terça-feira, 29 de outubro de 2013



     
  

Oi, tia. Espero que esteja tudo bem! Tenho vibrado muito por isso... Já se passou mais de um mês, e às vezes ainda parece que foi ontem... Mas quando já se passavam 15 dias apenas, fiz um poema me despedindo da tristeza, me obrigando a uma nova fase; e coloquei aqui na parede da minha sala do trabalho a foto que minha irmã pôs de capa do Facebook, com a música "minha vida é andar por este país pra ver se um dia descanso feliz...". Ficou especialmente linda, e tem me ajudado a levar essa ausência física mais facilmente. Também procuro sair ainda mais com os amigos, parentes, e ir muito ao cinema. Sabe que minhas críticas amadoras andam fazendo sucesso? Ai ai...  


Dia 14/10 foi aniversário do Ricardo, e fomos ao Outback. Seus filhos foram. Eles tinham acabado de dar a notícia para o pai. Camila havia pedido para não comentarmos nada sobre você, para não deixá-los tristes ainda mais. Eu pensei que não fosse conseguir me controlar quando abraçasse a Olga, mas, consegui. Chorei antes, antecipei o momento. Deu certo. Mas não é que o cardápio trazia um "arroz Tasmânia Especial"?! Pergunta pra mim se prestou? Ainda choro, ainda não consigo ver tantas fotos e homenagens, mas sei que já tô bem melhor. Eu já tô subindo a ladeira. Ainda recebo telefonemas e mensagens especiais, e tô fazendo terapia com a amiga do Senado, onde na "quarta-feira de cinzas" me despedi oficialmente do seu lado físico. Nossos cafezinhos semanais, diretamente daquela máquina igual a sua, servem para lembrarmos as coisas boas e engraçadas envolvendo você. Como ela não te conhece, é uma boa oportunidade pra te apresentar. Na última sessão, dia 15/10, eu contei a história da Musse Tatá, lembramos do "Taitanic", e percebi que a melhor forma de cura é mesmo essa. Pena eu não conseguir isso logo de primeira. Mas é meu jeito, né?! E como sabemos que coincidência não existe, qual a mensagem do dia? "Lembremo-nos e falemos somente de momentos alegres e felizes". Foi o pensamento desde que acordei, e que só se confirmou. 

Dias 19, 21 e 24 foram especiais pra mim, aniversários de pessoas especiais, que só de existirem, simplesmente, já me ajudam, já são anjos. E dia 24, um dia antes de se completar um mês, ainda saí com Gui e Dora para um lanche especial. Tão especial que pude ser eu mesma (falante por todos os poros), sem restrições. Legal ser aceita como se é, em especial em momentos de fragilidade. Rosi, minha Candoca linda, e seus meninos também têm me feito tão bem. Meus tios, primos e amigos próximos foram os responsáveis pelos únicos dias bons que tive neste período. 

A família G5, então, foi responsável pelo fim de semana de risos e boas lembranças, até porque estávamos reunidos pela última vez em sua casa. Você merecia de nós um momento igual ao que tantas vezes nos proporcionou. O João Paulo colocou uma foto dele e da Juliana com vocês, e falou do apelido de "Furacas", e perguntou a cada um de nós qual era o nosso apelido. Foi uma sessão nostalgia forte! 

E bem ao estilo dela, me despeço com um beijo da "Maria-Sal-de-Frutas", e sigo pedindo que, se puder, me proteja, interceda por mim e pelo meu pai, mãe, irmã, e todos na nossa família querida, em especial os que mais têm dificuldade de lidar com sua falta física. Beijos pra vovó, e vê se não fica dando uma canseira aí na véia, viu? Ela nunca teve o mesmo pique que o teu, portanto, colabore, kkk


D:>   

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

UMA SERRA VESTIDA DE OUROS



O filme da semana foi Serra Pelada, que de "pelada" não tem nada. É uma Serra vestida de muitas roupas douradas: roteiro, direção, elenco, fotografia... Heitor Dhalia acertou em tudo.

Primeiramente, este filme foi a prova inconteste do talento de Wagner Moura - se é que alguém ainda duvidava dele. O camarada pode ter uma ou outra cena no trabalho que for, que ele vai chamar a atenção. Como um dos produtores, ele atua pouco em quantidade, mas incomensuravelmente em qualidade. Claro que não contei, mas num filme de quase 2h, se ele aparece em 10 cenas, é muito. Mas ele manda, e o resto obedece, literalmente! Pra se ter uma ideia, o mais fraco (lê-se: básico) é  Matheus Nachtergaele. Sophie Charlote e Júlio Andrade (o Gonzaguinha, do filme ´Gonzada, de pai pra filho´) também estão enormes em cena; e, pasmem, até Juliano Cazarré deixou pra trás a canastrice habitual (vide o tal Ninho, de ´Amor à Vida´) e está dando conta do recado. Quando um ator assim me surpreende, reconheço o mérito dele, mas também vejo refletidos os méritos do diretor. Um bom diretor sabe espremer o que nem o ator sabe que tem pra dar, ainda. Um bom diretor é a melhor escola para um ator.

