choradas; nem uma Desilusão, sendo dela um companheirão na hora de curtir as Carências.

Poeta é um mestre na Arte de Controlar a Raiva e o Ciúme, com a estranha mania de se acharem cheios de Lucidez; é um psicólogo que trata as crises do Ódio antes que se sinta o (des)gosto da Mágoa; e é o único amigo da Solidão, o único por quem ela aceita quebrar seu tão precioso Silêncio...

Um Poeta de verdade vive em simbiose com a Esperança. É sempre por Ele que ela prefere falar, dar seu parecer final após ambos resistirem a tudo quer ora sustentava, ora ruía pedaços da ponte.

"...Porque o Poeta é um dEscritor que conhece tão profundamente cada pranto do Amor e da Dor que cada um sente!" - Maria Eduarda Novaes

terça-feira, 17 de março de 2015

Quem sai aos seus, não degenera!

Dizem por aí que somos um produto dos livros que lemos, das viagens que fazemos, e dos amigos que reconhecemos, e cultivamos. Pura verdade tudo isso, mas falta um item importante nessa lista: o Berço. Somos sobretudo um produto do Berço onde nascemos. Somos apenas o elo mais recente de uma cadeia que há muito já existe, e é forte o bastante para jamais se quebrar, e, portanto, jamais deixar de existir. E é com muito orgulho que apresento-lhes o meu Berço. Pai e Mãe, ouro de mina, me contando sobre um dia rotineiro qualquer, que não tinha a menor importância até eles, juntos, lhe darem a devida relevância poética.


PAI

Agora estou lascado!
A velha virou menina,
Pintou o cabelo;
E eu, mais acabado.
Sua mãe virou cocota!!!
Vou contar tudo agora,
Pois uma boa fofoca,
Quem não adora?
Semana passada comprando Somalgim
Estávamos lado a lado na fila morosa
Quando chega a vez dela, a caixa olha pra mim
E lhe pede com jeito e graça, bem amorosa:
- Deixa-me atender primeiro o velhim?!
Ela explica que também é idosa
E que sou seu marido.
Olha para mim e pensa ... 
"Tá bem fodidim!"
Hoje, a coisa piorou de vez!
Fomos ao médico para mostrar exames,
E sentada ao lado, uma senhora em sua cadeira,
Que lhe pergunta sorrateira
Quando minha figura sua atenção lhe atrai:
"Esse velho de barba é seu pai?"
Foi só voltar à origem...
O coração já é novo;
Só falta virar virgem,
E eu, seu noivo!

***

MÃE

Você não está lascado,
Nem eu virei menina.
Se meu cabelo é pintado
O seu, grisalho, me ilumina.

A mãe não virou cocota,
É da vida que ela gosta!
Alegria e Saúde são o que importa...
Com você do meu lado, 
O mundo não tem porta.

O episódio da farmácia,
Para mim é só falácia,
A aparência de mais idoso
Não faz de você menos amoroso.

De fato, no consultório médico,
A senhora que fez a pergunta
Deveria pra visão buscar remédio,
Pois, já bastante usada, 
Cada dia fica + curta.

Mas isso, para mim, pouco importa!
Voltando às origens ou não,
Já velhos, idosos, bem vividos
Eternamente juntos estaremos,
Unidos pelo coração!


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

POR FAVOR, 
PARE DE MATAR AS FLORES!!!


Um casal se casa, sob trombetas de um Arcanjo
E quem enfeita as banquetas dos nubentes namoradores?
Um inocente Arranjo de Flores!

Um casal rompe, e independente do porquê,
Quem de fato se despedaça e sofre horrores?
Um nobre Buquê de Flores!

Uma pessoa morre! Que seja você, é só mais um caso...
E quem vai junto no embalo se tu rebaixado fores?
Um azarado Vaso de Flores!

Uma criança nasce, ganha um bracelete
E a mãe, o que ganha do Deputado e de outros bajuladores?
Um amputado Ramalhete de Flores!

Então, seja pelo que for, 
Seja lá aonde fores, 
POR FAVOR, 
PARE DE MATAR AS FLORES!!!

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Da série "Autoplágio", baseado no texto que publiquei em 08/2012, que você pode ler acessando o link: 

domingo, 14 de dezembro de 2014

~Uma noite na Cassi-Caverna~ 
 
Quem me conhece bem, sabe da minha fobia de morcegos, e, consequentemente, meu horror por cavernas, e sua obscuridade demoníaca; e igualmente sabe da minha paixão pela Arte, em especial o Teatro, e como eu me sinto em transe quando entro nele. Assim, jamais imaginei que entraria num teatro e me veria/sentiria numa caverna "transilvânica", uma vez que nunca, jamais, em tempo algum, pagaria para assistir a uma peça do Batman. Aliás, nem mesmo de graça. Pois já me bastam as festinhas de sobrinhos, cujo tema, entra ano/sai ano, é sempre esse.

Mas eis que programo meu sábado para ser mais um dia CCBBendo na Fonte da Arte, e arrisco na fila de espera por um ingresso para "Cássia Eller, O Musical". E depois de uma longa espera, a recompensa! ... Recompensa??? ... O cenário era uma nefasta caverna, escura, amedrontadora. Onde cada ponto preto em destaque, na minha cabeça, se tratava de um morcego pendurado, repousando, aguardando apenas o momento de voar na minha direção. Enfim, não conseguia fixar os olhos na "obra", e agradecia a Deus pela presença da minha amiga Silvana (mesmo seu nome me lembrando a Transilvânia), para evitar que eu desse qualquer vexame.

