segunda-feira, 20 de maio de 2013

UM DIA, UM POEMA


Eu não acordo, eu inicio uma ideia
Eu não respiro, eu inspiro letras
Eu não me movo, eu transpiro fonemas
Eu não almoço, eu degluto palavras
Eu não me deito, eu organizo versos
Eu não durmo, eu construo estrofes
E eu não sonho, eu realizo um poema...

Maria Eduarda Novaes

terça-feira, 26 de março de 2013

O corpo goza em grito;
E a Alma, por escrito

Enquanto um corpo pede pão,
A Alma pede um sorriso
Enquanto um corpo dorme no chão,
A Alma desperta o improviso
Enquanto um corpo se equilibra só
Na corda bamba,
A Alma afina o Dó
E compõe mais um samba...

Enquanto um corpo monta em cima,
Perverso; e goza em
Voluptuosa afasia,
A Alma fabrica uma rima,
Um verso; e goza
Em prosa e poesia! 


Maria Eduarda Novaes
Março-2013


domingo, 3 de março de 2013

LÓTUS
  

Fechado em seu mundo
Ou aberto ao universo
És o meu apreço
Meu avesso
Meu inverso

És meu sono pacífico
Sob um edredon no inverno
Um narcótico amnésico
Forte o bastante
Pra me apagar do passado
E recomeçar  
Num instante...

Meu padma sagrado 
Que nas águas floresce
Imune ao lodo do apego
E do pó dos desejos carnais
E seus momentos banais...
Traz-me o Sossego!

Tens um´Alma linda
Plena de Sabedoria
Primazia e Elegância
Num corpo de
Beleza, Poesia
E Substância...

Lótus meu, 
És sobretudo Paz
E tamanho bem querer
Jamais estamos distantes
Mesmo sem saber!



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

~CALMARIA~


A Alma de Maria ria
Mas hoje pede Calma
Pede Cal pra enterrar as dores
Pede Mar pra afogar rancores
E se houvesse o que mais pedir,
Pediria...

A Alma de Maria quer mais Alma
A volta de seus velhos amores
Ainda que em novas roupagens
Ainda que em novos sabores

A Alma de Maria
Mais Alma até compraria...
Mas será que de tanto mais precisaria???

Calma, calma, Maria!
Se tua Alma antes ria
Ela não desaprendeu o riscado
É que a Alma às vezes pede calma
Pra poder sorrir dobrado...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

SUNDAY, BLOODY SUNDAY
LUTO

Eu luto pelo bom senso
Para que tu, Razão, jamais fujas
Luto pela honestidade e responsabilidade
Pelo fim da ganância e da bestialidade
E pela vergonha que falta 
Nas tantas caras sujas...

Eu luto pelo fim
Dos fins tão antecipados
Em tragédias claramente anunciadas
Luto pelo fim das cadeiras vazias
Dos Corações dilacerados
E das Almas despedaçadas...

Eu luto pelos heróis anônimos
Que nunca se contentam em escapar, somente
Que não deixam para trás o amigo, o parente 
Que preferem abrir mão da sorte
E passá-la para frente...

Ontem, luto pelo erro
Amanhã, luto pelo acerto
Hoje, luto contra a decepção
De saber que não tem conserto...   

terça-feira, 20 de novembro de 2012

MEUS SAPATOS VELHOS




Um dia, pus-me a pensar em quantos pares de sapatos já tive, e por quais razões já não os tenho mais... Pés que cresceram? Desgaste natural? Esquecimento inocente, ou raiva repentina que me fez lançá-los longe? Roubos ou doações? Impossível saber quantos sapatos já tive simplesmente porque incontáveis são os passos que já dei... 

