sábado, 15 de março de 2014

Papai Deus,


Um dia, te escrevi uma carta me queixando de coisas tão pequenas. E você, magistralmente, me deu um peteleco no centro da consciência, uma lição de moral com a maior suavidade, me respondendo assim:

"Filhotinha, a vida profissional dos teus sonhos, você me diz crer que só nos sonhos mesmo ficará. A vida amorosa dos teus sonhos, também diz que só ali sobreviverá. O dinheiro, sabes, nunca será uma falta, e um dia até poderá lhe sobrar. A saúde vez por outra te trai, sim, mas repares que ela nunca demora a voltar. E a Paz, eu sei, que muitos hão por vezes conseguir lhe roubar, mas, para compensar tudo isso, lhe darei os Pais, os Irmãos e os Amigos que jamais ousarias imaginar!!!" 

Pois é, nunca duvidei de que você é mesmo o melhor Pai do mundo! Mas mesmo não esperando desfecho diferente para o último golpe que levei, o maior de todos; confesso, de coração, de bem lá do fundo: você ainda conseguiu me deixar surpresa!!! Só mesmo um Pai assim, perfeito, é capaz de transformar uma montanha de esterco num castelo de princesa! 

Alguém um dia quis me ver fracassada, destruída, e manchou meu moral, quebrou minha autoestima, minha alegria, minha confiança, quebrou cada uma das minhas boas lembranças, e principalmente as minhas esperanças. Quebrou cada pedacinho meu, e de uma só vez. Mas aí, o que foi que você fez!? Cumpriu o que me prometeu!!! Fez dos meus pais, irmãos e amigos os maiores arquitetos, engenheiros, decoradores de um novo abrigo... Você pegou cada um dos cacos em que me transformei, e fez um novo projeto, uma tamanha reconstrução ainda melhor, de um jeito que só eu sei. E a cada parte que se reerguia, eu notava a transformação: passei a ser ainda mais amada, e a amar ainda mais. Mais protegida, e a proteger ainda mais. E se a tudo já agradecia, me tornei um modelo de gratidão!

Sim, tentaram me destruir, e conseguiram por um momento; mas você me reconstruiu, me curou desse sofrimento. E eu hoje visto um escudo ainda mais resistente! Se eu passaria por tudo de novo, sabendo que teria o mesmo fim? Não, eu jamais escolheria algo assim. E ainda bem que você respeita meu livre arbítrio, e também não escolheu por mim! Nada disso veio de nenhum de nós, mas você soube como e onde intervir, e achou um lado bom para tudo isso servir. 

Quando o mal me atropelou, e tudo não podia estar pior, eu implorei pelo Bem, mas você fez muito Melhor! E que assim seja, para todo o sempre: livramentos, proteção, e justiça que sequer tarda. Os presentes que de ti ganhei, as batalhas vencidas e os fantasmas que exorcizei provam que nosso reino é o mais fértil de todos os grãos de mostarda...       


Um beijo do tamanho do que fez por mim! 
Duda
(12/3/2014)

sábado, 8 de março de 2014

~EXPOEMA~
POETA: PESCADOR DE ALMAS...

(clique nas fotos para ampliar)

Em setembro passado, decidi que queria fazer uma exposição dos meus escritos na empresa onde trabalho, a CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba). "A vaga mais próxima é para Fevereiro/2014", disse a Nilma, criatura muito querida, da área de comunicação, e responsável pelo espaço cultural. "Você quer?", perguntou... Nem titubeei!!! Os meses passavam, eu produzia, mas quando a hora se aproximou de fato, me deu um pânico! Pensei em cancelar porque até então não via meio de expor as poesias da maneira que eu queria, que era de uma forma interativa, que envolvesse a participação das pessoas, pois o objetivo era que a poesia as tirasse da rotina e as tocasse diretamente - a coisa toda era em função dos demais; então, não era para ser algo simplesmente visual, feito uma exposição de arte comum. Mas como fazer isso??? Eis que a iluminada colega e amiga Rosi disse "por que você não usa os biombos disponíveis no espaço, coloca uma rede por cima e pendura os poemas nela, já que o poeta é um pescador de ideias?!". Ela me deu a laranja, e eu fiz um bolo com calda e tudo!!! 


Pescador de ideias - pescador de Almas - pescador do rio São Francisco - revitalização do Rio São Francisco - AR/GSA (Área de Revitalização, Gerência de Projetos Sócio Ambientais), exatamente onde trabalho... BINGO! Unindo à máxima da empresa, eu ia transformar as pessoas em pescadores de "peixoemas" - peixinhos que se alimentavam de letras e se transformam em poesia. Era a vida se renovando da melhor forma possível. 

