"Aquele que crê em mim também fará as obras que faço, e as fará maiores" (João 14:12)
"A vida vistosa e arrogante é vida vazia; a vida simples e comum é vida plena."
Adeus, Saramago (* 16-11-1922 / + 18-06-2010)
"O Rei é morto. Viva o Rei!!!" - Essa frase diz tudo, e eu não tenho necessidade, nem condição, de dizer mais nada. Palavras eram o forte dele, então, é com elas que ficamos, hoje e sempre...
*




Danni Carlos
*
Eu sei que os que leem agora este artigo não eram nascidos nos tempos da Roma antiga, e jamais estiveram numa arena de gladiadores, mas, graças a Hollywood e Russell Crowe, todos nós sabemos bem o que ela era. Mas será que sabemos o que representava e quem eram os verdadeiros criadores, e responsáveis, por ela? Ou melhor, será que ela é coisa do passado, ou está aí até hoje, mas com outra cara e novas características? Para responder isso, primeiro um apanhado histórico...
Arena era o lugar onde combatiam os gladiadores, os clérigos do Deus da Guerra, os cavaleiros, os escravos querendo a liberdade, os magos-guerreiros, bem como os assassinos e mercenários. Eram combates que não necessariamente levavam à morte, por serem apenas um jogo. Isso mesmo, um jogo. As arenas existiam principalmente para distrair e divertir os pobres, e fazê-los esquecerem de suas vidas sem sentido. É o marco da "política do pão e circo". Um rei preocupava-se em alimentar e entreter sua população, e ela não tinha porque se rebelar. Eram um campo de batalhas inesquecíveis e imperdíveis. A única coisa que transformava Reis e plebeus em semelhantes. Igualava a todos numa mesma ansiedade em assistir ao combate, num mesmo ideal: ver a vitória de um, que significava, obrigatoriamente, a desgraça do outro. É um local de decisão de destinos, vidas. Que vença o mais forte, e este será, pra sempre, respeitado. Uma arena não existe sem duelos, e para o guerreiro ali dentro, só a própria sobrevivência interessa. E para isso, vale tudo, usar todas as armas - bastão, espada, machados, ferros e lanças; além de equipamentos de apoio, tais como cavalos e bigas (taí, parando e pensando agora, seria BIGA a verdadeira origem da palavra BRIGA?). Dentro de uma arena, sempre há o guerreiro favorito, que, em geral, é o que sempre ganha. Mas isso, embora pareça, nunca foi um jogo de cartas marcadas. Sempre havia surpresas, como surgir um guerreiro poderoso, quase místico. É aquele que dava a sorte de ter imunidade a doenças e um corpo fechado, por isso, independente do tamanho do feitiço do mago, nada o atingiria. Ele podia ter uma empatia grande com os animais e, assim, acalmar as feras que poderiam devorá-lo, fazendo delas um poderoso aliado. Ou ainda ter um sentido tão aguçado e uma boa mira que poderia fazê-lo desviar dos ataques contra si e ser certeiro, fatal nos golpes contra seu algoz. Mas estes guerreiros, todos sabem, não surgiam do nada. Começaram como escudeiros, cuidadores de animais, mulheres que sempre tentaram mostrar sua capacidade igual, ou superior, de combate; déspotas conhecidos do grande público que queriam de vez provar uma superioridade, ou até mesmo "peixes pequenos" que julgavam não terem nada a perder.
*