terça-feira, 1 de outubro de 2013

7 DIAS...
Arrastados como 7 horas,
Curtos como 7 segundos


Hoje acordei tendo de me preparar para sua missa de Sétimo Dia. Geralmente, as pessoas já começaram a se reerguer e, aí, recomeça tudo outra vez; mas no meu caso, não. Eu ainda não me recuperei o mínimo que seja. Já consigo chorar com menos frequência, mas a intensidade ainda é a mesma. Tanto que escrever só me parece não bastar. Desde a sua partida que meu sono se perturbou outra vez, e o Pé Jr. tá concorrendo com o coração, pra saber quem dói mais. Esqueci tanto da vida que minha planta, que ganhei dias antes, adivinhe só: já está enfeitando seu novo jardim... Ontem resolvi ler os últimos e-mails (e até torpedos) que trocamos, dias antes e dias depois de eu te visitar em Julho. Resolvi usar nesta semana todas as roupas que ganhei de você, dando prioridade, sem querer/sem planejar, às pretas e cinzas. Resolvi rever suas fotos, nossas fotos... Quis também relembrar com detalhes nossas duas últimas conversas, dia 7 e dia 13... Alivia saber que você não acabou, só recomeçou da melhor maneira. Que agora você não tem dores, nem limitações, ao contrário: sua força ganhou ainda mais poder. Daí, do outro lado da cachoeira, você vai poder fazer muito mais, e ainda melhor. E peço que cuide de nós, como vovó já vinha fazendo desde que foi para aí... Mas não dá pra negar que a falta massacra, que as lembranças mudam de tom. Quando me peguei pensando no tempo da nossa briga, percebi o quanto foi penoso. Achei, sinceramente, que você não gostasse mesmo de mim, que só me tolerava, mas que, ali, nem mais me tolerar precisaria. E isso me doía demais, só eu sabia o quanto. Eu nunca consegui odiar, desprezar, só conseguia me entristecer, simplesmente... Na teoria, sua partida não muda nada; mas na prática, muda tudo... Isso só me mostrou o quanto ainda tenho que amadurecer esse lado, o quanto preciso ainda aprender... Agradeço a Deus por ter te dado uma transição digna; até poética, eu diria. Agradeço por 99% de nós, família e amigos, termos te visto e recebido de você palavras lindas que só agora entendemos que eram de despedida. Você deixou muito de si, e também levou um tanto de cada um de nós. Hoje, é como viver com um pé aqui, outro aí, por isso incomoda demais no começo. Estou aprendendo a passear por este lado, e espero cada vez mais saber ir e vir sem me bagunçar tanto. Por enquanto, o jeito é ficar inteiramente aqui, me sentindo bamba. Daí, você e vovó que se divirtam, matem as saudades, coloquem o papo em dia, e depois passem os dias a "espiar" as nossas vidas e a cuidar de nós. De mim, façam uma perfeita marionete, que eu não vou, jamais, me importar... Obrigada por tudo que fez por aqui, beijos, e até nosso primeiro contato!
D. 

PS -  Em sua missa, Gabriela, filha da Gláucia, que conheci na sua casa, sentou no meu colo o tempo todo. Quando me vi, de repente estava sorrindo lembrando da sua gargalhada ao ouvir "essa velhinha mora aqui?"... O pranto de todos era inevitável, mas duas coisas mais eram também consensos: o conforto de saber que sua passagem foi a merecida; e também a sensação de "elo perdido". Você quem nos agregava. Agora estamos órfãos de "promoter". E ninguém, claro, quer assumir este papel... Falei pela primeira vez hoje com meu pai. Conseguimos ser serenos, ele está enfrentando melhor que se esperava, o que me deixou menos tensa, e dando razão à minha mãe, quando disse que eu estou pior que todo mundo... Lembramos também, eu e Cláudia, de dizer pra você nem pensar em voltar pro ex-namorado, ok?Deixe aquele "vcb" pra lá. Se é que ele está no mesmo Complexo Celestial que você, né? ... Beijos!

domingo, 22 de setembro de 2013

DEMOROU, MAS CHEGOU!
Evento Cultural da SEDUC chega com atraso, mas surpreende...