Serra Pelada é mais um filme que opta por usar uma questão social importante como gancho para o lado pessoal, para focar no reflexo disso no ser humano; e deu certo. A opção pela narração também é boa, pois é no limite certo, e ainda economiza tempo de duração do filme. Mas, claro, há quem pense que diálogos mais profundos são sempre melhores, ainda que precisem esticar a película. Tudo bem, cada um se agrada mais de uma forma que de outra, mas é importante ressaltar que a narração não é exagerada, e também não ocupa espaços de grandes cenas.  

O roteiro traz imagens reais da exploração da maior mina de ouro já descoberta no país misturadas às fictícias; e em meio aos 4 anos que engloba (1980-84), conseguiu passar por tantos temas na medida certa: ganância, banditismo-faroeste, prostituição, homossexualidade, a chegada da Aids, a malária, contravenções das mais variadas - dignas de famosos filmes de máfia. É mais um filme histórico muito bem feito, em todos os detalhes, que vale muito a pena ver. É aula de História do Brasil, e de história do Cinema no Brasil, que está ficando cada vez melhor, se mantendo no mais alto nível técnico-criativo.  

A cada filme que passa, mais ansiosa eu fico para chegar logo a vez do meu...

domingo, 20 de outubro de 2013

A cara de boneca-de-cera do cartaz, acreditem, diz tudo sobre este filme. Uma história tão inexpressiva quanto caricata, uma tentativa frustrada (e frustrante) de se realizar a primeira cinebiografia de uma das mulheres mais emblemáticas do mundo. “Diana” é um insulto, um desrespeito tanto com a princesa quanto com os espectadores. Nada neste filme funciona minimamente. Aliás, para ser justa, a interpretação do ator Naveen Andrews, famoso pela série LOST, é satisfatória, e em algumas cenas chega a chamar a atenção (lê-se: acordar quem já há muito dormia!). E é só! Porque Naomi Watts, apesar de talentosa e experiente, conseguiu construir uma princesa ainda mais falsa do que aquela que a imprensa inventou e sempre tentou nos fazer engolir. Uma mulher que em determinadas cenas aparenta falar “com um ovo na boca”, e andar com se sobre um salto quebrado, de tão mal construída. Mas a culpa deste desastre – digno de ser comparado ao real que vitimou Diana – não é, obviamente, só dela. O roteiro de Stephen Jeffrey sofre da síndrome da Polaroide. Sabe quando alguém senta ao seu lado e coloca várias fotos de vários momentos de sua vida, e tenta te explicar através delas tudo o que lhe aconteceu desde que nasceu até o presente momento? Então, este filme é bem assim: tentou mostrar tudo, e, claro, terminou não mostrando nada. 10% das cenas, se muito, passam de 1 minuto, e mesmo estas trazem diálogos e situações mais rasas que um pires. Há cenas que se chegam a durar 5 segundos, duram demais. Algo que “se piscar, perdeu”. Se bem que, na verdade, não perde é nada. São absolutamente dispensáveis. Há situações tão forçadas que chegam a ser ridículas, simplesmente. A direção do alemão Oliver Hirschbiegel também sofre de outra síndrome infelizmente comum no cinema europeu: a síndrome do io-io. O movimento vai-vem da câmera chega dar náusea algumas vezes. Seu foco, claro, foi “a visão de um paparazzo” sobre Diana. A câmera a persegue de pertinho, ou com zoom, e a gente se sente correndo atrás dela também. Este filme perdeu a grande oportunidade de nos mostrar uma mulher que ainda não conhecíamos – já que a Lady Di versão Palácio de Buckingham nos é figurinha repetida; mas tivemos mais do mesmo. Aliás, pior! O que não nos foi passado nesta linha, foi baseado em boatos e construído de forma tão superficial que não prende o espectador nem na cadeira. É fácil levantar e ir embora antes dos créditos finais. Confesso, queria ter feito isso, assim não seria obrigada a ver a aparição meteórica de Dodi Al Fayed na história como se tirado de dentro de uma cartola, literalmente. Aparece do nada, e some minutos depois. Eis um candidato fortíssimo a PIOR filme biográfico da história da humanidade! 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