Mas de um ou outro, a gente inevitavelmente se lembra. Como dos meus sapatos vermelhos com laço preto aveludado e desenhos de joaninha, por exemplo. Estes foram comigo à escola pela primeira vez. Conhecemos juntos as letras, levamos pisões pesados nos recreios, e eles aguentaram firme até as férias de julho, pois para lá já não dava mais pra irem... Lembro-me também das botas de chuva cor-de-rosa, de vinil. Caminharam comigo por quase 9 meses dos meus 12 anos, quando tão friamente foram jogadas fora porque não chamavam mais a atenção (inacreditavelmente), não eram mais novidade. Vejo que por elas não tive o menor respeito, a mínima estima. E sei que não foram as únicas a sofrerem tal desprezo, pois tantos outros pares tiveram o mesmo início e o mesmo fim. Pior: passaram sem que eu sequer me lembre de suas cores, modelos, detalhe algum... Um pouco mais tarde, na adolescência, lembro-me bem do par de tênis Nike de cano longo, presente dos meus avós. Estes foram embora por velhice. Meus pés já não cresciam mais, então, puderam ser guardados e resguardados por essa dupla enquanto outra parte minha - a alma - crescia sem parar. Enquanto amigos vinham e iam, eles foram ficando. Eram os únicos amigos que eu considerava eternos, sim, porque não foram eternos enquanto duraram, apenas. Foi duro substituí-los, pois via isso como uma traição. Foi com eles que vivi a primeira grande brincadeira de colégio, que era a de batizar os tênis novos e chiques com pisões lameados para carimbar as solas alheias. Eles não se importavam com isso, desde que fosse para me verem feliz, como "igual", como parte de um todo. Eles sabiam o quanto isso era importante pra mim. Mas importantes, mesmo, são eles. 

Os sapatos são especiais na nossa vida, são notáveis na grande maioria das vezes, e denotam a minha, a sua, a nossa personalidade, e tantas vezes a nossa classe social. Sapatos já se tornaram roteiro de filme premiado, já quase acertaram a cara de um presidente. Sapatos nasceram quase 10 mil anos antes de Cristo... Sapatos são um retrato dos passos que a gente já deu, para que a gente sempre saiba por onde passou e o que deixou pra trás. 

Maria Eduarda Novaes - 20/11/2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"FELIVERY" - Alegria em domicílio


Um filme recente, de Bruna Lombardi, chamado "onde está a felicidade?", trouxe uma frase marcante: "A felicidade sempre está onde a gente a coloca. O problema é que a gente nunca a coloca onde a gente está!". Nada mais real que isso. A felicidade é para tantos inatingível porque se pensa haver um padrão a ser seguido em sua busca, e mesmo em sua face; como se algo tão abstrato se concretizasse o suficiente para obedecer qualquer tipo de padrão. Colocam na cabeça de 99,9% das mulheres que a felicidade está, por exemplo, no casamento feliz e na maternidade. Aí elas vão lá, namoram, noivam, casam, procriam, criam, e tempos depois tantas se perguntam "por que eu ainda não me sinto plena e satisfeita?". Colocam na cabeça de 99,9% dos homens que a felicidade vem de ser bem sucedido profissionalmente, ter uma vida estável e com condições de garantir os luxos da sagrada família que formará. Daí vemos inúmeros empresários trabalhando 24h por dia feito escravos para acumular capital, não vendo nem onde a família começou, muito menos onde vai parar. E quando finalmente, depois de anos, tiram suas primeiras férias para aproveitar o que ganharam, se perguntam "como posso aumentar ainda mais meu patrimônio, curar as carências da minha mulher, e garantir o consumismo surreal dos meus filhos, pois ainda não me sinto pleno e satisfeito!?"

A Felicidade é, sobretudo, pessoal; é individual, ainda que haja em sua vida um indivíduo cuja felicidade, para ele, seja dividí-la com você. Ela é parcelada, vem aos poucos, em peças como num quebra-cabeças. E como em qualquer quebra-cabeça, umas partes são mais coloridas que as outras, algumas são maiores, outras bem pequenas, algumas se perdem pelo caminho e precisam ser substituídas, ou simplesmente deixam um buraco; mas fazem parte de um todo, de um conjunto onde tudo vai se encaixando com o passar do tempo. Sim, vem em conta-gotas, leva tempo para montar o quadro geral, mas não significa que somente aí, ao final, a Felicidade existirá. Alegrias acontecem a todo instante, e são o combustível que nos move. Tanto que, se julgarmos que os tempos bons já são os idos, ou partimos em busca de novos, ou desistimos simplesmente de viver.