Para mim, não existe essa de Cinema Americano, Cinema Europeu, Cinema Nacional. Pra mim existe Cinema - a Sétima Arte - e sua linguagem universal. Sim, o Cinema fala todas as Línguas, nós quem o traduzimos para os nossos idiomas talvez para particularizá-lo, sentí-lo um pouco mais de perto e mais intensamente, sei lá... Mas ainda bem que este cosmopolitismo está cada vez mais evidente. Estão se tornando muito comuns as co-produções, onde um diretor de nacionalidade "X" dirige um roteiro escrito em Língua "Z", mas com partes em "Y"; e com atores de vários cantos do mundo. Assim, todos saem ganhando: a "criança" ganha mais pais e mães e vai ainda mais longe, para noooossa alegria. 

Neste fim de semana eu vi "Cine Holliúdy" e "Elysium". O primeiro é um longa produzido no Ceará, e falado em "Cearencês", segundo o roteirista e diretor Halder Gomes faz questão de frisar, e o que até lhe rendeu legenda. O segundo, uma produção tipicamente hollywoodiana, mas com as presenças marcante e brilhante dos brasileiros Wagner Moura e Alice Braga. 

Cine Holliúdy é um cinema Narciso, que homenageia a si próprio, e a seu povo local, mas longe de parecer pedante. Ao contrário, é de uma simplicidade bastante interessante. O povo cearense é mostrado tal como é: brincalhão, debochado, sem medo de parecer politicamente incorreto, brega, nem nada. Os diálogo são uma aula de regionalismo que ensinam muito, além de exaltar a problemática das diferenças sociais e culturais tão acentuadas no Brasil. É um filme "caseiro" não somente por ser feito aqui, mas porque retrata memórias pessoais do roteirista/diretor, que viveu muito do que seu protagonista nos conta. Através do hilário Francisgleydisson, um herói que tenta manter viva a magia da projeção cinematográfica em plenos anos 70, quando a TV começa a dominar o mundo e ameaçar seu ofício e paixão; Halder mexe com coisas totalmente atemporais, como por exemplo a politicagem; a burocracia que engessa todo e qualquer progresso, em especial o progresso da cultura; o apelo ao sexo; a importância das figuras religiosas no interior do país (padre é autoridade tanto quanto o prefeito e o delegado); entre tantas outras coisas. Com cenas dignas de se chorar de rir, comandadas por atores, humoristas e até cantores, o filme dá muito bem o seu recado, um recado, aliás, que chegou até a verdadeira Hollywood...

Já "Elysium", confesso, não fez minha cabeça porque não curto filmes futuristas e cheios de pancadaria, tiros, e efeitos especiais quase que constantes. Além do que, achei o roteiro fraco e linear demais, onde já na segunda cena se sabia exatamente tudo o que viria a seguir. Porém, as interpretações de Wagner Moura e Alice Braga roubaram a atenção que daríamos, em outros tempos, inteiramente a Matt Damon e Jodie Foster. Altamente inspirado na animação da Pixar, WALL-E (para não dizer "plagiado"), Elysium conta a história de uma Terra caótica nos idos de Dois Mil, Cento e... Me esqueci! Onde os habitantes ricos, claro, criaram uma Terra artificial, um lugar, aliás, onde há cura instantânea para qualquer doença. Wagner Moura, que nos acostumou a vê-lo como um cara que desce o teco na bandidagem, agora é a própria bandidagem, e sem ninguém capaz de detê-lo. Que ele é talentoso, já sabemos, não precisávamos deste filme para comprovar, mas é legal ver que ele agora não tem mais fronteiras. Ele será visto e reconhecido por muito mais gente, e dá orgulho demais disso, de ver que nossos atores não deixam nada a desejar, não devem nada para os mundialmente famosos. Alice Braga sempre figurou mais lá que aqui, mas, claro, jamais vai deixar de ser uma brasileira que brilha além dos limites geográficos. Seu Inglês, aliás, é perfeito, bem melhor que o do Wagner, que no comecinho do filme deu umas rateadas, foi difícil de entender, mas depois articulou melhor e deu show na última cena, quando avisou ao presidente de Elysium que o lugar agora tinha novos donos...

Em matéria de roteiro e produção, sinceramente, é raso e até injusto. Jodie Foster tinha tudo para ser uma vilã marcante, mas ficou algemada. Foi até onde deu, mas merecia mais. Matt está bem, mas, apesar de protagonista, perde feio para o Spider interpretado por Moura. Ele fica em segundo plano, literalmente. Já Alice, em todas as cenas que aparece, imprime sua ótima expressão facial e uma dicção impecável. 