"Ok, eles vão contar a vida de Cássia de trás pra frente, né? Vão começar pela morte, vão falar das drogas, e depois a coisa ameniza, né? Vão acabar com essa palhaçada de caverna escura, né? Isso é apenas simbólico, e momentâneo, né?!", essa era eu, enlouquecida, repetindo como um mantra, na tentativa de me acalmar... O terceiro sinal soa, as luzes da plateia se apagam, a banda começa... E o que já era obscuro, ficou mais ainda. Não resisti: fechei os olhos, preventivamente, pois vai que, né?... Mas ao primeiro som da voz de Tacy de Campos, entoando Lanterna dos Afogados, meus olhos descolaram, e, como num passe de mágica que só o Teatro é capaz de oferecer, não havia mais caverna que me assombrasse, mesmo me sentindo diante de um "fantasma". A semelhança física e vocal de Tacy com Cássia, só isso, já era delirante. 

Fui esperando ver um musical em todas as suas características, mas se aquilo ali se resumisse num simples show cover, por mim, estava excelente. Porque sempre amei o repertório de Cássia, sua voz, mas nunca tive a oportunidade de ver um show seu ao vivo, e ali senti que estava em um show dela, dela mesma, não de uma cover.

Mas eu vi, sim, um musical. E um musical excelente. Intimista, simples, e sobretudo focado, o que foi seu ponto forte. O que mais, ao meu ver, é capaz de estragar um musical é a tentativa insistente de muitos em querer contar t-u-d-o da vida do biografado. Por pura questão de tempo, isso é impossível. É um tiro no pé. A coisa vira uma colcha de retalhos sem sentido, cheia de falhas, principalmente no ritmo; e o espectador sai de lá cansado e confuso. Em "Cássia", a narrativa se atem entre seus 18 anos e sua morte aos 39. É claro que em 21 anos, muita coisa relevante se passou com ela, e muita coisa que valeria a pena ser retratada, mas ainda bem que Patrícia Andrade soube exatamente o que contar, e, o mais importante, não maquiou o comportamento de Cássia - um erro apontado pela crítica em "Elis, a musical", também escrito por ela. Patrícia não tentou vender uma Cássia que não existia, ao contrário: foi aí que entendi, exatamente, o porquê da caverna!

Cássia era uma artista altamente introspectiva, tímida, com profundos conflitos, dependências emocionais, voltada para si e suas vontades mais profundas. Ela vivia numa caverna! Tanto que sua maior dificuldade na carreira foi ter de lidar com o lado de fora. O pacote da fama, que trazia invasão de privacidade, excessivas conversas com a imprensa, regras que tantas vezes a impediam de ser como queria e de estar com quem queria; foi o que quase a fez desistir de tudo por várias vezes. E essa cobrança de viver fora da caverna a fez - pelas drogas, puladas de cerca, e etc - urgir em voltar-se cada vez mais para lá, até conseguir mergulhar de vez em outra, cuja profundidade saberemos um dia, mas, por enquanto, apenas imaginamos!

Um musical que focou nos atores/cantores. A protagonista não é atriz, mas suas limitações não comprometeram o produto final. Até porque, ela estava cercada de um elenco excepcional, que puxou pra si, com maestria, a carga teatral dramática, deixando para Tacy o que ela, inegavelmente, foi fazer ali, e muito bem: cantar. Mas mesmo assim, Tacy não deixou de atuar além dos números vocais. Ela ousou em cenas difíceis. Esteve num ménage à trois, em bebedeiras, em rodas de maconha, em inúmeros beijos e amassos, pôs os peitos de fora, e fez o público rir em várias "tiradas" curtas e grossas, bem típicas da cantora. Ela tem muito mérito, assim como todo o elenco. 

Cássia vivia numa caverna, mas não curtia ficar sozinha ali. Ela gostava de convidar seu público para partilhar dela. Tanto que as cenas entre Tacy e Emerson Espínola, interpretando Nando Reis, são as que melhor retratam quem era Cássia Eller, sua visão da própria carreira, e de como desejava conduzí-la. É o momento mais íntimo do espetáculo, que o público não resiste e canta junto, como numa rodinha de samba entre poucos amigos embaixo de uma árvore durante um pique-nique, sabe? Aquele momento onde o tempo para, o mundo que se dane, pois tudo o que se quer fazer é cantarolar canções que nos descrevam, ao som de um violão. 

Uma atmosfera tão leve, e tão convidativa, que daí até o final, o público parece não querer mais sair da caverna (se eu senti assim, acredite, a coisa é forte e real!). Tacy invade a plateia, coloca o povo pra cantar junto; depois encena o rock-in-Rio com riqueza de detalhes; e quando chega a hora do ato final, de sua prematura partida, o apagar das luzes se tornam na verdade o acender delas. No palco, os atores entoam "O Segundo Sol" enquanto só o que se vê é sua cadeira vazia, iluminada... 


Emblemático, profundo, emocionante, e calcado na simplicidade. 2h30min, 34 canções, e eu me sentindo feliz dentro de uma caverna! Este é meu resumo de "Cássia Eller, o musical".