 GRAVIDADE é perder este filme!
Há muito, criei um código de classificação para filmes e peças de teatro: o critério ABCD em níveis 1-2-3... A, de “1-Amei, 2-Adorei, 3-Alucinei”; B de “1-Bacana, 2-Bom, 3-Básico”; C de “1-Chato, 2-Cansativo, 3-Caótico”; e D, de “1-Dormi antes da metade, 2-Desisti no Trailer, 3-Desesperador”. GRAVIDADE, para mim, é um autêntico filme A2. Primeiro porque adorei, e também porque, sim, só há de fato dois personagens na história. 
É comum ver peças de teatro com apenas 1, ou 2, ou no máximo 3 atores; já filmes, nem tanto. O longa do diretor mexicano Alfonso Cuarón é um destes filmes que poderia acabar mais cedo “por falta de elenco”, mas não é apenas por isso que ele é raro. Ele é atípico em tudo que mostra, e, portanto, surpreendente... O filme começa com Sandra Bullock, George Clooney e Ed Harris – que só diz uma frase, e eu só soube que se tratava dele graças aos créditos. Somente eles, e um bando de vozes vindas da Terra, do centro de controle espacial da NASA, em Cabo Canaveral. Vozes baixas, abafadas, exatamente como são ouvidas em missões assim. O diretor nem sequer se preocupou em depurá-las para facilitar o entendimento do público. Ele quis realismo puro, e conseguiu. Imagino que no original, que não tem legenda, muita gente ficou comendo poeira cósmica, boiando no espaço sideral, sem entender o que se dizia. Falando em espaço sideral, o cenário só não é um buraco negro, um vazio colossal, porque o planeta visto do lado de fora preenche magnificamente nossa visão. Se bem que todo o aparato de sondas e telescópios também é grandioso, mas o interessante é que as menores partes deste todo são as que, verdadeiramente, mais se destacam. 
A falta de gravidade física é inversamente proporcional à gravidade da situação em que se encontram estes dois astronautas e a engenheira, que estão fora da nave explorer para reparos no telescópio Hubble e são atingidos por uma tempestade de lixo espacial, fruto da destruição de um satélite por um míssil russo, que achava se tratar de satélite espião. Ed Harris é o primeiro a, literalmente, ir pro espaço (melhor dizendo, continuar nele), restando apenas Clooney e Bullock. Escapar da tempestade não era garantia alguma de sobrevivência. Sem comunicação com a Terra, com pouco oxigênio e quase sem combustível no propulsor externo, o perrengue intergaláctico do casal de LINDÍSSIMOS protagonistas (e únicos personagens!) estava só começando. Como voltar pra casa, sendo que o principal equipamento de viagem fora seriamente avariado? 
Não vou mentir pra vocês, o filme tem 2 cenas apelativas, sim; e uma totalmente inexplicável – que ou passou despercebido pelo roteirista, ou foi proposital para ir mais além. Mas é só! E isso porque nada é perfeito. Porque fora esses casos (que não vou revelar quais, pois faço críticas, não divulgo spoilers), o filme é uma curta prova de resistência. 1h30 de tensão que vão por seu coração a prova. “Agoniante” seria o adjetivo mais propício para definí-lo. Tecnicamente, ele tem tudo no lugar; e olha que não vi a exibição em 3D, que, dizem, é a melhor já feita desde Avatar. O texto é curto e grosso, aliás, eu diria até que “eles falam demais” para quem tem de economizar no oxigênio, mas o que falam é justamente o que conduz o filme, o que justifica e alimenta o instinto de sobrevivência. 
Bullock prova mais uma vez que não é apenas um rostinho maravilhoso, mas sim uma atriz talentosa e muito bem preparada, disciplinada. Um corpo impecável e ágil para quem chegará aos 50 em plena Copa do Mundo. Isso é fruto de consciência do que é a profissão, que o corpo é um objeto de suma importância; mas a composição psicológica da personagem também, e ela não deixa a desejar em nada. Falando em “nada”, Clooney também não muda nada: continua o mesmo galã de E.R, mas serve bem para a ocasião. Duvido que a Nasa tenha um astronauta tão charmoso e sedutor, mas já que a beleza é um chamariz, nada mal! 
GRAVIDADE é um filme de ação e de suspense que, graças a Deus, mesmo tendo dois símbolos sexuais no elenco, não caiu na besteira de inventar um romance-astral pra estragar tudo. Um filme rico em detalhes, que são uma atração a mais – como as lágrimas da engenheira Ryan, que sobem e flutuam; bem como os focos de incêndio, que saem dos fios e passeiam pelo interior da sonda. Sensacionais!
Este quase-monólogo cinematográfico com uma das minhas atrizes favoritas desde a minha infância foi uma das atrações do meu fim de semana. Escolha uma sala e aproveite você também. Ah, vá ao banheiro antes, porque nada vai te fazer querer sair antes de acabar.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Quarta-Feira de CINZAS
  