Elysium vale pelo casal brasileiro, que merece ser prestigiado. Cine Holliúdy vale por tudo, e merece ser ainda mais prestigiado. O que vale, mesmo, é ir ao cinema e deixar esta arte nos teletransportar para uma dimensão particular!      

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Eu sei que é AMOR, simplesmente...
Dudatriz - os primeiros 35 anos

Eu sei que é AMOR, 
De ida e de volta...
E dar Amor enobrece
Mas recebê-lo, engrandece!
Dar Amor esclarece
Recebê-lo, emudece!
Dar Amor atenua
Recebê-lo, perpetua!
Dar Amor disciplina
Recebê-lo, ensina!
Dar Amor alegra
Recebê-lo, reintegra!
 Dar Amor gratifica
Recebê-lo, dignifica!
Ao dar Amor, sinta-se bem
Ao recebê-lo, diga "Amém!"...


Eu sei que é Amor, simplesmente; então, para que saber algo mais? Aliás, para que dizer algo mais, querer algo mais, precisar de algo mais? Para que tudo o mais se com ele tudo se faz? De uma legião de Anjos a singelas refeições, recebi de tudo, ou seja, recebi AMOR... Houve quem participasse do meu momento ao vivo, por telefone, por preciosas mensagens, e ainda houve quem usasse todos os recursos. A cada um, meu agradecimento profundo em forma, é claro, de Amor, tão sublime quanto o que recebo de vocês...

Bjs,
D.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

FLORES infelizmente RARAS


Não sou cinéfila por prazer, somente; mas também por obrigação. Como atriz e escritora, quanto mais eu tomar como exemplo, melhor! E se o exemplo for o melhor possível, então... Se você tem preconceito contra a homossexualidade, não veja FLORES RARAS. Perca cenas de sexo brilhantemente coreografadas por duas grandes atrizes, e tudo o mais que elas e todos naquela película te proporcionariam pelos “curtíssimos” 116min. Há tempos eu não via um filme que acertasse em tudo, de A a Z. Da Autoria ao Zé-da-Claquete, nada ali falta, nem muito menos sobra. E já que tudo funciona, vou me limitar a falar da melhor parte: GLÓRIA PIRES. Essa cidadã chegou a um nível que ela não mais interpreta, ela humilha! Ela não nos provoca mais uma catarse, ela nos abduz completamente. É esplendoroso ver uma atriz completamente despida, não apenas de roupas, mas, sobretudo, de limitações - onde nem sequer o idioma é uma barreira. Vê-la se entregando a uma personagem sem julgá-la, sem moldá-la, é um deleite especial. Ela simplesmente se doa, se empresta de um jeito, que chega a parecer uma “incorporação”. Certa vez, ao dirigir a novela Anjo Mau, Carlos Manga foi perguntado “como é dirigir Glória Pires?”, e ele deu uma resposta fantástica: “Simples! É só ficar calado pra não atrapalhar!”. Ele resumiu perfeitamente, pois a gente é meio que levado a ficar estatelado, só admirando. Miranda Otto, a linda e talentosa atriz australiana que contracena com Glória, tem todos os seus méritos (e muitos), mas é impressionante o quanto nas cenas entre ela e Glória, ela rendia ainda mais. Assisti com uma amiga que confessou não curtir homossexualidade, disse que fechou os olhos, e me perguntou se eu achava realmente necessárias as cenas íntimas. Óbvio!!! Seria um filme amputado se só as subentendesse; ou se a câmera desviasse na hora e começasse a filmar a vela – como aconteceu em outro filme com Glória, O Quatrilho. As cenas são inteiramente contextualizadas, e só chocam quem realmente já está predisposto a se chocar (pode crer, amigo, se você tem mais de 10 anos de idade, perceberá que já viu inúmeras cenas de sexo hétero bem mais tórridas que estas). E a prova maior dessa necessidade, pra mim, é a diferenciação clássica que se faz entre as relações de Lota e Bishop, e de Lota e Mary. Essa, a própria personagem de Lota diz que se tornaram “roomates” (apenas amigas). Elas – as cenas - começam na hora certa e duram só o tempo que devem; e não se sobrepõem ao texto. Porque, sim, o filme tem texto! E ele é recheado de diálogos profundos, que narram conflitos internos e externos. E de quebra, como um bônus, ainda nos presenteia com paisagens bucólicas de encher os olhos. Como atriz e poeta, confesso: é orgásmico ver a realidade e a ficção me ensinado. Aprendo com as atuações, e dentro da ficção foi interessante ver o processo criativo de Bishop, mostrando que não sou assim tão diferente dela. Eu também escrevo deitada no chão, aos rabiscos e amassos de papel, falando com as árvores, com os bichos, dialogo com meu silêncio e narro para mim mesma as minhas tantas histórias de amor. Ah, sim, o amor muito inspira. Não há mente que não destrave diante da paz de um amor que nasce e cresce em meio ao canto dos pássaros, sob a companhia de um gato de rua, e mesmo ao som do choro de uma criança que não se sabia querer... Esta história mostra que o Amor é perfeito, a gente é que se esforça em estragar, primeiramente com rótulos, mas ainda com ciúmes, possessões, egoísmos, bebedeira, e crises de meia idade... Reunir em uma só produção tantas flores diferentes e conseguir formar um jardim homogêneo assim é algo realmente raro. Um filme pra se ver umas 25 vezes, no mínimo! Que bom que ainda me faltam 24 (ou mais)...  