E o endereço da nossa Felicidade é o mesmo que o nosso: ela nos acompanha, esteja onde estivermos. Mas como é gradativa, e tem tantas formas, dificilmente é percebida, muito menos exaltada. Mas ainda bem que alguns já começam a percebê-la e a valorizá-la.

A minha felicidade, por exemplo, me é entregue diariamente em domicílio. Quando abro os olhos de manhã, recebo as alegrias de estar viva e enxergando. Quando visto-me para trabalhar, me alegro de ter um emprego que sustente minhas necessidades e também meus luxos. Quando ando quarteirões até o transporte, não lamento não ter um carro e sentir dores nos pés. Prefiro exaltar o fato de que tenho a liberdade de ir e vir, e não sou dependente de uma cadeira de rodas. Quando almoço, a carne não é sempre uma picanha suculenta, mas mata minha fome, e essa sensação é ótima. De volta em casa, lanço os sapatos ao ar, bem como as roupas, e me rendo a um banho refrescante e revigorante. Depois eu como o que gosto, leio o que gosto, converso com quem gosto, e vou dormir sobre o travesseiro que gosto. Então, o quadro simplesmente se completa, e a Felicidade me sussurra aos ouvidos "boa noite, e até amanhã!"...

Maria Eduarda Novaes
Nov/2012

sábado, 15 de setembro de 2012

~3.4~

E tu, 
Que não me sentes 
Amor, somente;
Mas me sentes, 
Me doas,
E não me tomas 
Nada em troca

E tu, 
Que não estás
Presente, apenas;
Mas és um presente
Que carrega um presente
Que me doas
E não me pedes
Nada em troca

E tu, 
Que me aceitaste
E me adotaste;
Mas não me moldaste 
Ou me amordaçaste
Nem me arrancaste
Nada em troca

E tu,
Que eu amo tanto,
Tanto, mas tanto;
Que minh´alma te invoca
Meu lábio te toca
E meu sorriso se retoca...
Porque tu
Jamais me exigiste
Nada em troca


Não houve fotos com Camila e Ricardo, nem com a família da Maria; mas que eles sejam igualmente lembrados aqui. Assim como cada um de vocês que, mesmo não estando presente ao evento, nunca se ausentaram por um segundo sequer da minha vida, simplesmente porque moram dentro de mim!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

~ OURO DE MINA / MINA DE OURO ~
 


Alex e Vig
Maiúsculo e Minúscula
Guguth e Tatu
Gorduxo e Fofuxa
Perfeitonildo e Perfeitonilda
Pitcheno e Cumpida
(ooops, é Cumpido e Pitchena)
José Robusto e Maria The Vésus
Pituchito e Pituchita
Mô bebê e Mô neném
Mô-mozão e Mô-colação

Não importa o nome, mas sim o verdadeiro significado:
PAI & MÃE! 
E não precisa dizer nada mais...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

~MANTRA ANTIFUTRICAÇÃO~
 
 


Para!
Chega!
Não é assim!
Não sou um
Objeto na vitrine
Para todos repararem
Tanto em mim...
Vão embora!
Me deixem em paz!
Passem reto sem
Sequer me ver...
Olhem, sim, no espelho
E vejam que horas são:
É tempo de cuidar
Da própria vida
É como deve ser!
Olhem, sim, no espelho
E vejam que horas são:
Hora de entender que
Não sou amostra grátis
Das tuas expectativas
Nem receptáculo
Dos teus conselhos
Nem muito menos guardiã
Da tua opinião.
Desapareçam, desinfetem,
E levem todo
Esse cheiro consigo!
Me esqueçam!
No máximo, me tolerem...
Mas seja o for,
Façam bem longe daqui...
NÃO CONTEM COMIGO, NÃO!!!