Oi, tia! Estou agora no trabalho da minha amiga querida, e aqui veio o desfecho do dia. Um desfecho esperado, em partes... Inesperado foi meu pranto, ainda mais forte que foi em todos os dias. Quando li o que a Fefa postou, em Inglês, eu desabei. Mais especificamente porque, ao ver a foto do local, olhei para o lado e deparei com o calendário que minha amiga tem na sala, com imagens do mundo inteiro; e a imagem do dia era justamente a mesma. Se não bastasse isso, a mensagem que acompanhava era "A Vida É Imortal"... Coincidência? Não! Porque isso não existe!... Eu tenho a crença, verdadeira, de que você está viva, e bem; e creio nisso tanto quanto sei que mal estamos nós, que ficamos aqui, apesar de tudo que nos consola, e dos tantos que nos confortam; e apesar dessas mensagens certeiras que temos de receber (e recebemos). A falta física é forte, mesmo sabendo que a presença espiritual agora será ainda maior... Este período de transição é complicado mesmo, demora... Criei coragem e escrevi pra Olga, Finho e as meninas, me desculpando pela covardia em não ligar para eles, pois ainda não consigo parar de chorar, e por isso não quis pôr mais "gelo na piscina". Eles me compreenderam. Minha amiga aqui, que no momento me apóia muito, está sendo obra mesmo de Deus. Eu hoje escrevi muito, e fiz também poemas felizes para meus amigos que fazem aniversário em breve. A tarde transcorreu bem, mas a noite sei que já vai ser mais pesada. Agora, os episódios de tristeza vão diminuir, e a gente já vai conseguir rir de algumas coisas. Minha outra amiga, aquela atriz para quem comprei a bengala, sem saber hoje me fez sorrir quando lembrei dela perguntando "você não roubou a bengala da tia, não, né, Duda?". Eu sei, a gente pode até perder coisas, mas pessoas a gente não perde jamais. Elas se reciclam, e ficam pra sempre, só que de um novo jeito. Mas saber nem sempre significa aceitar facilmente, né?... Minha amiga Lis me disse que estou chorando por vários. Estou captando as energias deles, e possivelmente também a tua, por isso me sinto tão mal, e tão frágil. Mas que isso passa... Conversando com minha mãe, todos jantavam e celebravam como você havia pedido. Tudo estava calmo, e controlado dentro do possível. Pelo visto, só eu mesmo é que tô dando vexame... Tio Firmo pôs uma imagem/mensagem sua muito forte e muito linda. Alguns não gostaram, mas eu entendi isso como "a fase da raiva", que eles só viveram agora, quando o último capítulo físico se encerrava. Repito as palavras dele: BOA VIAGEM! E, se possível, fique ao nosso lado quando puder. Te amo, para todo o sempre...


Sua Maria Sal-de-Frutas


terça-feira, 1 de outubro de 2013

7 DIAS...
Arrastados como 7 horas,
Curtos como 7 segundos


Hoje acordei tendo de me preparar para sua missa de Sétimo Dia. Geralmente, as pessoas já começaram a se reerguer e, aí, recomeça tudo outra vez; mas no meu caso, não. Eu ainda não me recuperei o mínimo que seja. Já consigo chorar com menos frequência, mas a intensidade ainda é a mesma. Tanto que escrever só me parece não bastar. Desde a sua partida que meu sono se perturbou outra vez, e o Pé Jr. tá concorrendo com o coração, pra saber quem dói mais. Esqueci tanto da vida que minha planta, que ganhei dias antes, adivinhe só: já está enfeitando seu novo jardim... Ontem resolvi ler os últimos e-mails (e até torpedos) que trocamos, dias antes e dias depois de eu te visitar em Julho. Resolvi usar nesta semana todas as roupas que ganhei de você, dando prioridade, sem querer/sem planejar, às pretas e cinzas. Resolvi rever suas fotos, nossas fotos... Quis também relembrar com detalhes nossas duas últimas conversas, dia 7 e dia 13... Alivia saber que você não acabou, só recomeçou da melhor maneira. Que agora você não tem dores, nem limitações, ao contrário: sua força ganhou ainda mais poder. Daí, do outro lado da cachoeira, você vai poder fazer muito mais, e ainda melhor. E peço que cuide de nós, como vovó já vinha fazendo desde que foi para aí... Mas não dá pra negar que a falta massacra, que as lembranças mudam de tom. Quando me peguei pensando no tempo da nossa briga, percebi o quanto foi penoso. Achei, sinceramente, que você não gostasse mesmo de mim, que só me tolerava, mas que, ali, nem mais me tolerar precisaria. E isso me doía demais, só eu sabia o quanto. Eu nunca consegui odiar, desprezar, só conseguia me entristecer, simplesmente... Na teoria, sua partida não muda nada; mas na prática, muda tudo... Isso só me mostrou o quanto ainda tenho que amadurecer esse lado, o quanto preciso ainda aprender... Agradeço a Deus por ter te dado uma transição digna; até poética, eu diria. Agradeço por 99% de nós, família e amigos, termos te visto e recebido de você palavras lindas que só agora entendemos que eram de despedida. Você deixou muito de si, e também levou um tanto de cada um de nós. Hoje, é como viver com um pé aqui, outro aí, por isso incomoda demais no começo. Estou aprendendo a passear por este lado, e espero cada vez mais saber ir e vir sem me bagunçar tanto. Por enquanto, o jeito é ficar inteiramente aqui, me sentindo bamba. Daí, você e vovó que se divirtam, matem as saudades, coloquem o papo em dia, e depois passem os dias a "espiar" as nossas vidas e a cuidar de nós. De mim, façam uma perfeita marionete, que eu não vou, jamais, me importar... Obrigada por tudo que fez por aqui, beijos, e até nosso primeiro contato!
D. 