sábado, 17 de agosto de 2013


(clique para ampliar)
Já passei de uma centena de peças vistas, mas difícil dizer uma que tenha me marcado tanto quanto esta. Foi tudo especial, em todos os detalhes. Era o texto certo, com as atrizes certas, no momento certo. Meu “top 10” é precioso, foi difícil de eleger, mas já tem um primeiro lugar... Claro, nada substitui um “ao vivo”, nem os vídeos, porque a proximidade e o cheiro também são importantes; mas este livro veio para eternizar tudo, tudo mesmo, e de uma forma linda. Ciranda foi mesmo um presente pra mim, um presente completo, que me trouxe sobretudo AMIGAS – lindas, talentosas, generosas, humanas. 

Obrigada, Cirandinhas lindas. 
Amo vocês!

(obs: Tô chorando baldes) 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

~AMOSTRA GRÁTIS~

 


segunda-feira, 15 de julho de 2013

A "CIRANDA" DE CADA UM DE NÓS


Teatro do Leblon, sábados (19h) e Domingos (20h) até 4/8


Pode-se viver mais de 100 anos ou nem sequer 1 minuto... Não importa o tamanho do caminho, ele sempre parte do mesmo canto e chega no mesmo lugar... Quem viver mais de 100 anos viverá inúmeras coisas, mas quem viver apenas por 1 segundo viverá o essencial; pois basta isso para se conhecer o Amor Incondicional entre Mãe e Filho... Nossa vida começa, continua, e recomeça sendo simplesmente assim... A gente pode nunca conhecer um pai, pode ter fortunas, perdê-las, recuperá-las, ou sequer ganhá-las uma única vez. A gente pode nascer numa guerra, rodar o mundo em busca de paz, mudar governos, ver tantas coisas se criarem, se acabarem, ou tão apenas mudarem; mas em qualquer que seja a realidade, uma MÃE e seu Amor sempre vão existir. Uma mãe é sempre uma certeza, ainda que cresçamos sem saber quem ela foi um dia. Uma mãe, aliás, nem precisa gerar um filho pra ser uma mãe, tamanha é sua importância, pois é dela que a gente recebe a única coisa que de fato precisa! A única diferença é que ou isso é reconhecido logo de cara, ou precisa de um tempo e um caminho meio tortuoso para se fazer reconhecer. E não importam os atalhos, o caminho é igual para todos. E no fim é sempre assim: ele é reconhecido! E é a fonte primária dessa nossa “mania irritante de achar que no fim tudo dá certo”. 

Em CIRANDA, peça teatral de Célia Regina Forte, 3 gerações de mulheres e seus pesados conflitos mostram o tamanho do esforço que fazemos para destruir o único laço que de fato há entre nós. Mas um esforço que no fim serve apenas para escancará-lo e fortalecê-lo. Tânia Bondezan e Daniela Galli vivem mães, filhas e neta separadas por ideais e modelos de vida que as fazem crer que não se parecem em nada, que sequer têm algo em comum. Num texto absolutamente brilhante, a autora não divaga, nem voa longe, ao contrário: apenas nos relata o óbvio. Sim, o óbvio, Aquele que tantos insistem em não entender simplesmente pelo exemplo, que tantos precisam ver para crer, e viver para entender. Então, se há coisas que a gente tem de ver e viver, não há forma melhor que o TEATRO para nos proporcionar isso. 