Peguei o gancho do programa destaque da gerência, o "Água para Todos" (responsável por instalar cisternas em comunidades rurais difusas), transformei uma caixa-d´água num pedaço do Velho Chico, e pronto! As pessoas pescavam uma poesia, se identificavam como o pescador dela, e a expunham na rede para todos os visitantes apreciarem, e levavam uma "foto"(-cópia) do peixinho para si. Uma exposição que crescia e se modificava a cada momento. Paralelo a isso, também expus vários escritos em duas outras redes, impressos em papéis fotográficos, unidos a lindas e marcantes imagens, algumas delas clicadas por mim mesma, outras por amigos, e outras tantas por fotógrafos talentosos cujos trabalhos se encontram espalhados pela internet... Mas nem essas imagens incríveis fizeram tanto sucesso quanto a pescaria poética! 



Logo no 2° dia de exposição, o estoque do tanque já havia baixado tanto que entrei em pânico, pensando "será que vou ter de repetir poemas?". Não! Eu graças a Deus tive inspiração o bastante para continuar criando, e decidi recorrer ao livro; e no fim, o saldo foi de 250 "peixoemas" e 100 foto-poemas. 350 poesias permearam o universo dos meus colegas e amigos, e dos visitantes que vieram prestigiar o evento. A expoema criou vida própria: pessoas "roubavam" escritos da rede (sério, adorei isso! Dei muita risada); trocavam escritos entre si; pescavam duas, três, inúmeras vezes; traziam os filhos e amigos para pescarem; colavam os poemas em suas mesas de trabalho, nas paredes; presenteavam paqueras com os poemas que pescavam, como num "correio elegante"; e eu até vendi, acreditem, um cardume especial (1 por R$3; 2 por R$5; e leve 6/pague 5 por R$10). 

A poesia e o lúdico reinaram absolutos por duas semanas! Todos tinham a mesma idade com aquelas varinhas nas mãos, e a mesma vontade de saber que escrito lhes estaria reservado ali. "Nossa, combina muito comigo, este. Adorei!", foi a frase que mais escutei. Todos estranhavam o fato de sempre pescarem algo que parecia ter sido feito sob medida para cada um, mas isso é porque a poesia combina com tudo e com todos. Ela sempre vai se encaixar em nós simplesmente porque faz parte de nós. A gente é que tantas vezes a mantém adormecida, ou esquecida. Cada pescador ali estava pescando sua própria alma de volta, e ficava feliz em reencontrá-la em meio a uma rotina pesada de trabalho...



Quando desmontei a estrutura, não lamentei sozinha. Havia um coro uníssono de "ahhh, deixa mais um pouco!". A poesia coloriu, conquistou, e eu me senti orgulhosa de ter sido escolhida por ela como seu instrumento, seu canal de comunicação. 

Mandei um e-mail para todos os colegas e amigos da empresa, agradecendo todo o apoio substancial que me deram para realizar a quinzena poética; e recebi respostas carinhosas e emocionantes. Sim, a poesia impregnou! E quando ela se instala, é pra ficar! Vejam a prova:

De Rosi:

Duda,
Tu és uma estrela
Que veio ao mundo para brilhar
Nem a mais sombria nuvem
Pode o teu brilho apagar!!
E a todos tu levas luz
Com seu brilho sem par
E esta é uma missão mui linda
Que ninguém pode negar.
Obrigada devemos dizer todos nós. 
Que Deus te ilumine, hoje e sempre!!
Bjoos


De Camilo:

Valeu duda, é isso ai... Pois é: cada um faz aquilo que é... Olha, parabéns e que Deus a ilumine para alçar cada vez mais voos mais longínquos. Tem um livro que já li umas tantas vezes, Fernão Capelo Gaivota, e dentre tantas passagens legais que tem no livro tem uma que nunca esqueço: " VÊ MAIS LONGE A GAIVOTA QUE VOA MAIS ALTO." 

De João:

Duda você simplesmente arrasou!
Tudo lindo, um sucesso.
Conseguiu quebrar a rotina mesmo, bjão.
João (Noivo). bj bj bj vc é tudo de bom! :)

De Silvana:

Mais uma vez: abalou!!! E foi tudo tão casado que o reconhecimento foi mais que merecido. 
P-A-R-A-B-É-N-S!!!

De Maria da Paz Drummond: 
(sobrinha-neta do poeta Carlos Drummond de Andrade)

Cara  colega,
Todos que lá passaram, pelo fugaz momento de relaxamento entre poemas, poetas e pescarias tiveram o privilégio de serem agraciados pela sua generosidade de tempo e sensibilidade.
Muito obrigada por tudo.