PS -  Em sua missa, Gabriela, filha da Gláucia, que conheci na sua casa, sentou no meu colo o tempo todo. Quando me vi, de repente estava sorrindo lembrando da sua gargalhada ao ouvir "essa velhinha mora aqui?"... O pranto de todos era inevitável, mas duas coisas mais eram também consensos: o conforto de saber que sua passagem foi a merecida; e também a sensação de "elo perdido". Você quem nos agregava. Agora estamos órfãos de "promoter". E ninguém, claro, quer assumir este papel... Falei pela primeira vez hoje com meu pai. Conseguimos ser serenos, ele está enfrentando melhor que se esperava, o que me deixou menos tensa, e dando razão à minha mãe, quando disse que eu estou pior que todo mundo... Lembramos também, eu e Cláudia, de dizer pra você nem pensar em voltar pro ex-namorado, ok?Deixe aquele "vcb" pra lá. Se é que ele está no mesmo Complexo Celestial que você, né? ... Beijos!

domingo, 22 de setembro de 2013

DEMOROU, MAS CHEGOU!
Evento Cultural da SEDUC chega com atraso, mas surpreende...


Para mim, não existe essa de Cinema Americano, Cinema Europeu, Cinema Nacional. Pra mim existe Cinema - a Sétima Arte - e sua linguagem universal. Sim, o Cinema fala todas as Línguas, nós quem o traduzimos para os nossos idiomas talvez para particularizá-lo, sentí-lo um pouco mais de perto e mais intensamente, sei lá... Mas ainda bem que este cosmopolitismo está cada vez mais evidente. Estão se tornando muito comuns as co-produções, onde um diretor de nacionalidade "X" dirige um roteiro escrito em Língua "Z", mas com partes em "Y"; e com atores de vários cantos do mundo. Assim, todos saem ganhando: a "criança" ganha mais pais e mães e vai ainda mais longe, para noooossa alegria. 

Neste fim de semana eu vi "Cine Holliúdy" e "Elysium". O primeiro é um longa produzido no Ceará, e falado em "Cearencês", segundo o roteirista e diretor Halder Gomes faz questão de frisar, e o que até lhe rendeu legenda. O segundo, uma produção tipicamente hollywoodiana, mas com as presenças marcante e brilhante dos brasileiros Wagner Moura e Alice Braga. 

Cine Holliúdy é um cinema Narciso, que homenageia a si próprio, e a seu povo local, mas longe de parecer pedante. Ao contrário, é de uma simplicidade bastante interessante. O povo cearense é mostrado tal como é: brincalhão, debochado, sem medo de parecer politicamente incorreto, brega, nem nada. Os diálogo são uma aula de regionalismo que ensinam muito, além de exaltar a problemática das diferenças sociais e culturais tão acentuadas no Brasil. É um filme "caseiro" não somente por ser feito aqui, mas porque retrata memórias pessoais do roteirista/diretor, que viveu muito do que seu protagonista nos conta. Através do hilário Francisgleydisson, um herói que tenta manter viva a magia da projeção cinematográfica em plenos anos 70, quando a TV começa a dominar o mundo e ameaçar seu ofício e paixão; Halder mexe com coisas totalmente atemporais, como por exemplo a politicagem; a burocracia que engessa todo e qualquer progresso, em especial o progresso da cultura; o apelo ao sexo; a importância das figuras religiosas no interior do país (padre é autoridade tanto quanto o prefeito e o delegado); entre tantas outras coisas. Com cenas dignas de se chorar de rir, comandadas por atores, humoristas e até cantores, o filme dá muito bem o seu recado, um recado, aliás, que chegou até a verdadeira Hollywood...