O Teatro é o fim onde tudo dá certo. O lugar mágico onde se vive qualquer coisa ignorando as regras do Tempo e os caprichos da Lógica, na arte de viver mais de 100 anos em um único segundo. No Teatro, a gente entra incompleto e sai remendado. A gente entra ferido e sai curado. A gente entra com um problema e sai levando a solução... Teatro é aquilo que a gente tem que fazer, que tem que ver, e rever, e refazer, e seguir adiante fazendo, refazendo, vendo, revendo, vivendo e revivendo... Teatro é o lugar onde você para de respirar e não morre, ao contrário: renasce. Onde as limitações do corpo desaparecem... É o lugar onde você se vê fora do corpo, se chama por outros nomes, se vê mais velho, ou mais novo, e é onde se tem todas as chances de errar e reparar o erro imediatamente, sem consequências ruins. Só no Teatro que a Ciranda de outros, e de "outroras", nada mais é que a ciranda de cada um de nós! 

Com duas interpretações no mínimo magistrais, mas no fundo indescritíveis (nesta linguagem que estranhamente criamos para nos limitar), a gente passa a se chamar Lena, Boina e Sara sem qualquer estranheza. A gente é rippie em qualquer época, executiva de merda, aderecista teatral, mas tudo de passagem, tudo como uma maquiagem que se põe e se apaga; porque a gente é mesmo - do inicio ao fim - MÃE, FILHA, e NETA. A gente foi mesmo feito pra sentar no chão e jogar gamão, e rir da vida da gente; e não pra jogar banco imobiliário e sentar numa cadeira de couro ou no colo dos outros e estragar tudo! A gente nasceu pra querer guardar pra sempre um ursinho de pelúcia, principalmente em fotografias mentais, algo que a gente chama de “lembrança”. Algo que se o Cérebro apagar um dia, tem o Coração ali pra não deixar esquecer jamais. 

A única coisa que a gente precisa pra viver é também a única que nunca acaba. A dor acaba um dia, o dinheiro e o poder podem nem sequer chegar, mas o Amor nunca acaba, e se adapta a qualquer situação. Só o Amor nos basta, e só ele pode conseguir pra nós qualquer outro resto que julgamos precisar, sem nos cobrar nada em troca. Sim, sem cobrar nada! Você dá tudo que tem nos bolsos pela chance de ouvi-lo, mas vê que no fim o que você recebeu de volta é algo que não veio pelo preço que se pagou. É algo que nasce de graça e se aprende de graça, ainda que no meio do caminho o dinheiro se faça necessário. 

Célia, Tânia e Daniela souberam nos mostrar tudo. E eu, ainda bem, pelo menos soube entender...

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O OSSO BRIGOU COM O PINO / DEBAIXO DE UMA ARTÉRIA
PÉ JÚNIOR SAIU FERIDO / E A MAMÃE JÁ TÁ HISTÉRICA...
*
O TENDÃO FICOU DOENTE / O DR. FOI CONSERTAR
MAMÃE TEVE UM DESMAIO (anestésico) / 
E PÉ JÚNIOR PÔS-SE A CHORAR (lágrimas de sangue)

Photo by KANIA - Kalvarium News International Agency

É, bebê, esse seu modo todo "nosso" de me declarar seu amor, confesso, me surpreendeu... Tanto que cheguei a achar que fora obra do seu PÉdiatra, que desenhara isso à mão, e pintado com canetinha; mas não!!! Você é assim, um pedaço de mim; e quem sai aos seus, não degenera... Ao ver seu coração assim, tão pra fora, tão visível, eu te peço perdão! Sei que você não tem culpa de nada. Sei que sua dor é maior, pois ela é dor inteira, enquanto a minha é em parte. Sei que abusei de você tantas vezes, mas não foi por querer, foi por forças das circunstâncias. Me dói, também, saber que ainda não temos com quem dividir algumas tarefas, e preciso te sobrecarregar. Mas vamos ver pelo lado bom: as tantas vezes que você doeu muito, e tivemos de ficar a sós na cama, foram justamente os momentos em que menos estivemos sós, onde mais fomos acompanhados e amados. Seus padrinhos, tio Leo e tia Line; a dupla acolhedora, Werbs e Beta; seus vários tios e tias, que muito nos mimaram; e sem falar no xodó que você é dos vovôs Maiúsculo e Minúscula, e da sua enfermeira particular, tia Dani... Por sua causa, me livrei de muitos problemas e chateações. Com sua ajuda, meus amigos hoje são mais que irmãos, e por você também fiz novos amigos, que nos levaram a uma nova fase: mais serena, mais culta, e bem mais forte, sobretudo espiritualmente. Eu posso até inventar de achar que faço meus caminhos, mas quem os percorre por mim são você e seu irmão. Mesmo doendo, vocês me suportavam, então, me perdoem se por tantas vezes EU não os suportei, e você em especial... Antes de ontem, fomos a uma festa de família muito especial. Ontem, recebemos um telefonema mais que especial. E hoje, inúmeros e-mails e mensagens especiais... Dizem que uma pessoa que é muito "coração" é meio "sem pé nem cabeça", mas eu não! Eu sou Coração da cabeça aos Pés, eu sou Amor em todos os cantos, e por todos os poros. Daqui pra frente, vamos voltar a percorrer nossos caminhos, e preparar muitos outros novos; aliás, vamos fazer - eu, você e seu irmão - o Caminho de Santiago de Compostela, como símbolo de tudo o que superamos, e como forma de agradecimento ao nosso PAI, aos nosso irmãos que ajudam a gente em forma de Luz, iluminando cada passo, cada canto por onde passamos. Vamos com calma, mas vamos sempre em frente. Sua mãe é meio biruta, tá, mas ela tem os PÉS no lugar certo: no chão. Lugar este que vocês entendem muito bem, aPÉsar dos PÉsares...