   


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O mundo só precisa dos POETAS


Algo mais que se precise, 
Em qualquer aspecto, 
Além da divina Clarice Lispector?
*
De que serviriam o calendário
E todos os dias da semana
Se no mundo não houvesse 
Mário Quintana?
*
Yo solo hablo
Él ni siquiera me saluda
Quién más lo haría todo  

Además de Pablo Neruda?
*
Se algum mal te acomete
Não encha a cara de chopp
Sente e vá ler um livro 
De Elizabeth Bishop
*
Ou dance feliz de sapatilha
Ou só rodopie até 
Que te desmanteles
Ou troque isso ou aquilo 
Por tão somente Cecília Meireles
 *
Não te salves
Rasgue a carta de alforria
E vá curtir um longo exílio
Ao lado de Gonçalves Dias
*
E não será preciso um centavo
Nem um segundo de um tic-tac
Assim que voltares a viver
Na Pátria de Olavo Bilac
*
Acorde sem demora
Saia ao sol que te ilumina
E agradeça muito a Deus por
Cora Coralina
*

Quando a Aquarela
Atravessar a nuvem branca
Ali haverá de brotar
A grande Florbela Espanca
*
Ao meio dia, siga cantando
Para que mais longe se soa

A alegria em dose tripla
Do fingidor Fernando Pessoa

Assim, sobreviva ao susto
Do soar de tantos banjos
Na que fora a última quimera
Do hipocondríaco Augusto dos Anjos
*
Embarque no primeiro bonde
Para longe de toda Saudade
Desfrutando da ilustre companhia
De Carlos Drummond de Andrade 
*
Ponha nos fins, meios e inícios
Samba, Beleza, Amor a mais
Pois fundamental mesmo
É Vinicius de Moraes

*
E viva a metamorfose!
Entre no casulo, e brinque
Que só assim é que se pode
Ter o bigode
De Paulo Leminski


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

 O AMOR JÁ NASCE PRONTO!





Ainda inspirada pelo "Efeito Pietro", do post passado, acordei pensando no Amor outra vez. Acho que já se trata de um costume, algo natural. 

Pensei em algo bem específico, que é a ideia que tantos fazem de que "o Amor vem com o Tempo"... Sempre que eu digo que amo alguém, um outro alguém geralmente diz "mas você mal conhece a pessoa!". Ô, amigo, o Amor já nasce pronto! Com o Tempo, ele até pode aumentar, ou diminuir consideravelmente de intensidade; mas ele já nasce pronto! A raiva, a mágoa, o rancor: essa turma, sim, depende do Tempo e da Convivência para se construir. Uma pessoa precisa errar muito para ir limando o Amor que você já tem pronto por ela; e para isso, os longos anos de proximidade são fundamentais. 

Uma pessoa precisa apenas existir, ainda que só na sua mente, para você amá-la. Simples assim! Já para detestá-la, ela precisa se esforçar o mínimo. Pode ser que ela capriche tanto logo de saída, que nem serão necessários tanto Tempo ou tanta Convivência para se fazer um Castelo de Mágoa, e ali aprisionar o Amor. Mas, como com Rapunzel, enclausurada na torre, o Tempo ajuda suas tranças a crescerem, possibilitando uma saída. Daí por diante, a escolha é sua: viver na morada do rancor, ou voltar ao ponto de partida. 

Ô, amigo, o Amor não vem com o Tempo. No máximo, ele volta... 

D>       

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

PIETRO, O ELEVADOR E O AMOR...

Crônica da rotina de um Amor real

2/1/14. Após uma "vesperançosa" sensação de felicidade, e uma confortável noite de sono, nem o fato de ter de trabalhar tão cedo tirou meu humor (já que há muito fiz um acordo comigo mesma de não reclamar dos privilégios dos quais gozo na vida, e ter um trabalho que me sustente é o maior deles). A falta, muito comum, do ônibus que pego também não foi capaz de mudar meu estado de espírito, e como nada é mesmo por acaso, foi justamente a falta deste transporte coletivo que me fez ver a cena mais legal do dia, protagonizada por Pietro, um garotinho lindo de 4 anos. 

Quando ainda estava na parada, chega um casal jovem com dois filhos pequenos, e algumas mochilas; aparentando estarem indo viajar. A mãe perguntou a mim e a uma senhora se o ônibus dela já havia passado, e como já havia, ela se dirigiu com a família para o metrô. Eu e a senhora fomos no vácuo, pois, àquela altura, o nosso também havia nos deixado na mão. 