Já "Elysium", confesso, não fez minha cabeça porque não curto filmes futuristas e cheios de pancadaria, tiros, e efeitos especiais quase que constantes. Além do que, achei o roteiro fraco e linear demais, onde já na segunda cena se sabia exatamente tudo o que viria a seguir. Porém, as interpretações de Wagner Moura e Alice Braga roubaram a atenção que daríamos, em outros tempos, inteiramente a Matt Damon e Jodie Foster. Altamente inspirado na animação da Pixar, WALL-E (para não dizer "plagiado"), Elysium conta a história de uma Terra caótica nos idos de Dois Mil, Cento e... Me esqueci! Onde os habitantes ricos, claro, criaram uma Terra artificial, um lugar, aliás, onde há cura instantânea para qualquer doença. Wagner Moura, que nos acostumou a vê-lo como um cara que desce o teco na bandidagem, agora é a própria bandidagem, e sem ninguém capaz de detê-lo. Que ele é talentoso, já sabemos, não precisávamos deste filme para comprovar, mas é legal ver que ele agora não tem mais fronteiras. Ele será visto e reconhecido por muito mais gente, e dá orgulho demais disso, de ver que nossos atores não deixam nada a desejar, não devem nada para os mundialmente famosos. Alice Braga sempre figurou mais lá que aqui, mas, claro, jamais vai deixar de ser uma brasileira que brilha além dos limites geográficos. Seu Inglês, aliás, é perfeito, bem melhor que o do Wagner, que no comecinho do filme deu umas rateadas, foi difícil de entender, mas depois articulou melhor e deu show na última cena, quando avisou ao presidente de Elysium que o lugar agora tinha novos donos...

Em matéria de roteiro e produção, sinceramente, é raso e até injusto. Jodie Foster tinha tudo para ser uma vilã marcante, mas ficou algemada. Foi até onde deu, mas merecia mais. Matt está bem, mas, apesar de protagonista, perde feio para o Spider interpretado por Moura. Ele fica em segundo plano, literalmente. Já Alice, em todas as cenas que aparece, imprime sua ótima expressão facial e uma dicção impecável. 

Elysium vale pelo casal brasileiro, que merece ser prestigiado. Cine Holliúdy vale por tudo, e merece ser ainda mais prestigiado. O que vale, mesmo, é ir ao cinema e deixar esta arte nos teletransportar para uma dimensão particular!      

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Eu sei que é AMOR, simplesmente...
Dudatriz - os primeiros 35 anos

Eu sei que é AMOR, 
De ida e de volta...
E dar Amor enobrece
Mas recebê-lo, engrandece!
Dar Amor esclarece
Recebê-lo, emudece!
Dar Amor atenua
Recebê-lo, perpetua!
Dar Amor disciplina
Recebê-lo, ensina!
Dar Amor alegra
Recebê-lo, reintegra!
 Dar Amor gratifica
Recebê-lo, dignifica!
Ao dar Amor, sinta-se bem
Ao recebê-lo, diga "Amém!"...


Eu sei que é Amor, simplesmente; então, para que saber algo mais? Aliás, para que dizer algo mais, querer algo mais, precisar de algo mais? Para que tudo o mais se com ele tudo se faz? De uma legião de Anjos a singelas refeições, recebi de tudo, ou seja, recebi AMOR... Houve quem participasse do meu momento ao vivo, por telefone, por preciosas mensagens, e ainda houve quem usasse todos os recursos. A cada um, meu agradecimento profundo em forma, é claro, de Amor, tão sublime quanto o que recebo de vocês...