Maria Eduarda Novaes (7/6/13)     

quinta-feira, 6 de junho de 2013




FIZ MEU MUNDO PARAR 
SÓ PRA OUVIR A TUA VOZ

FIZ MEU MEDO CALAR 
SÓ PRA ACEITAR TUAS PROMESSAS

REACENDI MEU PEITO 
PRA TE REABRIGAR

...E TER MINHA VIDA DE VOLTA, 
DESTA VEZ PRA FICAR!!!
M.EDWARD WAR

sábado, 1 de junho de 2013

Eis que a Sombra da tua lembrança
Intensifica a minha saudade...

Sinto falta da Luz
Refletida em teus olhos
Onde um dia tanto enxerguei
Imagens que não se explica...
É algo meu que em ti deixei
Ou algo teu que em mim fica?

*
Para um Espírito, a Luz
Para uma Luz, a Sombra
Para uma Sombra, o Caminho...
Para tua Luz, uma Sombra
Com pernas mais longas
(Da estatura do teu Espírito)
Encurtando teus Caminhos
*

Tua Sombra vira noite
Tua Luz refaz o dia
...Com tuas Sombras
Tu assombras
Qualquer Loucura infeliz
Que te venha atrapalhar
*
Então, durma e acorde
Em teu jardim
Sob a Sombra
Do teu Pé-de-Sonho...
Pois até na tua Sombra

Tu és capaz de brilhar!!!

MARIA EDUARDA NOVAES

segunda-feira, 20 de maio de 2013

UM DIA, UM POEMA


Eu não acordo, eu inicio uma ideia
Eu não respiro, eu inspiro letras
Eu não me movo, eu transpiro fonemas
Eu não almoço, eu degluto palavras
Eu não me deito, eu organizo versos
Eu não durmo, eu construo estrofes
E eu não sonho, eu realizo um poema...

Maria Eduarda Novaes

terça-feira, 26 de março de 2013

O corpo goza em grito;
E a Alma, por escrito

Enquanto um corpo pede pão,
A Alma pede um sorriso
Enquanto um corpo dorme no chão,
A Alma desperta o improviso
Enquanto um corpo se equilibra só
Na corda bamba,
A Alma afina o Dó
E compõe mais um samba...

Enquanto um corpo monta em cima,
Perverso; e goza em
Voluptuosa afasia,
A Alma fabrica uma rima,
Um verso; e goza
Em prosa e poesia! 


Maria Eduarda Novaes
Março-2013


domingo, 3 de março de 2013

LÓTUS
  

Fechado em seu mundo
Ou aberto ao universo
És o meu apreço
Meu avesso
Meu inverso

És meu sono pacífico
Sob um edredon no inverno
Um narcótico amnésico
Forte o bastante
Pra me apagar do passado
E recomeçar  
Num instante...

Meu padma sagrado 
Que nas águas floresce
Imune ao lodo do apego
E do pó dos desejos carnais
E seus momentos banais...
Traz-me o Sossego!

Tens um´Alma linda
Plena de Sabedoria
Primazia e Elegância
Num corpo de
Beleza, Poesia
E Substância...