Na entrada da estação, o casal foi se despedir, pois ele, munido de um violão, seguiria para outro lado. Na hora do beijo, a linda cena. Pietro, enciumado, deu um tapinha no pai e disse "Ei, sai, "isso" é o meu "amô"!", e se agarrou à perna da mãe. O casal nem reparou nele, em sua expressão linda misturando ternura com a raiva provocada pelo ciúme, e pouco pareceu valorizar o gesto, mas eu reparei e fiquei encantada. Descemos, esperamos o trem chegar, e entramos no vagão. Quando o metrô partiu, Pietro quebrou o silêncio com um "tchau, papaaai!", acompanhado do aceno. O pai já estava para trás há muito, nada viu ou ouviu daquilo, mas com certeza sentiu a energia. Não resisti e tirei uma foto dele escondido, e depois lhe joguei um beijo e sorri. Mesmo não me conhecendo, ele sorriu de volta. Inocência e Amor são mesmo um par perfeito.

E quando ainda trazia Pietro na memória, com sua demonstração de Amor, chego ao trabalho e vejo mais pegadas deste nobre sentimento no elevador. Corações de papel espalhados no chão. Estranhei o local, mas deduzi que provavelmente haviam caído da bolsa de alguma pessoa que, como eu, chegava ao trabalho depois de um reveillón marcante, com beijos, abraços, espumantes, e chuvas de prata e de corações. Ela provavelmente guardou o Amor na bolsa, e não porque achasse que, se não fosse assim, ele se perderia. Guardou conscientemente como uma "lembrança" do momento; e instintiva e inconscientemente, para dar a ele a chance de continuar a se espalhar...

Hoje foi dia de ver o Amor às claras, em suas mais variadas e singelas formas. E como não poderia deixar de ser, estou aqui ajudando a espalhá-lo. Eu sempre digo que as histórias que invento são geralmente mais bonitas e interessantes que as que vivencio, mas hoje foi o contrário. Se bem que tenho de reconhecer que todas as histórias que invento são sempre inspiradas em histórias reais. E nada mais real, e lindo, e inspirador que o Amor.

Sigamos o exemplo de Pietro, e amemos muito mais em 2014, e em 2015, 2016, 2056, 2099...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

~SPCC~
São Paulo Cultural Clube
E essa cidade toda
Vai virar uma só gota
Perante a minha sede louca
De Cultura, Amigos e Amor...
14 a 16/dezembro/2013
 
Há tanto o que falar, pois foi tanto o que senti...
Há tanto o que mostrar, pois foi tanto o que vi...

Quem dera todos pudessem
Ser feliz como fui, 
Como sou,
E como provavelmente 
Sempre serei!

Sou feliz porque
Vivo de Amores, 
De Amigos, 
De Artes.
Porque faço Viagens
E Poemas por inteiro,
Nunca por partes!

Sou feliz porque
Tenho tudo
E de uma vez só!!!!  
 
 
Sou  Dudartagnan, e tenho três mosqueteiros lindos...
"Odilathos", "Mariorthos" e "Taniaramis"!
Articulam surpresas, presentes, caronas, entregas.
Não importa o cansaço, sempre estão ao lado
Aguentando amiga piegas;
Indo atrás de banquinhos
Pra gente esticar as canelas,
E deixam a gente comer 7/8 de duas tortas
E ainda pagam por elas.

Eles te levam a uma peça incrível
E depois ainda perguntam
"Qual outra peça você quer assistir?"
E não interessa se está esgotada:
Eles arrumam um belo cantinho
Pra você não deixar de ir.

Eles aliviam a sua dor,
Ouvem seus desabafos contidos,
Se indignam com os insanos excessos,
Mas depois vibram muito
Celebrando seu sucesso!

Exaltam suas qualidades,
Abraçam e beijam com vigor,
Fazem questão de estar contigo,
Deixam marcado um super reencontro;
Pois sabem que a distância é um horror,
Um injusto castigo!

 
"Amigas ausentes, pero no mucho!"
(A Menina que Ganhava Livros)

Ao vivo ou em livro...
Todos estavam lá, ainda que 
De um jeito desigual!
Mas assim é a Ciranda da vida:
Tem seu lado físico,
Mas também o espiritual
Dani Galli e Célia Forte:
Foi no Rio qu´eu as vi,
Mas não onde as deixei!
Criei um ritual de memória
E na lembrança as carreguei
Junto à sua linda história
E de quebra ainda ganho
Duas lindas dedicatórias
E pelos olhos, desaguei...
    
Um poeta nas ruas,
Homens velhos e novos...
Borboleta, tu estás em Liberdade!
O Poeta volta ao passado
E lhe apresenta o futuro...


A Borboleta volta a partir,
Pois ainda há muito
O que se ver nos dias,
Mas leva sempre consigo
Uma coleção de novas poesias!


Borboleta pôs a Língua pra fora
Dentro do casulo na
Praça das Palavras...
Casulo da Borboleta,
Útero do Poeta!


E a Borboleta então
Se embriagou!!!
A Borboleta até cantou
De tanto que se metamorfoseou...