Bjs,
D.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

FLORES infelizmente RARAS


Não sou cinéfila por prazer, somente; mas também por obrigação. Como atriz e escritora, quanto mais eu tomar como exemplo, melhor! E se o exemplo for o melhor possível, então... Se você tem preconceito contra a homossexualidade, não veja FLORES RARAS. Perca cenas de sexo brilhantemente coreografadas por duas grandes atrizes, e tudo o mais que elas e todos naquela película te proporcionariam pelos “curtíssimos” 116min. Há tempos eu não via um filme que acertasse em tudo, de A a Z. Da Autoria ao Zé-da-Claquete, nada ali falta, nem muito menos sobra. E já que tudo funciona, vou me limitar a falar da melhor parte: GLÓRIA PIRES. Essa cidadã chegou a um nível que ela não mais interpreta, ela humilha! Ela não nos provoca mais uma catarse, ela nos abduz completamente. É esplendoroso ver uma atriz completamente despida, não apenas de roupas, mas, sobretudo, de limitações - onde nem sequer o idioma é uma barreira. Vê-la se entregando a uma personagem sem julgá-la, sem moldá-la, é um deleite especial. Ela simplesmente se doa, se empresta de um jeito, que chega a parecer uma “incorporação”. Certa vez, ao dirigir a novela Anjo Mau, Carlos Manga foi perguntado “como é dirigir Glória Pires?”, e ele deu uma resposta fantástica: “Simples! É só ficar calado pra não atrapalhar!”. Ele resumiu perfeitamente, pois a gente é meio que levado a ficar estatelado, só admirando. Miranda Otto, a linda e talentosa atriz australiana que contracena com Glória, tem todos os seus méritos (e muitos), mas é impressionante o quanto nas cenas entre ela e Glória, ela rendia ainda mais. Assisti com uma amiga que confessou não curtir homossexualidade, disse que fechou os olhos, e me perguntou se eu achava realmente necessárias as cenas íntimas. Óbvio!!! Seria um filme amputado se só as subentendesse; ou se a câmera desviasse na hora e começasse a filmar a vela – como aconteceu em outro filme com Glória, O Quatrilho. As cenas são inteiramente contextualizadas, e só chocam quem realmente já está predisposto a se chocar (pode crer, amigo, se você tem mais de 10 anos de idade, perceberá que já viu inúmeras cenas de sexo hétero bem mais tórridas que estas). E a prova maior dessa necessidade, pra mim, é a diferenciação clássica que se faz entre as relações de Lota e Bishop, e de Lota e Mary. Essa, a própria personagem de Lota diz que se tornaram “roomates” (apenas amigas). Elas – as cenas - começam na hora certa e duram só o tempo que devem; e não se sobrepõem ao texto. Porque, sim, o filme tem texto! E ele é recheado de diálogos profundos, que narram conflitos internos e externos. E de quebra, como um bônus, ainda nos presenteia com paisagens bucólicas de encher os olhos. Como atriz e poeta, confesso: é orgásmico ver a realidade e a ficção me ensinado. Aprendo com as atuações, e dentro da ficção foi interessante ver o processo criativo de Bishop, mostrando que não sou assim tão diferente dela. Eu também escrevo deitada no chão, aos rabiscos e amassos de papel, falando com as árvores, com os bichos, dialogo com meu silêncio e narro para mim mesma as minhas tantas histórias de amor. Ah, sim, o amor muito inspira. Não há mente que não destrave diante da paz de um amor que nasce e cresce em meio ao canto dos pássaros, sob a companhia de um gato de rua, e mesmo ao som do choro de uma criança que não se sabia querer... Esta história mostra que o Amor é perfeito, a gente é que se esforça em estragar, primeiramente com rótulos, mas ainda com ciúmes, possessões, egoísmos, bebedeira, e crises de meia idade... Reunir em uma só produção tantas flores diferentes e conseguir formar um jardim homogêneo assim é algo realmente raro. Um filme pra se ver umas 25 vezes, no mínimo! Que bom que ainda me faltam 24 (ou mais)...  

sábado, 17 de agosto de 2013


(clique para ampliar)
Já passei de uma centena de peças vistas, mas difícil dizer uma que tenha me marcado tanto quanto esta. Foi tudo especial, em todos os detalhes. Era o texto certo, com as atrizes certas, no momento certo. Meu “top 10” é precioso, foi difícil de eleger, mas já tem um primeiro lugar... Claro, nada substitui um “ao vivo”, nem os vídeos, porque a proximidade e o cheiro também são importantes; mas este livro veio para eternizar tudo, tudo mesmo, e de uma forma linda. Ciranda foi mesmo um presente pra mim, um presente completo, que me trouxe sobretudo AMIGAS – lindas, talentosas, generosas, humanas. 

Obrigada, Cirandinhas lindas. 
Amo vocês!