Lótus meu, 
És sobretudo Paz
E tamanho bem querer
Jamais estamos distantes
Mesmo sem saber!



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

~CALMARIA~


A Alma de Maria ria
Mas hoje pede Calma
Pede Cal pra enterrar as dores
Pede Mar pra afogar rancores
E se houvesse o que mais pedir,
Pediria...

A Alma de Maria quer mais Alma
A volta de seus velhos amores
Ainda que em novas roupagens
Ainda que em novos sabores

A Alma de Maria
Mais Alma até compraria...
Mas será que de tanto mais precisaria???

Calma, calma, Maria!
Se tua Alma antes ria
Ela não desaprendeu o riscado
É que a Alma às vezes pede calma
Pra poder sorrir dobrado...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

SUNDAY, BLOODY SUNDAY
LUTO

Eu luto pelo bom senso
Para que tu, Razão, jamais fujas
Luto pela honestidade e responsabilidade
Pelo fim da ganância e da bestialidade
E pela vergonha que falta 
Nas tantas caras sujas...

Eu luto pelo fim
Dos fins tão antecipados
Em tragédias claramente anunciadas
Luto pelo fim das cadeiras vazias
Dos Corações dilacerados
E das Almas despedaçadas...

Eu luto pelos heróis anônimos
Que nunca se contentam em escapar, somente
Que não deixam para trás o amigo, o parente 
Que preferem abrir mão da sorte
E passá-la para frente...

Ontem, luto pelo erro
Amanhã, luto pelo acerto
Hoje, luto contra a decepção
De saber que não tem conserto...   

terça-feira, 20 de novembro de 2012

MEUS SAPATOS VELHOS




Um dia, pus-me a pensar em quantos pares de sapatos já tive, e por quais razões já não os tenho mais... Pés que cresceram? Desgaste natural? Esquecimento inocente, ou raiva repentina que me fez lançá-los longe? Roubos ou doações? Impossível saber quantos sapatos já tive simplesmente porque incontáveis são os passos que já dei... 

Mas de um ou outro, a gente inevitavelmente se lembra. Como dos meus sapatos vermelhos com laço preto aveludado e desenhos de joaninha, por exemplo. Estes foram comigo à escola pela primeira vez. Conhecemos juntos as letras, levamos pisões pesados nos recreios, e eles aguentaram firme até as férias de julho, pois para lá já não dava mais pra irem... Lembro-me também das botas de chuva cor-de-rosa, de vinil. Caminharam comigo por quase 9 meses dos meus 12 anos, quando tão friamente foram jogadas fora porque não chamavam mais a atenção (inacreditavelmente), não eram mais novidade. Vejo que por elas não tive o menor respeito, a mínima estima. E sei que não foram as únicas a sofrerem tal desprezo, pois tantos outros pares tiveram o mesmo início e o mesmo fim. Pior: passaram sem que eu sequer me lembre de suas cores, modelos, detalhe algum... Um pouco mais tarde, na adolescência, lembro-me bem do par de tênis Nike de cano longo, presente dos meus avós. Estes foram embora por velhice. Meus pés já não cresciam mais, então, puderam ser guardados e resguardados por essa dupla enquanto outra parte minha - a alma - crescia sem parar. Enquanto amigos vinham e iam, eles foram ficando. Eram os únicos amigos que eu considerava eternos, sim, porque não foram eternos enquanto duraram, apenas. Foi duro substituí-los, pois via isso como uma traição. Foi com eles que vivi a primeira grande brincadeira de colégio, que era a de batizar os tênis novos e chiques com pisões lameados para carimbar as solas alheias. Eles não se importavam com isso, desde que fosse para me verem feliz, como "igual", como parte de um todo. Eles sabiam o quanto isso era importante pra mim. Mas importantes, mesmo, são eles. 

Os sapatos são especiais na nossa vida, são notáveis na grande maioria das vezes, e denotam a minha, a sua, a nossa personalidade, e tantas vezes a nossa classe social. Sapatos já se tornaram roteiro de filme premiado, já quase acertaram a cara de um presidente. Sapatos nasceram quase 10 mil anos antes de Cristo... Sapatos são um retrato dos passos que a gente já deu, para que a gente sempre saiba por onde passou e o que deixou pra trás. 