Maria Eduarda Novaes
Ago/2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

 POR FAVOR, parem de matar as flores!!!



Por que quando as pessoas morrem, as flores devem morrer também? Quando alguém parte, já me entristeço tanto; mas na cultura onde estou inserida, parece que este sofrimento não é o bastante. Tenho ainda de ver minha dor sendo amplificada pela imagem da linda rosa (juvenil) que passa a jazer sobre o caixão. Ela já morreu ali, só ainda nos polpa do choque ao conservar sua aparência pomposa, em vermelho-VIVO, por um pouco mais de tempo; coisa que nosso irmão de espécie já não consegue mais... Quando alguém falece, outro alguém arranca uma flor de sua terra, ou desloca sua pequena moradia, e a deixa junto à sepultura. Sem alimento e sem água: seu destino será o mesmo daquele a quem, com ela, se homenageou. É justo isso??? Nunca achei! Se já não achava certo flores terem sua existência encurtada para enfeitar casamentos, celebrar nascimentos, batizados e formaturas; imagine o que é vê-las enfeitando o ""inenfeitável"". Isso é no mínimo uma leviandade... "As flores têm cheiro de morte, a flor vai curar estes cortes. As flores de plástico não morrem!", diz a letra da canção dos Titãs... As flores não têm cheiro de morte, nós quem demos à morte um cheiro de flor. A flor não cura cortes, ela tão somente os sofre porque demos de achar que ela tem este poder. A única verdade nesta afirmação é que as flores de plástico não morrem... Então, da próxima vez que tiver de viver uma perda, não provoque uma outra! Quando alguém partir, leve flores de plástico aos cemitérios. Quando se casar, já faça isso em um parque. Se alguém adoecer, pague o preço cobrado, mas peça à floricultura a gentileza de entregar apenas o cartão. Quando alguém nascer, leve fraldas, roupas, brinquedinhos. E nos batizados, diga apenas "Que Deus abençoe sua vida, e ENCHA SEUS JARDINS DE FLORES", e nada mais...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

~O ÓDIO DA CÓLERA~


No engolir da ira
No acender da pira 
No cerrar dos olhos 
E na surdez do momento...

De vez em vez 
É preciso apressar o vento 
Para soprar longe o abatimento
O apavoramento, 
O enfraquecimento...

*~*
No ego cantante, 
No grilo falante, 
No fomento do esquecimento...
De mais a mais
É necessário um adiamento
De consoantes, vogais
E do deslumbramento

*~*
Na alvidez da Tez, 
Na calma que 
Te espalma a Alma,
No tormento do Tempo...
De vez em vez
É preciso um contratempo 
Como passatempo para 
Expulsar a rispidez,
A esqualidez, e a morbidez 
Do endurecimento...
MARIA EDUARDA NOVAES - AGO/2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012



Tô sentindo falta de me apaixonar...
Preciso rever minha amiga Perfeição
Que sim, existe, e mora
Nos mais belos amantes...
Camuflada, discreta
Só aparece por alguns instantes
A quem, no puro instinto,
Em sua casa penetra...
*~*
A Perfeição está nas bocas lindas e mágicas
Em seus BEIJOS que narram tudo
- Até o que nem me lembro –
No mais absoluto silêncio,
Num único e úmido movimento...
*~*
Preciso tanto me apaixonar novamente
Pra ver Olhares no lugar de olhos
Pra sentir Almas por entre os tapas
Pra gostar de me perder por entre as matas
E reconhecer cada cheiro
De tudo aquilo que sempre me falta...
*~*
Quero tanto me apaixonar uma vez mais
A última que seja...
Preciso almoçar com a Felicidade
Lanchar com a Esperança
E jantar com a mais pura indignidade
Dormir acampada em cavernas quentes
Na mais total ausência de castidade...
*~*
Tenho urgência em me apaixonar
Se der, Hoje
Se possível, Agora
Até a meia-noite
No mais tardar até o amanhecer...
*~*
Preciso tanto, tanto me apaixonar
E QUERO QUE SEJA POR VOCÊ!!!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

~ Meu pedaço favorito de Amor ~
 
***

Uns já chegaram

Outros até já partiram

E tantos ainda estão por vir...