(obs: Tô chorando baldes) 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

~AMOSTRA GRÁTIS~

 


segunda-feira, 15 de julho de 2013

A "CIRANDA" DE CADA UM DE NÓS


Teatro do Leblon, sábados (19h) e Domingos (20h) até 4/8


Pode-se viver mais de 100 anos ou nem sequer 1 minuto... Não importa o tamanho do caminho, ele sempre parte do mesmo canto e chega no mesmo lugar... Quem viver mais de 100 anos viverá inúmeras coisas, mas quem viver apenas por 1 segundo viverá o essencial; pois basta isso para se conhecer o Amor Incondicional entre Mãe e Filho... Nossa vida começa, continua, e recomeça sendo simplesmente assim... A gente pode nunca conhecer um pai, pode ter fortunas, perdê-las, recuperá-las, ou sequer ganhá-las uma única vez. A gente pode nascer numa guerra, rodar o mundo em busca de paz, mudar governos, ver tantas coisas se criarem, se acabarem, ou tão apenas mudarem; mas em qualquer que seja a realidade, uma MÃE e seu Amor sempre vão existir. Uma mãe é sempre uma certeza, ainda que cresçamos sem saber quem ela foi um dia. Uma mãe, aliás, nem precisa gerar um filho pra ser uma mãe, tamanha é sua importância, pois é dela que a gente recebe a única coisa que de fato precisa! A única diferença é que ou isso é reconhecido logo de cara, ou precisa de um tempo e um caminho meio tortuoso para se fazer reconhecer. E não importam os atalhos, o caminho é igual para todos. E no fim é sempre assim: ele é reconhecido! E é a fonte primária dessa nossa “mania irritante de achar que no fim tudo dá certo”. 

Em CIRANDA, peça teatral de Célia Regina Forte, 3 gerações de mulheres e seus pesados conflitos mostram o tamanho do esforço que fazemos para destruir o único laço que de fato há entre nós. Mas um esforço que no fim serve apenas para escancará-lo e fortalecê-lo. Tânia Bondezan e Daniela Galli vivem mães, filhas e neta separadas por ideais e modelos de vida que as fazem crer que não se parecem em nada, que sequer têm algo em comum. Num texto absolutamente brilhante, a autora não divaga, nem voa longe, ao contrário: apenas nos relata o óbvio. Sim, o óbvio, Aquele que tantos insistem em não entender simplesmente pelo exemplo, que tantos precisam ver para crer, e viver para entender. Então, se há coisas que a gente tem de ver e viver, não há forma melhor que o TEATRO para nos proporcionar isso. 

O Teatro é o fim onde tudo dá certo. O lugar mágico onde se vive qualquer coisa ignorando as regras do Tempo e os caprichos da Lógica, na arte de viver mais de 100 anos em um único segundo. No Teatro, a gente entra incompleto e sai remendado. A gente entra ferido e sai curado. A gente entra com um problema e sai levando a solução... Teatro é aquilo que a gente tem que fazer, que tem que ver, e rever, e refazer, e seguir adiante fazendo, refazendo, vendo, revendo, vivendo e revivendo... Teatro é o lugar onde você para de respirar e não morre, ao contrário: renasce. Onde as limitações do corpo desaparecem... É o lugar onde você se vê fora do corpo, se chama por outros nomes, se vê mais velho, ou mais novo, e é onde se tem todas as chances de errar e reparar o erro imediatamente, sem consequências ruins. Só no Teatro que a Ciranda de outros, e de "outroras", nada mais é que a ciranda de cada um de nós! 

Com duas interpretações no mínimo magistrais, mas no fundo indescritíveis (nesta linguagem que estranhamente criamos para nos limitar), a gente passa a se chamar Lena, Boina e Sara sem qualquer estranheza. A gente é rippie em qualquer época, executiva de merda, aderecista teatral, mas tudo de passagem, tudo como uma maquiagem que se põe e se apaga; porque a gente é mesmo - do inicio ao fim - MÃE, FILHA, e NETA. A gente foi mesmo feito pra sentar no chão e jogar gamão, e rir da vida da gente; e não pra jogar banco imobiliário e sentar numa cadeira de couro ou no colo dos outros e estragar tudo! A gente nasceu pra querer guardar pra sempre um ursinho de pelúcia, principalmente em fotografias mentais, algo que a gente chama de “lembrança”. Algo que se o Cérebro apagar um dia, tem o Coração ali pra não deixar esquecer jamais. 

A única coisa que a gente precisa pra viver é também a única que nunca acaba. A dor acaba um dia, o dinheiro e o poder podem nem sequer chegar, mas o Amor nunca acaba, e se adapta a qualquer situação. Só o Amor nos basta, e só ele pode conseguir pra nós qualquer outro resto que julgamos precisar, sem nos cobrar nada em troca. Sim, sem cobrar nada! Você dá tudo que tem nos bolsos pela chance de ouvi-lo, mas vê que no fim o que você recebeu de volta é algo que não veio pelo preço que se pagou. É algo que nasce de graça e se aprende de graça, ainda que no meio do caminho o dinheiro se faça necessário. 

Célia, Tânia e Daniela souberam nos mostrar tudo. E eu, ainda bem, pelo menos soube entender...