Maria Eduarda Novaes - 20/11/2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"FELIVERY" - Alegria em domicílio


Um filme recente, de Bruna Lombardi, chamado "onde está a felicidade?", trouxe uma frase marcante: "A felicidade sempre está onde a gente a coloca. O problema é que a gente nunca a coloca onde a gente está!". Nada mais real que isso. A felicidade é para tantos inatingível porque se pensa haver um padrão a ser seguido em sua busca, e mesmo em sua face; como se algo tão abstrato se concretizasse o suficiente para obedecer qualquer tipo de padrão. Colocam na cabeça de 99,9% das mulheres que a felicidade está, por exemplo, no casamento feliz e na maternidade. Aí elas vão lá, namoram, noivam, casam, procriam, criam, e tempos depois tantas se perguntam "por que eu ainda não me sinto plena e satisfeita?". Colocam na cabeça de 99,9% dos homens que a felicidade vem de ser bem sucedido profissionalmente, ter uma vida estável e com condições de garantir os luxos da sagrada família que formará. Daí vemos inúmeros empresários trabalhando 24h por dia feito escravos para acumular capital, não vendo nem onde a família começou, muito menos onde vai parar. E quando finalmente, depois de anos, tiram suas primeiras férias para aproveitar o que ganharam, se perguntam "como posso aumentar ainda mais meu patrimônio, curar as carências da minha mulher, e garantir o consumismo surreal dos meus filhos, pois ainda não me sinto pleno e satisfeito!?"

A Felicidade é, sobretudo, pessoal; é individual, ainda que haja em sua vida um indivíduo cuja felicidade, para ele, seja dividí-la com você. Ela é parcelada, vem aos poucos, em peças como num quebra-cabeças. E como em qualquer quebra-cabeça, umas partes são mais coloridas que as outras, algumas são maiores, outras bem pequenas, algumas se perdem pelo caminho e precisam ser substituídas, ou simplesmente deixam um buraco; mas fazem parte de um todo, de um conjunto onde tudo vai se encaixando com o passar do tempo. Sim, vem em conta-gotas, leva tempo para montar o quadro geral, mas não significa que somente aí, ao final, a Felicidade existirá. Alegrias acontecem a todo instante, e são o combustível que nos move. Tanto que, se julgarmos que os tempos bons já são os idos, ou partimos em busca de novos, ou desistimos simplesmente de viver.

E o endereço da nossa Felicidade é o mesmo que o nosso: ela nos acompanha, esteja onde estivermos. Mas como é gradativa, e tem tantas formas, dificilmente é percebida, muito menos exaltada. Mas ainda bem que alguns já começam a percebê-la e a valorizá-la.

A minha felicidade, por exemplo, me é entregue diariamente em domicílio. Quando abro os olhos de manhã, recebo as alegrias de estar viva e enxergando. Quando visto-me para trabalhar, me alegro de ter um emprego que sustente minhas necessidades e também meus luxos. Quando ando quarteirões até o transporte, não lamento não ter um carro e sentir dores nos pés. Prefiro exaltar o fato de que tenho a liberdade de ir e vir, e não sou dependente de uma cadeira de rodas. Quando almoço, a carne não é sempre uma picanha suculenta, mas mata minha fome, e essa sensação é ótima. De volta em casa, lanço os sapatos ao ar, bem como as roupas, e me rendo a um banho refrescante e revigorante. Depois eu como o que gosto, leio o que gosto, converso com quem gosto, e vou dormir sobre o travesseiro que gosto. Então, o quadro simplesmente se completa, e a Felicidade me sussurra aos ouvidos "boa noite, e até amanhã!"...

Maria Eduarda Novaes
Nov/2012

sábado, 15 de setembro de 2012

~3.4~

E tu, 
Que não me sentes 
Amor, somente;
Mas me sentes, 
Me doas,
E não me tomas 
Nada em troca

E tu, 
Que não estás
Presente, apenas;
Mas és um presente
Que carrega um presente
Que me doas
E não me pedes
Nada em troca

E tu, 
Que me aceitaste
E me adotaste;
Mas não me moldaste 
Ou me amordaçaste
Nem me arrancaste
Nada em troca

E tu,
Que eu amo tanto,
Tanto, mas tanto;
Que minh´alma te invoca
Meu lábio te toca
E meu sorriso se retoca...
Porque tu
Jamais me exigiste
Nada em troca


Não houve fotos com Camila e Ricardo, nem com a família da Maria; mas que eles sejam igualmente lembrados aqui. Assim como cada um de vocês que, mesmo não estando presente ao evento, nunca se ausentaram por um segundo sequer da minha vida, simplesmente porque moram dentro de mim!