Meu pedaço favorito de Amor

Tem várias caras, tantos nomes,

olhos meigos, sorriso farto,

pele macia, cabelo de anjo,

E cheiro de Jasmim...

 

Meu pedaço mais valioso

E poderoso de Amor

É felicidade de sobra e

Alegria de graça para me dar...

 

Xande; Paulo; Sofia

Seja grande, peça colo, nada de fobia

Nicolas; Enrico; Bernardo

Pinte banderolas, faça bico, jogue dardo...

 

Maria Carolina; Douglas; Daniel

Biscoito Traquinas, chapéu com lantejoulas, amigo fiel

Enzo; Heloísa; Pedro; e... Quem mais chegar...

Te penso e te benzo; minha poetisa, meu cedro, 

PARA SEMPRE VOU TE AMAR!!!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ESPELHO MÁGICO


FAZER POEMAS
É A MELHOR FORMA
DE SE REINVENTAR,
POIS PARA POETIZAR
É PRECISO REVER
PARA ENTÃO ENTENDER
E ENFIM ESCLARECER

E NINGUÉM QUE VÊ ALÉM,
DESCOBRE E SIMPLIFICA
É CAPAZ DE CONTINUAR
A SER A MESMA PESSOA

FIZ TANTOS POEMAS
BUSCANDO CRESCER
E CRESCI!!!
MAS OS FIZ PRINCIPALMENTE
QUERENDO ME CONHECER

SÓ QUE ESPELHO ALGUM
SEM AUXÍLIO
É CAPAZ DE REFLETIR
O QUE VEM DE DENTRO
OU O QUE POR TRÁS ESTÁ

FIZ TANTOS POEMAS
QUE SÓ ME AJUDAM
A ME ENTENDER
PORQUE TE ENSINAM
A ME EXPLICAR...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

...NOSSO BEIJO PROIBIDO...





Enquanto eu cantava, você se deixava encantar, mesmo sabendo que não podia... Enquanto eu cantava, você imaginava nosso beijo: plácido, quente, restaurador, mas proibido. E quando nosso encontro chegava ao fim, a gente se deixou levar pelo desejo, e agora veio a culpa... Sei que te prometi voltar, e voltarei. Mas não para te dar o que esperas. Meu despir será de alma, sem que o corpo acompanhe o processo. O que te darei será uma conversa franca, que começará dizendo que "é inegável que também me deixei levar, que também desejo ir além, mas que sei que não é o correto, principalmente porque não se acabaria por aqui..." Arrumaríamos tantas outras ocasiões para cantar e encantar. Encontraríamos tantas outras desculpas para nos justificar, e assim como os beijos proibidos - prelúdios de outras trocas mais profundas -, a culpa nos acompanharia sempre. Não vale a pena. Melhor ficarmos no cantar, no encantar, e no imaginar, apenas; porque nossas expectativas só nos traem quando teimamos em concretizá-las... Pode até ser que seja melhor, mas não é certo!... Eu sinto muito, mas não conseguiria me entregar, porque se fosse bom, o pior viria depois. E se não fosse bom, o pior já estaria entre nós, desde o princípio... Preciso que saiba que te entendo, que quero o mesmo que você, mas que acho que não podemos, não devemos. Somos os únicos envolvidos, mas não seremos os únicos a viver as consequências... Me dói, sim; e muito... Não queria me privar de algo tão especial. Lamento não termos chegado na estação ao mesmo tempo. Mas o que podemos partilhar sem culpas, e o que só pertencerá a nós dois, já partilhamos; e é tão bom que penso que podemos nos contentar e agradecer... Honestamente, te amo. E sinto seu encantamento. Mas mais honestamente ainda, sei que não vai vingar... Perdão! Não me leve a mal, e não me queria mal, jamais. Um beijo (tão bom quanto, mas este permitido) de sua eterna admiradora e encantada AMIGA.

M. Edward War - Jul/12